quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O futebol também é obra do acaso

Foto: Gazeta Press

Uma vitória nem sempre é obra do acaso mas no futebol ele tem papel fundamental, como tem na nossa vida. A diferença é que quando o acaso decreta algo em nosso cotidiano na maior parte das vezes não temos como não aceitar que o ocorrido foi obra dele. Mas quando o papo é futebol a coisa toma outro rumo. A primeira razão é que aceitar o acaso, simplesmente, rouba a razão de parte das reflexões feitas em cima do jogo. Notem que se fala tanto de futebol atualmente que vira e mexe tenho a impressão de que não tardará o dia em que se falará mais do que se jogará futebol. Embora nosso calendário esteja aí à postos pra encarar a briga. 

A segunda razão, essa difícil de ser driblada ou esclarecida, é que há muitas coisas agindo no que se dá entre as quatro linhas. O que faz o argumento do acaso ser facilmente encarado como simplista. Tem mais, o acaso, obra sem assinatura, num primeiro momento sempre é tido como algo menor. Mas se enganam os que acham que ele não pode se revelar genial ou grandioso. Se os que analisam não o exaltam tampouco os derrotados se sentem à vontade com ele. Mesmo notando no acontecido algo de casual jamais farão questão de aceitar o fato de terem sido derrotados por tão incerto adversário. 

E, além disso, sabendo da reputação de que o acaso goza não querem correr o risco ver suas justificativas encaradas como mera desculpa. Mas nunca é tarde pra dizer - e notar - que o acaso não existe apenas de maneira óbvia. Não se revela só em lances sem mistério, como quando a bola bate na canela de um juiz e acaba dentro do gol, como já aconteceu, aliás. E a única que pode, talvez, disputar com o acaso o título de coisa mais ignorada pelos entendidos da crônica esportiva é a dúvida. Só ela desponta nesse cenário com tratamento semelhante ao acaso. Ambas tratadas quase com desprezo, vistas como algo capaz de diminuir seus defensores. 

Mas, queiram os homens ou não, o acaso é parte do jogo e quase sempre não ganha os créditos porque tudo que se passa entre as quatro linhas precisa ser creditado a alguém ou deixar transparecer uma razão. Por outro lado, há coisas que jamais poderiam ser explicadas pelo acaso. Como, por exemplo, o fiasco santista na missão de se aproximar da ponta da tabela ou o Corinthians não sacramentar esse título. Fato é que com esse jeitão de decidido, ou em aberto, o Brasileirão nos reserva clássicos de respeito neste final de semana. Caso de Cruzeiro e Atlético Mineiro, no Mineirão. E São Paulo e Flamengo, que na tarde do domingo estarão frente a frente no Pacaembu. Vedetes de uma rodada que promete durar uma eternidade porque o líder só a fechará na noite de segunda-feira quando for visitar o Botafogo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Nuzman, funcionário público!


Essa equiparação de Nuzman a funcionários públicos é um detalhe crucial. A declaração abaixo é parte de entrevista concedida ao Redação SporTV, e está publicada em matéria do globoesporte.com. Não é à toa que a CBF, faz tempo, dribla essa questão do dinheiro público. O que não a faz inocente, claro.   

_ ... esse fato faz toda a diferença na medida em que o Leonardo (Gryner) e o Nuzman respondem por corrupção passiva, assim como o ex-governador Sérgio Cabral, justamente em função da equiparação a funcionários públicos. Na qualidade de gestores do COB e do Comitê da Rio 2016, eles receberam verbas públicas federais, firmaram convênios, o COB teve convênios firmados com a União, até mesmo para a apresentação do dossiê de candidatura da Rio 2016, então, por essas razões são ambos equiparados, por disposição legais, a funcionários públicos. - disse o procurador Felipe Bogado

Procurador: equiparação de Nuzman a funcionários públicos "faz toda diferença"


    

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Raí, no centro do Roda Viva !


Hoje, a partir das dez e quinze da noite, na TV Cultura.



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Nosso esporte é reflexo da política

Getty images

Nós, jornalistas, estamos longe de fazer cara de espanto quando ficamos sabendo que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro foi parar atrás das grades. E não vai nisso nada de sobrenatural. Basta casar algumas informações para desconfiar de como as coisas se dão. O esporte a política adotam comportamentos semelhantes, por mais que os políticos tratem o esporte com desdém. Ainda que seja pelo esporte que muitos consigam um lugar no legislativo e afins. Todo mundo sabe que os Ministérios que todos querem são outros. E justamente por não ser forte o de Esportes é a última das moedas de troca. 

Essa falta de atenção é mais um sinal da nossa ignorância.Um país grande como o Brasil poderia, até mais do que os pequenos, obter resultados econômicos interessantes se encarasse o esporte como meio de cuidar da educação e da saúde da população. Alto rendimento viria depois. E se a ele dispensasse outros montantes duvido que não apareceriam homens de bem interessados em tê-lo para seus partidos. Tanto na política quanto no esporte os nomes se perpetuam. A cara de pau é a mesma. Os cargos são passados de pai pra filho. Tanto em um  como no outro os donos do poder cansam de dizer que estão ali porque descobriram em si a vocação para servir. 

E o pior é que tanto na política quanto no esporte estamos num deserto de homens. Embora dada a pobreza do nosso quadro político o esporte ainda possa se arvorar de levar ligeira vantagem, graças a nomes como Ana Moser, Raí. Mas é possível notar neles certo receio. E é compreensível que seja assim pois têm um nome e uma carreira limpa a zelar. E a CBF que está na moita - e lá permanece graças a falta de ação das autoridades competentes - é parte integrante desse quadro. Com a diferença de não ter tido um presidente na época capaz de ir até o fim acumulando o posto de presidente do Comitê Organizador, como fez Carlos Nuzman com a Rio 2016. 

Dois anos antes da Copa Ricardo Teixeira saiu de cena. O Acumulo no caso de Nuzman foi apontado pelo Tribunal de Contas da União como conflito de interesses, já que havia um contrato de cento e setenta milhões entre as entidades comandadas pelo mesmo dirigente. E no ano passado o COB recebeu da Lei Agnelo/Piva cerca de duzentos milhões de reais. Dinheiro público que certamente ajudou Nuzman a se manter no poder. Na minha opinião o que o Brasil precisa, além de uma faxina retumbante, é encarar o esporte como um meio de educar e cuidar da saúde. O único caminho sério e justo para um país subdesenvolvido como o nosso. Desse modo, acredito, os campeões acabariam aparecendo. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A seleção. Quem diria , hein!?

 O prezado leitor tem boa memória. É provável que concorde comigo. Há pouco mais de um ano falar em seleção brasileira era algo que testava nossa paciência. Não bastasse a ausência de maus resultados pesavam sobre a mais coroada seleção do planeta as evidências de um gigantesco esquema alimentado por propinas, um quase rodízio nos nomes chamados para comandar o time e certa descrença com relação ao talento dos nossos atletas. Diante desse quadro desolador Tite era, de longe, o único profissional capaz de trazer alguma esperança. Para sorte do futebol brasileiro e, principalmente dos que mandam nele, aceitou a missão. 

Era uma quinta-feira, como hoje, quando Tite debutou nas Eliminatórias tendo diante de si a possibilidade da glória ou da vergonha. Mais do que o placar - que apontou três a zero para o Brasil diante do Equador - foram os gols marcados pelo jovem Gabriel Jesus os sinais mais claros de que poderíamos, sim, dar de cara com alguma luz. O resto da história todo mundo conhece. Tite acumulou vitória atrás de vitória. Não tardou a colocar o Brasil na ponta da tabela, nem a fazer dele o primeiro a garantir vaga na Copa que se aproxima. Até empatar com a Colômbia na última rodada só venceu nessas Eliminatórias. 

Mas ouso dizer que o grande feito dele até aqui foi ter praticamente anulado o mau humor da torcida e ter provado por A mais B que em matéria de talento continuamos bem servidos. A trajetória desenhada por Tite e seus comandados permitirá ao torcedor brasileiro no dia de hoje acompanhar a penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas de uma posição privilegiada. O circo está pegando fogo. Mesmo em Uruguai e Colômbia, segundo e terceiro colocados, resvala certa tensão. 

O Peru, que vem logo depois, defenderá uma sequência de três vitórias iniciada honrosamente diante do vice-líder Uruguai. E será contra a Argentina, que com toda sua tradição, neste momento, na condição de quinta colocada, iria pra repescagem. Argentina que vem de um vergonhoso empate contra a lanterna Venezuela em pleno Monumental de Nuñez. E como de inocente não tem nada levou o jogo de hoje à noite contra o Peru para La Bombonera. Quem acompanhou a história recente do futebol argentino, com direito a intervenção na AFA e tudo, sabe que esse calvário talvez não tenha se dado à toa. E, além disso, por mais que os treinadores de lá gozem de prestígio maior do que os daqui nenhum deles até agora foi capaz de fazer o papel de Tite.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Um craque simplão



Sei que você já deve ter ouvido alguma piadinha pintar na área quando alguém na roda enaltece o que tempos atrás se convencionou chamar de a "nova geração belga". Os caras, que começaram a despontar no cenário futebolístico no início desta década, realmente não conquistaram um título sequer. Mas esse vazio não  foi problema pro mercado da bola que - como sempre - soube muito bem capitalizar em cima da fama . Pra se ter uma ideia um site especializado apontou que os convocados pela Bélgica em março deste ano formavam uma seleção mais cara até do que a comandada por Tite. É mole? O placar apontava, no mês de março, quinhentos e dez milhões de euros pra eles e quatrocentos e cinquenta e um milhões para a seleção brasileira. Mas o bacana dessa história é saber que um dos sujeitos mais valorizados dessa turma, Kevin De Brunye, segue sendo um cara simplão. 

O garoto vem jogando o fino depois de alguns anos atrás no Chelsea ter sido esnobado pelo técnico José Mourinho, que chegou a se irritar em uma coletiva de imprensa com os questionamentos a respeito da não utilização do belga que tinha à disposição. Se Mourinho fez cara feia, Guardiola, seu técnico atualmente no Manchester City, há tempos enche a bola do rapaz. Chegou a dizer que se trata de um dos melhores jogadores que ele viu na vida. Muito boleiro por aí só de ouvir isso ficaria deslumbrado, nem precisaria da fortuna. E pelo que andei lendo por  De Brunye bem que poderia elaborar uma cartilha para ajudar a boleirada a não cair nas armadilhas que costumam vitimar os elegidos pelo futebol gourmet. 

O belga nunca assina um contrato pensando em dinheiro. O pai, por hora, é quem cuida das finanças pra ele. Quase tudo é investido, só dez por cento do que ganha vai parar nas mãos do rapaz. Comprou o primeiro carro aos vinte e quatro anos. E não escolheu nada de impressionar. Questionado pelo empresário respondeu dizendo que se quisesse uma Lamborghini pediria a dele emprestada. Não pensem por isso que De Bruyne não gosta de aproveitar a vida. Nada disso. Quem o acompanha nas redes sociais vira e mexe dá de cara com ele num destino com ares de paraíso. Vendo o que se vê por aí chega a ser difícil acreditar num astro com um perfil desse. De Bruyne chegou ao City como a maior transação da história do clube e do futebol belga. Sei que dizer que alguém nunca assina um contrato pensando no dinheiro beira a ficção, mas se metade do que andam dizendo do De Bruyne por é verdade ouso dizer que o valor dele pro tosco mundo futebol é inestimável. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Uma Copa pra esquecer?


Há uma verdade implícita no futebol que costuma jogar a favor da cartolagem: o resultado. Isso mesmo, o resultado. Detalhe que os mais críticos costumam dizer que certos comentaristas usam como álibi. Mas o resultado pode ser mais perverso do que isso, embora no fim das contas seja absolutamente inocente. A verdade é que quando um clube triunfa pode ter cometido os maiores absurdos na gestão, pode estar com a corda no pescoço em matéria de finanças que tudo soa azul. E isso me veio à mente ao ficar sabendo que a FIFA decidiu deixar o Brasil fora do roteiro que o troféu da Copa do Mundo faz pelo planeta.

Serão 50 países de seis continentes. Na América do Sul visitará o Chile, a Argentina e a Colômbia. A justificativa oficial é que o nosso país ficou fora por ter sido a última sede. O que me fez pensar que nem na hora da justificativa a entidade fez algum esforço. Afinal, nesse giro planetário o troféu passará pelos últimos sete países-sede. Motivo bem mais plausível é que a CBF e a FIFA têm patrocinadores rivais. Em outros tempos a influência dos brasileiros sobre a cúpula do futebol dificilmente teria permitido que o Brasil fosse excluído. Mas com as entranhas cada vez mais expostas a Copa do Mundo de 2014 é algo que todos os envolvidos querem tornar cada vez menos evidente e a visita teria efeito contrário. 

Foi a Copa que desfigurou de vez o Maracanã e que embora tenha dado aos corintianos o estádio que eles tanto sonhavam não permitiu aos mais sensatos a possibilidade do orgulho pleno. E nem vamos falar da Arena Pantanal visivelmente frágil desde sempre, do estádio erguido em Brasília que não merecia ter pra si o nome de Garrincha. E é aí que faço a costura com o que afirmei no início pois, pra aumentar o desespero dos que tramaram tudo, a Copa de 2014 não trouxe consigo um resultado que pudesse aplacar esse dissabor. 

Ao contrário, carregaremos pra sempre aquele sete a um, que se interpretado pelo viés dos fatos hoje em dia pode muito bem ser encarado como a cristalização de tudo o que se fez de errado em nome do nosso futebol. Tudo saiu às avessas e naquele fatídico julho de 2014 o futebol, como quem impõe um castigo, não nos deu nada. Nem um resultado que os cartolas pudessem usar como escudo, como fazem desde sempre. É certo que a visita do troféu não mudaria muita coisa, mas a ausência dele parece uma pista de que aquela é uma Copa que alguns preferem esquecer, quando na verdade o que precisamos é passa-la a limpo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O futebol e suas interpretações

Duas narrações ganharam espaço na mídia nos últimos dias. Uma delas feita no jogo em que a Argentina amargou um empate com a Venezuela em pleno Monumental de Nuñez. Nessa o que se ouve é um locutor inconformado com o que testemunha. Até aí pura sintonia com os mais de vinte três mil torcedores que acompanhavam tudo in loco. Mas o que me chamou a atenção foi a quantidade de palavrões que ele precisou usar para expressar o que estava sentindo e que o que se via ali era inconcebível. Fora o fato de uma transmissão recheada de palavrões me soar descabida ( e não digo isso por puritanismo, por favor) achar que o futebol não pode nos pregar certas peças é o fim. Se a tradição do futebol argentino o fizesse imune a esse tipo de mico onde residiria exatamente a graça do futebol ?

A outra narração, menos comentada, foi a do gol de empate da seleção da Síria marcado aos quarenta e oito minutos do segundo tempo e que manteve o time com chances de ir para a Copa da Rússia. Precisará pra isso passar pela Austrália na repescagem. Quem conhece minimamente o que a Síria passou nos últimos seis anos pode ter uma breve ideia do que essa conquista significa. Trata-se de um país dizimado pela guerra, que não fez um jogo em casa por motivos óbvios. Tem jogado suas partidas na Malásia. E com um precioso: é comandada por um técnico sírio, não contratou um estrangeiro com algum currículo. É fato que não entendo a língua dessa narração.  Imagino que  - por motivos culturais até - esteja livre de palavrões ou frases afins. 

Mas é de impressionar o renascimento em campo vai se revelando no tom da voz do locutor. Não era pra menos. A Síria tinha feito um a zero e com o resultado estava garantindo a vaga. Mas o Irã tratou de virar o placar para dois a um. E àquela altura é de se compreender que tudo parecesse perdido. Aí a voz vai se transformando ao dar de cara com o contra ataque que mudaria o destino do time Sírio. O gol se consuma e o narrador vai descrevendo a cena com cada vez mais emoção e quando surge, depois de um tempo considerável vale destacar, não deixa dúvidas de que se trata de um choro que não pôde ser contido. Não há ali um resquício qualquer desse teatro fácil das narrações com o qual nos acostumados. Não tenho nada contra a indignação argentina, ela faz todo sentido. O que não faz sentido é uma narração cheia de palavrões. E não me venham com aquele papo de ter falado o que o povo argentino estava sentindo. Educação é bom, e eu gosto. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A volta do Brasileirão

Acho engraçado como trataram de achar novas maneiras de nominar as coisas que se dão entre as tais quatro linhas. Vejam o caso do Neymar no jogo contra o Equador. Os mais indignados foram logo chamando o rapaz de fominha. E eu nem acho que estavam errado. Mas os que preferiram o vocabulário moderno optaram por acusar o camisa dez de falta de senso coletivo. Mas é só uma lembrança. Vamos ao que interessa porque eu sei que a grande curtição da torcida é o Brasileirão. que estará de volta no final de semana com a corda toda.

O Corinthians continua ditando o tom, agora emprestando à competição um certo ar de tudo ou nada. Mas entre os cinco que ocupam o topo da tabela o Palmeiras será o primeiro a entrar em campo. O time comandado por Cuca irá o Independência encarar o Atlético Mineiro, cujo futebol tratou de exilá-lo do grupo dos favoritos ao título. A sequência do time palmeirense tem o Coritiba em casa e um clássico com o Fluminense fora. Quando esteve em campo pela última vez o Palmeira venceu, mas nas três rodadas anteriores tinha acumulado duas derrotas e um empate. 

O vice-líder Grêmio será o segundo a se apresentar. Depois de amanhã, assim que terminar o jogo do Palmeiras, estará no gramado de São Januário para encarar o Vasco, que tem como último ato no torneio uma vitória sobre o Fluminense que terminou com uma incomoda sequência de cinco jogos sem vitória. No domingo será a vez do líder Corinthians ir à Vila Belmiro encarar o Santos, terceiro colocado. Jogo daqueles que pode ser visto como a vedete da rodada. Nem tanto pelo futebol que os dois times estão jogando mas por tudo que encerra. O líder Corinthians ao perder em casa do lanterna Atlético Goianiense deixou seus fiéis torcedores em estado de alerta e torcendo pra que o pior já tenha passado. 

Já o Santos, verdade seja dita, pode se orgulhar mais da posição que ocupa do que do que tem jogado. A longa sequência de empates que vem desenhando o deixa meio parecido com o Corinthians, afinal, alvinegros praianos e corintianos a essa altura se perguntam: o que será que os últimos jogos querem dizer? Vale lembrar que o Corinthians, depois do Santos, receberá o Vasco em Itaquera e depois irá ao Morumbi medir força com o São Paulo. Desafiadora sequência. O último dos cinco primeiros a jogar será o Flamengo, que no domingo às sete da noite irá ao Engenhão enfrentar o Botafogo. E se um quinto lugar está longe de contentar os rubro-negros ao menos lhes dá o direito de sonhar com o lugar onde no momento está o Santos.  Ainda que pra isso tenham de torcer, também, contra o Palmeiras. A ver. A volta do Brasileirão promete.         

terça-feira, 5 de setembro de 2017

De Luigi Pirandelo







"Tem ideia de quanto mal nos fazemos por essa maldita necessidade de falar?"

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Visitando o passado


O telefone chama. A ligação tem um quê de sentimental antes de ser puramente jornalística. No quarto toque alguém atende. Digo que gostaria de falar com o Sr Romualdo Arpi Filho. O homem do outro lado da linha diz que posso continuar, se trata dele mesmo. Procuro um discurso coerente para o convite. Exponho minha intenção mas o homem se esquiva com a habilidade de um boxeador. Diz, categórico,  que seu tempo passou, que a arbitragem mudou. Tento outro argumento como quem aposta em um drible. Afirmo que não precisamos nem falar exatamente sobre isso. As imagens das finais de Campeonato Brasileiro que apitou estão bem guardadas nos arquivos e que bastaria ter a visão dele sobre os grandes momentos que viveu exercendo a profissão e já daríamos sentido à gravação pretendida. 

Sou obrigado a acreditar no que ouço, na legitimidade da recusa. Estou ciente de que o personagem em questão não tem sido visto por aí. Então, decido me despir da figura de jornalista. Abro o jogo. Digo que no fundo o convite tem também um quê de acerto de contas com o passado. O meu passado. Conto que fui criado ali em frente a imobiliária que ele tinha em São Vicente. Sem tempo pra muitos detalhes deixo de dizer que guardo na memória um dia em especial. Zé Carlos, um moreno de pernas tortas, dono de uma ginga infernal,  tinha passado a semana dizendo que o Romualdo tinha prometido uma bola pra garotada. Zé Carlos, como interlocutor com o juiz famoso seria, claro, o fiel depositário do presente. E não é que numa segunda-feira o Zé tratou de sair tocando campainhas , convocando a molecada pra pelada porque o Romualdo tinha cumprido a promessa? 

Trazia debaixo do braço direito uma bola oficial, linda, novinha. E não era só isso ! Segundo tinha dito o Romualdo, era a bola do grande clássico travado no final de semana. Um Palmeiras e São Paulo, como esse jogado no último domingo. Aquilo enlouqueceu a garotada. Foi o doping perfeito pro nosso imaginário quase infantil. A bola rolou no terrão da Quintino Bocaiuva nos fazendo esquecer das pedras no caminho que levava ao gol. Bom, Romualdo declinou do convite. Atencioso me consolou prometendo quem sabe, no futuro, topar. Mas resistir ao encanto que se esconde na possibilidade de revisitar o passado não é pra qualquer um, reconheço. O primeiro árbitro brasileiro a apitar uma final de Copa do Mundo anda por aí tentando nos convencer de que a regra é clara, e essa recusa me deixou aqui imaginando o que diria a respeito de tudo o que temos visto o velho Romualdo, que foi o segundo. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Os incomodados que mudem

Foto: Daniel Mundim
Esta semana começou com alguns dos maiores técnicos de futebol do nosso país reunidos no Rio. Era gente de reconhecida trajetória. Fizeram questão de dizer que tudo já estava acertado antes da chegada de Reinaldo Rueda ao comando do Flamengo. Mas não dá pra negar que o desembarque do colombiano causou incomodo. E nem precisaríamos pra isso ter ouvido as palavras de Jair Ventura, que se apressou em dizer que foi mal interpretado. Jovem, à frente de uma campanha simplesmente sensacional com o Botafogo e dono de um discurso moderno sobre o jogo, não precisaria ter questionado o espaço que é - ou não é dado - aos estrangeiros. Simplesmente porque espaço, normalmente, não é algo que se dá e sim algo que se conquista. 

Mas se há uma questão que considero primordial é a luta para que os cursos de treinadores da CBF sejam reconhecidos no exterior. Em qualquer ofício conquistar um mercado como o europeu jamais será tarefa simples e exigirá muito mais do que dominar uma língua estrangeira. Ao ter esse tipo de habilitação aceita os técnicos brasileiros terão vencido parte da burocracia que, além de tudo, costuma ser uma maneira velada de garantir certas reservas de mercado. Mas para ser justo nesse sentido os cursos dados por outras entidades ligadas à Conmebol também precisam ter validade para a CBF. 

Que essa união sirva de exemplo para os nossos jogadores que algumas temporadas atrás viram o limite no número de estrangeiros nos times brasileiros passar de três para cinco por time sem que, ao menos, alguém lhes tivesse consultado a respeito ou esclarecido o motivo da decisão. O velho manda quem pode e obedece quem tem juízo é que valeu. Faço esse paralelo porque acredito que muito do que serve para os técnicos deveria ser aplicado de alguma forma aos atletas também, como exigir que a situação deles só seja dada como regularizada depois que todas as dívidas com os mesmos forem quitadas. No caso dos jogadores talvez fosse o caso de, apenas depois disso, permitir que outro atleta seja inscrito no lugar daquele que saiu. 

Não deixo de considerar que toda profissão tem suas peculiaridades e imagino que muitas delas fujam da nossa compreensão por mais que a proximidade cotidiana nos dê a impressão de entender a realidade vivida por estes profissionais. Outra coisa que me chamou a atenção no encontro é ter visto em uma das meses gente como Paulo Roberto Falcão e Zico, o que me fez lembrar que o primeiro nunca escondeu que há tempos largou tudo o que fazia porque tinha como objetivo maior se dedicar ao trabalho como treinador e, ainda assim, até hoje não ter conquistado um lugar nesse mercado. E o segundo porque sempre deixou claro que só topa encarar a bronca se for no exterior, diz ele que a fidelidade ao Flamengo não o permite trabalhar por aqui. Não duvido do tamanho da fidelidade do Galinho, duvido é do poder de sedução do nosso futebol. Ou seja, alguma coisa precisa mesmo mudar.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Brasileirão já tem dono?

Ale Frata/Folha press

Não me entendam mal. Não se trata de papo de secador. Mas pode acontecer de tudo neste Brasileirão, menos o Corinthians deixar escapar o título. Seria um mico monumental. Andei provocando o assunto por aí, assim como quem não quer nada, e o que senti foi que uma considerável maioria acredita piamente que não tem pra ninguém, que os fiéis corintianos - discretamente, por favor - podem ir pensando na festa. Entendo perfeitamente a avaliação, mas depois de tudo que já vi o futebol aprontar prefiro dizer que mais arrazoado é ficar na miúda. 

Tudo quanto é motivo já foi apontado como ameaça ao Corinthians e o escrete de Fábio Carille nem arranhão sofreu. E se o time conseguiu seguir impávido mesmo na ausência de Jadson, fica difícil crer que uns dias de descanso poderiam se transformar em ameaça real a esse semi-reinado alvinegro. O jogo contra o Vitória no próximo sábado, em Itaquera, marcará a volta a campo do time que anda dando nó na cabeça de muita gente. Haja dialética pra elucidar as façanhas dessa equipe que tem encarnado como poucas a capacidade que o jogo de bola tem de desafiar conceitos.

No meu modesto modo de ver as coisas não é o aproveitamento quixotesco, nem o surreal número de faltas cometidas a marca registrada desse time. É na lucidez e na capacidade do treinador de manter os pés no chão - os dele e os de quem ele comanda - que mora o segredo do sucesso. Na última coletiva antes do descanso, Carille foi informado de que o time dele apesar de estar distante de ser o time que mais fica com a bola no campeonato era, ao mesmo tempo, o que ostentava o maior número de passes certos. Um deslumbrado certamente não teria resistido e teria tentado explicar a razão de ter alcançado a proeza. 

Mas o que fez Carille? Confessou ao interlocutor que os números apresentados eram uma surpresa pra ele e que não tinha ali uma explicação, mas que aquilo o intrigava também e que, nos dias que teria sem jogos pela frente, tentaria estudar o que o Corinthians andou fazendo pra, quem sabe, elucidar a razão que tem levado o time a ostentar mais esse feito. Sensacional ou não? Torço pra que hora dessas algum repórter lembre disso e lhe questione a respeito. Tenha ele o encontrado o motivo ou não. Os que tratam o futebol com o devido respeito não se sentiriam desapontados se a resposta depois de uma investigação fosse um sincero: não sei como explicar. Se tem uma coisa que o futebol adora driblar é a razão. E o Corinthians de agora é prova viva disso. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Quando um drible traz a alegria de um gol


Veja o link abaixo. O elástico do garoto do Feynoord não é coisa assim " do outro mundo"
embora aplicado com maestria. O legal é ver a alegria do companheiro que o ajuda a se levantar
do gramado ( e a dele mesmo). Porque depois do lance, claro, deram um jeito de parar o rapaz.

Elástico do juvenil do Feynooord

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A magia da camisa 10

Christian Hartmann?Reuters

As gordas cifras da transação que tirou Neymar do Barcelona podem, de certa forma, representar o apogeu do que os mais ácidos têm chamado de futebol-gourmet. É bem provável que tenha sido. Mas eis que sou surpreendido pelo entusiasmo de um colega de redação que viu naquele " mis en scene" todo um detalhe do futebol de raiz. No começo considerei o entusiasmo exagerado. Mas não era. Ele falava da devoção à camisa 10, que mesmo que tenha sido por vias tortas deu as caras na festa armada no Parque dos Príncipes, em Paris. Permanece viva! 

Incrível que vá sobrevivendo a uma época em que, para se ter um apelo mercadológico e diante da limitação que se impõe de se poder ter apenas um dez em cada time, jogadores de todo o mundo trataram de abraçar os mais variados números. Mais justo seria até alguns times não terem direito a ela. Talvez nem fosse exagero implantar um exame fundamentado em técnica e elegância pra que um jogador obtivesse esse direito. Isso mesmo, penso que de tão grande a camisa dez só deveria ser dada a alguém por puro merecimento. 

Neymar chegou ao PSG e tomou pra si a 10. Vejam só, tanta gente andou dizendo que ele se foi porque no Barcelona não tinha o protagonismo, porque fulano lhe fazia sombra. Pode ser tudo especulação, mas a 10 é algo que no Barcelona, sem dúvida, Neymar não teria direito. A menos que esperasse a vez. Isso por mais gente fina que Messi seja. Fiquei, então, imaginando o que não passou na cabeça do argentino Pastore, que até então envergava a tal camisa no PSG e depois de cede-la foi visto no último sábado jogando com a vinte e sete. 

Não li nada sobre, mas estou certo de que o número não foi escolhido à toa. Como já disse, hoje toda camisa necessita ter um significado atrelado ao número. Sem isso perde-se um apelo de marketing. Bom, o futebol pode gourmetizar, pode se transformar seja lá como for, mas jamais enxergaremos a camisa 10 como uma qualquer. Eu pelo menos estou convencido de que jamais conseguirei. 

Provavelmente pelo fato de ter escrito alguns anos atrás com o amigo jornalista André Ribeiro um livro sobre o tema. O que com certeza me deixou mais sensível ao discurso do amigo aqui da redação que viu na exigência da 10 a sobrevida do futebol com uma dose de romantismo. Sim, foi Pelé que a fez diferente de todas as outras. E pode parecer incrível mas foi levado a ela por inúmeras coincidências. Talvez a predileção, a exigência, fosse, em última instância, do deus do futebol. Se Neymar queria um desafio, está posto: honrar com todas as letras a camisa 10. Futebol pra executar a tarefa o rapaz tem de sobra. Passaria no teste.  
 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Fernando Diniz: um olhar nobre sobre o " jogo de bola"

Pensando o futebol !

video

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Santos, a Vila, o Pacaembu

Conheço torcedores de tudo quanto é tipo, de tudo quanto é time, mas não conheço um que não tenha se rendido ao charme do Pacaembu. De onde concluo que não se trata de sedução histórica porque não nos faltam estádios dignos de duelar com o distinto Paulo Machado de Carvalho. Ainda que a última Copa tenha roubado a alma de boa parte deles. O Pacaembu nos últimos tempos parece aquela moça que deixou passar demais o tempo e agora semeia entre a família a preocupação de arrumá-la um par. E o Santos há tempos é tido como pretendente. 

Ocorre que o time santista se portou como alguém mais inclinado à solteirice e os responsáveis pelo estádio decidiram buscar um par no exterior. Todo cuidado com o tema é pouco, de outro modo é a Vila Belmiro que pode acabar em situação similar a do Pacaembu. Não ignoro seu apelo monetário. Mas pensar só no dinheiro joga contra a razão de ser de um time de futebol. Hoje falta sensibilidade até para perceber quais são os jogos que devem ser jogados em casa e quais não. E, como ouvi outro dia, essa é uma estratégia que bem feita teria a capacidade de engrandecer as partidas disputadas na Vila. Há quem diga que quando os atletas deixam no ar a preferência por atuar ali estão levando em consideração o fato de não precisarem se deslocar e tal. Mas não quero crer que uma viagem de menos de cem quilômetros, quando se faz outras tão mais longas, seria razão. Acredito na mística da Vila. 

Fato é que o destino do Pacaembu voltou a ser notícia agora que foi aprovada em primeira votação a sua concessão. O que o coloca, a meu ver, mais perto do destino reservado a boa parte dos nossos grandes estádios. Um tombamento nunca os livrou da descaracterização. Na dúvida, olhe uma foto do Maracanã atual. Torço muito pra que seja dado ao Pacaembu um futuro tão nobre quanto seu passado. O que não é fácil. Entendo os entusiastas dos jogos em São Paulo, por razões já ditas. Mas os números que mostram um Santos tão imbatível lá quanto na Vila são contestáveis. Quem sabe até os que não concordam comigo possam ter visto alguma diferença no jogo contra o Flamengo jogado na Vila e este de ontem que se deu por lá. E não tô falando da bilheteria, claro.              

terça-feira, 25 de julho de 2017

Um mito no gol

Foto: Rubens Chiri

O goleiro parece ocupar no futebol a mais singular das posições. A meta traz embutida no desafio de defende-la algo de único, que não está apenas no fato de quem aceita tal condição poder, ao contrário de todos os outros que estão ali, usar as mãos. E como se não bastasse o nível de regularidade absurdo que costuma se exigir deles o tempo ainda tratou de tornar a missão ainda mais desafiadora, porque como se sabe foi-se o tempo em que se exigia dos arqueiros habilidade apenas pra jogar com as mãos. E reza a lenda  que o gol costuma ser o destino dos que não têm talento suficiente para tratar a bola com os pés. Não era o caso de Waldir Peres, mítico goleiro do São Paulo, falecido no último domingo. 

Para os mais jovens a melhor maneira de explicar de quem se tratava é recorrer à definição dada pelo amigo e jornalista Celso Unzelte: Waldir Peres foi o Rogério Ceni da época dele. E se não fosse o Rogério até hoje seria o jogador que mais vezes vestiu a camisa do tricolor paulista. Foi com Waldir Peres misturando sua técnica apurada com uma dose generosa de malandragem que o São Paulo conquistou o Campeonato Brasileiro de 1977. E isso quando o time do Morumbi não tinha em sua galeria nenhum título de âmbito nacional. Nem Robertão, nem Rio-São Paulo, nada. Aos interessados em maiores detalhes sugiro recorrer à internet. Irão dar de cara com um retrato fiel do futebol brasileiro praticado nos anos 70. 

Waldir Peres esteve em três Copas do Mundo. Na de 1982 não foi perfeito no jogo de estreia, mas seguro e maduro que estava não deixou que um erro - insistentemente lembrado até hoje  - compromete-se seu futebol. Carrego comigo a impressão de que ele trazia nos olhos o desconforto dos homens que se sabem, de certa forma, injustiçados. E não seria sem razão. Para um goleiro de tamanha envergadura aquele detalhe do jogo contra a União Soviética merecia ter sido relevado, mesmo por aqueles que não o consideravam o melhor. 

No nosso último encontro recordo que lhe perguntaram porque sorria depois de levar um gol. E Waldir respondeu que não faria sentido chorar. O que me faz levar em conta que, talvez, o desconforto que citei aqui não passe de um engano. E não pense vocês também que ele acabou no gol por outra razão que não fosse talento. Digo isso, porque naquele dia, Rivellino, abusando da intimidade, depois de dizer que o Babão era terrível, um grande goleiro, afirmou que no dois toques Waldir era gênio, tinha facilidade pra jogar na linha. E eu, de minha parte, se escrevo estas linhas é porque quando era moleque adorava jogar no gol. E quando calhava de fazer uma grande defesa não perdia a chance de gritar bem alto: Waldir Peres!   

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O enredo do Brasileirão


A arrancada do Corinthians nas primeiras rodadas do Brasileirão deixou no ar a possibilidade de o campeonato perder a graça. Não há dúvidas de que um desfecho relâmpago na corrida pelo título esfriaria tudo. Mas prefiro pensar, por hora, que apressado se faz tirar qualquer conclusão do que temos visto. Esse início maluco, desconfio, é apenas o futebol zombando - mais uma vez - da nossa pretensa e equivocada capacidade de prever o que ele nos reserva. Os corintianos nunca estiveram tão orgulhosos de serem tidos tempos atrás como a "quarta força". 

Por outro lado temos nisso um começo de Brasileirão surpreendente. E pra mim é essa uma das virtudes mais nobres desse jogo de bola. Assim, de repente, o Corinthians se revelou o time a ser batido. Um time com a fina capacidade de tirar máximo proveito do conjunto, um time comandado por um treinador que está longe de ser tido estrela. E esses detalhes devem ser levados em conta diante da realidade que temos vivido. Tenho a nítida sensação que a matemática, que tem tornado clara a diferença que separa o Corinthians dos outros, fará também multiplicar a pressão a cada nova rodada. Isso sem falar na secação dos adversários que a esta hora já anda elevada à décima potência. 


Por falar na nobre arte de secar vale aqui fazer alguma reflexão sobre a realidade vivida pelo time do São Paulo. De alguma forma parece existir aí uma prova do quanto os interessados em futebol resistem em concebê-lo como um jogo de alma impiedosa e imprevisível. Nesse sentido, desde que virar a mesa não se fez mais possível, temos visto de tudo. Times que tinham elenco pra não cair, mas caíram. Times que pareciam que jamais iriam cair, mas caíram. E ainda assim sinto pairar no ar certo desdém com relação a essa possibilidade quando se fala do São Paulo. Sou capaz de entender onde se amparam as opiniões, mas acho prudente levar a possibilidade em conta, até para que as atitudes para tirar o time desse limbo em que se encontra sejam mais contundentes. É isso que o momento pede. 

O passado dos pontos corridos tem deixado claro que o calvário do descenso, via de regra, não tem se dado somente pela falta de um time competitivo mas principalmente por uma combinação de fatores que juntos levam ao abismo da degola. E fatores pra formar este caldo não faltam à história recente do time do Morumbi. Corinthians e São Paulo, cuja rivalidade nos últimos anos foi às alturas, provam neste momento que o Brasileirão que andamos testemunhando pode não ser uma maravilha mas tá longe de ter até aqui um enredo banal.                    

terça-feira, 18 de julho de 2017

Brasil ...o país dos impunes!


Na Espanha, Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona está na cadeia. E o presidente da Federação Espanhola, Angel Maria Villar, foi preso na manhã de hoje. A história dele não soaria estranha aos nossos ouvidos. Em maio foi reeleito pela oitava vez, sem ter tido de lidar com oposição alguma.
Villar foi acusado dos crimes de administração desleal, apropriação indébita, corrupção, falsificação de documentos, entre outros, todos relacionados à organização de partidas internacionais.


Enquanto isso, no Brasil...


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Futebol: uma perspectiva histórica














Traçar um panorama histórico do futebol é algo ambicioso. Mas vou correr o risco, assim driblo também a indignação de ter visto tudo que aconteceu no clássico entre Vasco e Flamengo. A teoria que alimento está baseada em sintomas à primeira vista simples, como o desencanto cada vez mais  perceptível nos papos sobre o jogo de bola. Os mais velhos talvez digam que esse ranço sempre existiu. Mas aí eu volto no tempo e recordo o papel que o futebol teve na minha formação, recordo o lugar que o jogo ocupava no coração da meninada. Os da minha geração tiveram o jogo de bola como um grande catalisador, como algo que nos dava uma certa unidade. 

Certamente não foi por acaso que em determinado momento no nosso país verdadeiras multidões tenham tomado o rumo dos estádios que vira e mexe eram vistos pulsando ao ritmo de mais de cem mil corações. Hoje em dia se disseca o futebol, mas nada como mirá-lo sob a perspectiva do tempo para entender o que estamos passando. Visto pelo viés histórico o futebol em nós é um sopro. Com esse jeitão supostamente organizado teria pouco mais de cento e vinte anos. E se levarmos em conta a origem nobre - o que o impedia de ser de todos - e que demorou mais de duas décadas para que pudesse ser praticado por negros e se espalhasse pelas várzeas essa trajetória se encurta ainda mais.

Por essas e outras acredito que o que estamos vivendo hoje em dia é uma espécie de ocaso do futebol como grande expressão de nossa cultura. E não me espanta que seja assim tendo em vista como foi e é tratado ao longo do tempo. O apogeu possivelmente tenha se dado nos anos 70 o que explicaria o surgimento de uma seleção como a que tivemos na primeira Copa do México. O que explica também a insatisfação geral dos que são da geração que antecedeu a minha. Quem viu o futebol em todo o seu esplendor não tem como se contentar com o que está aí. Isso me parece claro. De lá pra cá o corpo lúdico do futebol foi tomado pelo futebol de resultado, pelas Arenas e pelos programas de sócios-torcedores com suas vocações elitistas, aterrorizado pelas torcidas organizadas, cuja violência é fenômeno nascido nos anos 90. 

Não acho por isso que o futebol vai acabar. Seguirá movimentando cifras cada vez  maiores, produzindo celebridades, nos divertindo na medida do possível. Mas jamais voltará a ser o que foi, até porque nosso país e os homens também já não são como foram um dia.  

terça-feira, 11 de julho de 2017

O futebol... esse nosso espelho


"Em 2014 e 2015, apenas 3% de todos os crimes cometidos no futebol, dentro e fora dos estádios, foram levados até as últimas consequências. No mesmo período, apenas 5% dos crimes em geral foram punidos até as últimas consequências. No trânsito, apenas 8% dos delitos foram levados até as últimas consequências. E nas lutas históricas, seculares, da posse da terra entre lavradores e latifundiários, somente 3% dos crimes foram apurados até o fim. Falamos do futebol, mas na realidade estamos falando da impunidade brasileira"


As palavras são do sociólogo, Mauricio Murad, que estuda a violência no futebol há 26 anos.

Uma... de um craque !

Nascer no Cairo, ser fêmea de cupim – 

Crônica de Rubem Braga


Conhece o vocábulo escardinchar? Qual o feminino de cupim? Qual o antônimo de póstumo? Como se chama o natural do Cairo?
O leitor que responder “não sei” a todas estas perguntas não passará provavelmente em nenhuma prova de Português de nenhum concurso oficial. Alias, se isso pode servir de algum consolo à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto cronista, seu semelhante e seu irmão.
Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu caro professor de Português, que eu não deveria confessar isso; que é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer o meu instrumento de trabalho, que é a língua.
Concordo. Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, apontando erros de Português. Um deles chegou a me passar um telegrama, felicitando-me porque não encontrara, na minha crônica daquele dia, um só erro de Português; acrescentava que eu produzira uma “página de bom vernáculo, exemplar”. Tive vontade de responder: “Mera coincidência” — mas não o fiz para não entristecer o homem.
Espero que uma velhice tranqüila – no hospital ou na cadeia, com seus longos ócios — me permita um dia estudar com toda calma a nossa língua, e me penitenciar dos abusos que tenho praticado contra a sua pulcritude. (Sabem qual o superlativo de pulcro? Isto eu sei por acaso: pulquérrimo! Mas não é desanimador saber uma coisa dessas? Que me aconteceria se eu dissesse a uma bela dama: a senhora é pulquérrima? Eu poderia me queixar se o seu marido me descesse a mão?).
Alguém já me escreveu também — que eu sou um escoteiro ao contrário. “Cada dia você parece que tem de praticar a sua má ação — contra a língua”. Mas acho que isso é exagero.
Como também é exagero saber o que quer dizer escardinchar. Já estou mais perto dos cinqüenta que dos quarenta; vivo de meu trabalho quase sempre honrado, gozo de boa saúde e estou até gordo demais, pensando em meter um regime no organismo — e nunca soube o que fosse escardinchar. Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado ninguém; se o fiz, mereço desculpas, pois nunca tive essa intenção.
Vários problemas e algumas mulheres já me tiraram o sono, mas não o feminino de cupim. Morrerei sem saber isso. E o pior é que não quero saber; nego-me terminantemente a saber, e, se o senhor é um desses cavalheiros que sabem qual é o feminino de cupim, tenha a bondade de não me cumprimentar.
Por que exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua portuguesa unia série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma pessoa conta para “pegar” as outras? O habitante do Cairo pode ser cairense, cairei, caireta, cairota ou cairiri — e a única utilidade de saber qual a palavra certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas. Vocês não acham que nossos funcionários públicos já gastam uma parte excessiva do expediente matando palavras cruzadas da “Última Hora” ou lendo o horóscopo e as histórias em quadrinhos de “O Globo?”.
No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as pessoas se entendam, ruas um instrumento de suplício e de opressão que ele, gramático, aplica sobre nós, os ignaros.
Mas a mim é que não me escardincham assim, sem mais nem menos: não sou fêmea de cupim nem antônimo do póstumo nenhum; e sou cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente — de Cachoeiro de Itapemirim!
Rio, novembro, 1951
Texto extraído do livro “Ai de Ti, Copacabana”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 197.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

1982. A Copa que me pegou em cheio


No dia 05 de julho lá no prédio de três andares em que morávamos as brincadeiras, todas elas, cessaram mais ou menos meia hora antes do jogo entre Brasil e Itália.  A molecada andava numa alegria só.  O feitiço do futebol há tempos havia nos tomado. Mas até ali se materializava, ao menos pra mim, mais nas plásticas defesas do goleiro Manga, no astral dos "Meninos da Vila", no Flamengo do Zico. A Copa de 78 tinha ficado para trás e nossas cabeças frescas não tinham como entender tudo o que ela viria a significar, tudo que ela escondia. A de 82, não! Tinha ares de sonho. Uma espécie de ponte que nos dava a chance de flertar com o motivo que tinha levado a geração dos nossos pais, tios, a afins a falar das seleções anteriores, em especial a de 70, como quem conta uma história de realismo fantástico.

Um tempo em que eu jamais poderia imaginar que um dia a vida me daria a chance de tomar umas e outras com o Dr Sócrates. Eta vida louca! Que falta você faz nesse mundão maltratado, meu velho. E foi bem nessa época que alguém me disse que a melhor imagem daquela derrota tinha sido imaginada pelo escritor Joca Terron. Ele afirmava que começou a assistir ao jogo menino e quando a partida terminou era um homem de barba, maduro. Acho que foi o Xico Sá que contou essa. Quando ouvi achei perfeito, porque lembro bem que, ainda que tenha demorado um pouco, terminada a partida, consumada tão retumbante derrota, voltamos todos às brincadeiras. Mas havia no ar uma sensação que deixava tudo meio turvo e que eu não sabia interpretar. A vida se encarregaria de me mostrar que aquilo era o que se sente toda vez que a vida nos rouba uma alegria ou te tira alguma coisa que você quer muito.

Por falar em imagem. A que ficou mais forte em minha memória, e hoje eu sei que na de muita gente, foi a de Paulo Roberto Falcão, depois de marcar o gol de empate no segundo tempo. Empate que teria permitido a sequência daquele sonho, fosse qual fosse o fim. É a imagem que está aí em cima em plano aberto. Mas na transmissão, lembro bem, era um super close que dava às veias estufadas de Falcão o poder do mais absurdo dos gritos. E o cinegrafista, que gostaria muito de ter como creditar, respeitoso e imbuído por aquela emoção toda foi acompanhando a corrida dele histérica pelo gramado, cravando o momento pra sempre nas nossas cabebças. O Dr Sócrates, vira e mexe, insistia na tese de que a derrota, no final das contas, fez de alguma forma aquela seleção maior. Não é teoria fácil de aceitar, mas o Magrão tampouco era homem de se chegar a teorias simples. É possível. A única certeza que tenho é que eu tinha quinze anos e que aquela Copa me pegou em cheio, como nenhuma outra até hoje foi capaz de fazer. Ê Doutor ! Olha eu aqui na tua onda... desdenhando dos títulos.             

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Rogério Ceni: o preço da aposta

Rubens Chiri/São Paulo

Por mais que a imprensa, às vezes, possa se equivocar a respeito de alguns assuntos sou levado a crer que ela foi muito bem ao interpretar o que significava a chegada de Rogério Ceni ao comando do time do São Paulo. Exageros de avaliação à parte o que se ouviu foi um coro afirmando que aceitar a missão assim de primeira, sem ter passado algum tempo trabalhando em categorias menores não era o ideal. Aliás, está aí também a prova de que a trajetória dele como jogador desde o início lhe propiciou um respaldo sem igual. Poucos são os que se veriam nessa condição sem receber como resposta um imenso descrédito. Mas tendo visto o que Rogério foi capaz de fazer como goleiro mais sensato foi não duvidar. 

De sua chegada ao comando até ontem Rogério encontrou todo o respaldo que imaginava que teria. E protegido por esse respaldo conseguiu a façanha de emendar uma sequência de eliminações que talvez não deixasse em pé nem mesmo treinadores com uma Copa do Mundo no currículo. Do time com jeitão promissor que levou à campo no início do ano já não havia nem sinal. Rogério pode até dizer que não esperava viver tudo o que viveu, mas a probabilidade de tudo se dar como se deu era grande, e se ele não percebeu não foi por falta de aviso. Rogério tinha dito outro dia, categoricamente, que não desistiria do trabalho que empreendia. Um tipo de declaração que soaria mais valente se dada com o campeonato terminando. 


O futebol proposto por ele não vingou, mas foram nas declarações dadas pelo agora ex-treinador depois de cada revés que o descaminho se fez evidente. Quanto mais a situação complicava mais seu discurso parecia se apartar da realidade. E não podia existir sintoma pior. Rogério Ceni em sua passagem pelo comando do time tricolor criou uma espécie de elegia das derrotas. Ainda tenha sido com a boa intenção de enaltecer o que por ventura estivesse dando certo. Mas a estratégia acabou dando um motivo a mais para a torcida repensar o apoio ao eterno ídolo. 

Na derrota para o Flamengo a situação atingiu o ápice. Dizer que o árbitro tinha inventado uma falta, que a barreira do time dele estava a dez metros da bola, e ver todos esses argumentos caírem por terra quando à noite os programas de esporte colocaram em campo os recursos da tecnologia, tornou tudo muito óbvio. A passagem de Rogério Ceni pelo comando do time pode vir a custar uma temporada. Talvez não seja descabido pagar esse preço em nome de uma história bonita como a construída por ele. Só não era o momento. Como parece ter ficado bem claro.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O requinte de um torcedor comum

Não sou sujeito desses de ficar por aí atazanando os outros por causa de futebol. Sabe aquele cara chato que quando seu time dá uma derrapada sempre aparece pra ressaltar o amargor da hora? Sem se mancar que um papo de futebol com direito a sarro só com intimidade. O tipo que se dá o direito de pintar na área todo zombeteiro sem ter contigo o mínimo de convivência não passa de um deselegante. Não é o caso do Jorjão lá do almoxarifado. Este soube muito bem ir construindo a relação. Sempre educado, sem pontos de vista descabidos. Figura daquelas que preza essa troca de impressões sobre o jogo tanto quanto o próprio jogo. 

Corintiano, como vocês podem imaginar,  o sujeito anda que não se cabe. O que tem me impedido, ao menos por hora, de com ar sacana perguntar para ele - meio de longe - porque é que anda tão escondido atrás do balcão. O que ele costuma fazer quando o Timão dá aquela patinada. É homem simples, prova disso é que antes do embate com o Grêmio, depois de perguntar o que é que eu achava, disse que trazer um pontinho dos pampas estaria de bom tamanho. Também não é desses que costuma fazer desfeita de vitórias magras. Mas jamais caia na besteira de falar bem do Rodriguinho perto dele. Mesmo porque o Jorjão não é que não goste da seleção (ainda mais essa que aí está) mas é que ele quer saber mesmo é do Corinthians. 

Já tentei de tudo quanto é jeito mostrar pra ele que o meia tem sido fundamental pro time dele. E ressaltei que não é de agora não, que bastaria ele fazer uma pesquisa breve e lhe saltaria aos olhos a quantidade de jogos que Rodriguinho ajudou a resolver fazendo gol ou dando passe. Mas o que me impressiona nesse tipo de torcedor é a convicção. Depois do embate em Porto Alegre fui ter com ele e quis saber se continuava pensando o mesmo do goleiro Cássio. Jorjão... não deixou a menor dúvida. 

Com a educação costumeira reconheceu a boa fase do titular, mas em seguida tratou de deixar claro que segue sendo mais o Walter. E não se fala mais nisso. Sobre o Patriotas, adversário de ontem à noite pela Sul-Americana nem quis travar conversa. Tempos atrás pelo teor dos papos saquei que pra ele uma vaga na Libertadores do ano que vem tava de bom tamanho. Mas o sorriso despejado no meio do nosso último colóquio não me engana. Jorjão anda achando que Papai Noel, quem sabe, lhe trará um Brasileirão no final do ano. Guardei silêncio sobre minha dedução, mas pensei comigo: o homem anda cheio de razão pra sonhar isso. É ou não é?

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Demorô

Não se trata exatamente de uma gíria. É, digamos, uma malandragem gramatical. Não sei bem quando começou a ser usada. Mas não é coisa muito antiga. É possível que em meados dos anos noventa, quando  eu ainda podia ser tachado de jovem. De uma hora pra outra passou a ser um tal de demorô pra cá, demoro pra lá. Bastava pintar a deixa. Diante da mínima hesitação o interlocutor mandava um demorô. E a graça era que, bem usado, ele se revelava de um cinismo cortante, já que tornava ainda mais evidente o fato de algum ato tomado com certa lerdeza.

Vou tentar ser mais claro e desvendar a condição que fazia dele algo tão eficaz. Digamos que eu estivesse passeando pelos jardins da orla santista e encontrasse um desses cartolas da CBF pelo caminho. Em tom casual iniciaríamos uma conversa. Falaríamos das agruras do nosso futebol. Ele, fatalmente, diria que essa perseguição da mídia anda tornando tudo mais difícil. E, assim como quem não quer nada, eu lhe diria que é preciso tomar alguma  séria providencia com relação a arbitragem. Ele, sem titubear, responderia que a entidade, lógico, quer resolver essa questão o mais rápido possível. Lembraria do árbitro de vídeo. Aí tchum! Eu, arriscando criar uma enorme inimizade, sem pestanejar mandaria na lata:

_ Demorô !

É verdade que, pouco íntimo do cinismo que a expressão pode conter, ele talvez tomasse a colocação como uma crítica qualquer. Bom, espero que a essa altura os menos íntimos dessa gíria tenham sacado o que ela encerra. É que foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando vi a lambança que o árbitro da partida entre Avaí e Flamengo fez. No dia seguinte cheguei a até a ouvir um comentarista de arbitragem dizer que ele poderia ter feito o que fez já que o pênalti ainda não tinha sido cobrado. O problema é outro. Duvido que tenha voltado atrás movido apenas por reflexões. E se não foram apenas reflexões a regra foi violada e ponto. E olha que o lance é daqueles que nem mesmo o vídeo será capaz de levar à unanimidade. Aliás, triste dos que imaginam que esse recurso será o fim das polêmicas. Alguma coisa precisa ser feita, claro. De minha parte, pelo que aqui vai exposto, me limito a dizer simplesmente:


_ DEMORÔ!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O futebol e seus veredictos


Sejamos sinceros. Imagine você na sua profissão tendo que ouvir, muitas vezes dito por pessoas de conhecimento duvidoso, que não é bom o suficiente para trabalhar numa grande empresa. Ou que com o que você tem mostrado poderia, no máximo, ser o reserva do gerente geral. É preciso muita fibra pra lidar com isso, e duvido até que exista nesse mundo alguém que, de um modo ou de outro, seja imune a críticas. Isso sem contar que quando se trata de futebol muitas vezes quem precisa lidar com esse tipo de desafio mal passou dos vinte anos de idade.

Ossos do ofício dirão os mais diretos. E eu nada teria contra esse tipo de discurso se ele fosse usado com certo equilíbrio e em casos onde tal veredicto se apresentasse como inevitável. A verdade pode ser cruel, sabemos. A questão é: quem pode se apresentar como dono dela?  Sempre duvido do que se apresentam nessa linha. Conheço um pouco os mecanismos que movem a crônica e não temo dizer que raciocínios desse tipo costumam ser amparados no argumento de que sem ser taxativo o que resta é apenas erguer um muro de discursos insossos.

Ora, jamais vou concordar com isso, nem apoiar a crença de que apenas a polêmica é capaz de temperar pra valer as conversas sobre o jogo de bola. O embate sobre pontos de vista existirá em qualquer conversa e será por si só a melhor das matérias primas. Tá pra nascer o que supere uma boa reflexão e um olhar interessante. E aí reside a armadilha da polêmica. Quando um sujeito coloca suas fichas nela é inevitável que mais cedo ou mais tarde, para alimentá-la, acabe se vendo obrigado a defender pontos de vista que não seriam exatamente os seus.

Acho intrigante quando a crônica, por exemplo, faz em coro um mea culpa. Como vem fazendo no caso do volante Casemiro, agora campeão da Liga dos campeões da UEFA com o Real Madrid. Mais segura ela talvez chegasse à conclusão de que as críticas, embora exageradas, faziam algum sentido. O jogador é que já não é o mesmo. Se aprimorou, teve a nobre oportunidade de ir trabalhar com quem sabe bem mais do que ele. Ou ser comandado por alguém como Zidane é comum? Sabe-se lá o que é capaz de tirar o melhor de cada um. Vai ver até que esse mar de críticas serviu  como combustível ao talento de Casemiro. O futebol é um enigma.

sábado, 3 de junho de 2017

A Realeza !

Foto: Getty


quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dinheiro não compra felicidade

Faz mais de vinte anos que a grana com grife passou a fazer a diferença no futebol brasileiro. Dos esquadrões marcantes montados pelos chamados grandes de São Paulo o único do qual consigo me lembrar sem que junto não me venha à cabeça o nome do patrocinador, é o São Paulo do início dos anos 90.  Logo depois veio o Palmeiras da Parmalat. E quando a década se fez mais madura foi a vez do Corinthians. Primeiro tabelando com um banco e depois com fundos de investimentos e sua dinheirama desde sempre suspeita. E assim nomes como Excell, Hicks Muse e MSI ficaram tão falados quanto os dos jogadores que eles trouxeram. 

 Atualmente a vez voltou a ser do Palmeiras que tem navegado num mar de dinheiro. Primeiro oriundo de um presidente que muitas vezes mais pareceu um mecenas e depois de um patrocinador de dar inveja a qualquer time da Série A. Os mais radicais poderiam levar essa conversa pro lado do doping financeiro, coisa que eu nem considero descabida de ser discutida. Mas escolhi o assunto porque a primeira manchete que me chamou a atenção neste início de semana foi uma que anunciava que o Palmeiras trabalha para afastar a pressão que veio com o alto investimento. 

O que eu sei é que, muito anos depois, o modelo de negócio travado entre o Palmeiras e a Parmalat era tido pelos entendidos como o exemplo a ser seguido. E isso só mudou, ou se apagou, quando a multinacional viu sua reputação ir por água abaixo. Mas há aí um detalhe histórico que deveria ser lembrado e que tanto o clube quanto o patrocinador deveriam ter em mente sempre: enquanto a parceria foi tida como um sucesso todas as partes envolvidas diziam pra quem quisesse ouvir que os resultados vieram muito antes do previsto, o que tinha facilitado tudo. 


Naquela época voltar a ser campeão brasileiro pareceu justificar o investimento, o que agora não parece ser o caso. Há uma insatisfação geral no ar. Só que ter mais do que os outros nunca foi garantia de satisfação. Existem muitos casos que podem ser usados pra comprovar essa teoria, inclusive, um certo Flamengo, centenário, cheio de talento, mas que virou sinônimo de que o dinheiro nem sempre compra a felicidade. Agora vejam. Nem tudo está perdido porque em matéria de futebol, também não faltam provas de que, às vezes, ele compra sim.