quinta-feira, 18 de maio de 2017

O futebol no armário

Faz tempo que ele já não é o mesmo. Em outras épocas fazia um homem feliz com um calçado roto, empoeirado e, acreditem, até de pés descalços. Teve, desde sempre, um ar nobre  Mas trazia na alma algo de popular. Era figura fácil. Não foi por acaso que por estas plagas em determinadas gerações veio a ser a brincadeira-mor da garotada. E foi de tamanha simbiose com o nosso povo que, algumas décadas depois de ter chegado, se fez seu retrato, sua cara. Um desavisado qualquer pode até achar que isso não passa de um modo figurativo de expressar essa relação. Não é. Com sua grandeza foi além, muito além. Fez fama planetária. 

Mas a verdade é que o sucesso o transformou. Tornou-o afetado, talvez, não sei. O que eu sei é que a cada dia que passa tentam fazer dele algo mais exclusivo. Normal, portanto, que diante disso acabasse se distanciando de sua essência. Seus trajes andam cada vez mais caros. Uma camisa dele custa o que para muitos seria, e é, uma pequena fortuna. E que não venham lhe falar em camisas de algodão. Essas, faz tempo, deixou de usar. Um sem fim de tecidos sintéticos foram criados só por causa dele. Cujos criadores tiveram a audácia até de bolar algo que não deixasse mais nem o suor lhe pesar sobre o corpo. Graças a esse seu apetite para o requinte as chuteiras pretas, que outrora lhe eram quase uma marca, praticamente foram legadas ao esquecimento. 

Agora vejam, se faço esse relato é para avisá-los que vocês não devem se deixar levar pela aparência. Este senhor, pode ter alcançado um sucesso que nenhum outro semelhante seu ousou alcançar, mas infelizmente está longe de ser um exemplo moral. Sua única desculpa, se é que há uma, é a de refletir a pequenez dos homens que o cercam, a sociedade que o abraçou. Está longe de poder ser considerado transparente, embora insista em trazer consigo um discurso forte que tanta convencer a todos dessa sua intenção. Serve a um dono. E este é um detalhe importante. Juraria que ele é um homem bom, infinitamente bom, mas cruelmente corrompido por aqueles a quem entregou seu destino. Tivesse o mínimo de decência trataria homofobia, como trata o racismo. Mas o que vimos nos últimos dias foi o futebol acovardado diante de um suposto caso do tipo. 

Um jogador ameaçado em sua chegada com bombas. Com todas as instâncias envolvidas fazendo vista grossa ao ocorrido e apenas uns poucos da imprensa fazendo questão de não deixar o fato passar em branco. O alvo de seu preconceito foi um jogador que demonstrou ter confiança em si mesmo avisando que a resposta será dada em campo. Que o ambiente hostil não lhe intimide. O ameaçado não é um qualquer jogando bola. Tem títulos expressivos. Diante do fato a conclusão é óbvia. O futebol, por incrível que pareça, vai deixando evidente que anda mais atrasado do que a nossa própria sociedade. Que está longe ser moralmente moderno, digno do que o nosso tempo pede. Dá a impressão que segue com a capacidade de ser sensível às diferenças trancada em algum armário. Um armário que nem ele abre, e nem permite que seja aberto.               

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Na pressão !



Poucos são os treinadores no Brasil capazes de fazer silenciar a corneta da torcida. Cuca, que acaba de se apresentar, ou reapresentar, ao Palmeiras é um deles. E ainda que tenha construído num passado recente trajetória capaz de justificar sua contratação por qualquer clube do país, muito provavelmente foi por essa qualidade tão rara que ressurgiu como único caminho possível ao atual campeão brasileiro depois da demissão de Eduardo Batptista. E ainda que a escolha do treinador que agora sai de cena tenha sido tremendamente questionada desde o início não dá pra negar o fato de que o Palmeiras na ocasião tenha feito uma escolha que merecia ser reconhecida pois driblou o óbvio. 


Mas uma coisa é ter coragem de fazer a aposta e outra bem diferente é ter coragem para mantê-la. E tão raro quanto um treinador que aplaca a insatisfação da torcida é um dirigente que não se curva diante da pressão. O que não dá é pra se omitir, negar responsabilidades. O presidente do Palmeiras foi eleito no final de novembro e Eduardo Baptista anunciado no início da segunda quinzena de dezembro. Não que a dispensa tenha sido incompreensível. Qualquer um que tivesse gasto algumas dezenas de milhões para montar um time e o visse oscilar tendo pela frente uma fase de mata-mata cada vez mais perto poderia ter tomado atitude semelhante. 

A lição que fica é velha conhecida, a lógica e o sistema fazem do treinador o único penalizado. Para a crueldade do nosso futebol o único antídoto continua sendo uma boa dose de bons resultados. Está aí o técnico corintiano Fábio Carille pra provar. Só ele teve a capacidade mais contestada que a de Eduardo Baptista neste início de temporada. Até porque se imaginava que o elenco estelar montado pelo Palmeiras fosse capaz de esconder certas limitações. E talvez fosse. Mas a direção palmeirense não estava nem um pouco a fim de pagar pra ver. 

Humilde, equilibrado, hábil no trato com a imprensa, Carille fez do Corinthians o rei dos clássicos no Campeonato Paulista. Na verdade fez mais, montou um Corinthians que, a meu ver, foi muito mais competitivo do que o Palmeiras.  É, mas  quando a gente acha que já viu tudo em matéria de futebol, que somos capazes de decifrá-lo, ele trata de nos apresentar um viés intrigante. Ou não é intrigante que um jogador como Cristiano Ronaldo, que anda voando em campo, se veja obrigado a ouvir vaias jogo após jogo? Isso mesmo quando sai de campo depois de marcar três gols diante de um rival como o Atlético de Madrid? 

Juro, nessa pedi ajuda a um amigo espanhol. Achava que algum detalhe tinha escapado do noticiário por aqui. Eis que ele, então, me rebate com contundência, admitindo que o gajo tem jogado muito, mas muito mesmo, mas que infelizmente é uma figura insuportável. Fiquei a ponto de dizer que os madridistas eram todos uns mal agradecidos. Mas pensei um pouco e cheguei a conclusão que a relação de uma torcida com um time tem algo da relação de marido e mulher e que, portanto, ninguém deve meter a colher. E que peça pra sair aquele que não aguentar a pressão.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Um conselho


Se conselho fosse bom não seria dado de graça. Vixe, olha eu aqui de novo com uma frase dessas que todo mundo já ouviu alguma vez na vida. Mas que o leitor não ache que algo dito insistentemente deva ser tomado como verdade. Há, no entanto, frases que estão mais perto dela. É o caso daquela que diz, por exemplo, que uma mentira dita mil vezes se torna verdade. A vida e o jornalismo estão aí pra provar que se essa precisa ao menos faz muito mais sentido do que outras.

A vida tem me ensinado que, mesmo dado de graça, um conselho pode ser valioso. O segredo é dar uma boa peneirada. Por isso, aconselharia Felipe Melo a seguir o que lhe foi dado pelo ex-jogador Edmundo. Ao se ver obrigado a comentar o comportamento do jogador do Palmeiras, Edmundo, sugeriu que ele tome muito cuidado com o que diz e faz para não ficar marcado. Mesmo se tratando de alguém que passou longe de ter em campo um comportamento exemplar, Edmundo sabe como poucos o preço de ser, como ele mesmo se considerou, um cara intempestivo.

Ganhar a antipatia de quem cobre o futebol não é uma boa, disse ele. O que Edmundo nunca poderá dizer é que a antipatia por ele nasceu à toa. Fosse o mundo do jornalismo um pouco mais exigente provavelmente ele não teria conseguido até hoje um microfone pra chamar de seu. Hoje, mais maduro, menos intempestivo, entrega de bandeja um conhecimento que provavelmente lhe custou caro. Mas, como escreveu certa vez um velho cronista, se pudéssemos aprender com a cabeça dos outros evitaríamos muitas cabeçadas. 

É claro que a imprensa tem um papel fundamental nisso tudo. Sob o pretexto de que o futebol anda carente de personagens diferentes dá a comportamentos desse tipo certa preferência. O risco vem embrulhado com o papel brilhante do sucesso, do protagonismo. O diferente costuma nesses casos acreditar que é capaz de entender profundamente como a mídia se comporta, chega a crer que a domina. A torcida compra a ideia, se alimenta dessa intempestividade, faz dela uma bandeira. Só que lá no fim saem desse circo todos ilesos, menos a figura central de quem se terá pra sempre uma imagem muito bem definida, e da qual o sujeito dificilmente conseguirá se livrar.

Erros não há quem não os cometa em maior ou menor número, mas os desse tipo costumam vir acompanhados por algo mais cruel do que amargar um arrependimento.. O preço a pagar é alto. E há que se levar em conta que não é só com valentia que será possível livrar o futebol dessa chatice que anda reinando. Basta olhar pra história do futebol e ver quantos valentes já não se curvaram diante desse tipo de castigo. O toque dado por Edmundo foi desses que passaria no teste da peneira, entende? Mas pode ter sido dado tarde demais.               

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O passado e o presente do futebol



Somos um povo sem memória. Até os mais esquecidos devem lembrar de ter ouvido essa frase ao menos uma vez na vida. E vou além, digo que como se não bastasse não tê-la, muitas vezes a temos transformada, imprecisa, moldada para vender o peixe de quem tinha mais poder quando foi escrita. O mote me vem agora porque o momento soa propício para defender um ponto de vista que trago comigo faz tempo. Não é de hoje que tenho a sensação de que se tem uma coisa para a qual o amor do brasileiro pelo futebol serviu foi para ajudar a preservar a sua memória. E assim driblar um pouco essa nossa mazela. 

O único temor que alimento ao defender este ponto de vista é ter sido influenciado pelo fato de durante boa parte de minha vida profissional ter andado às voltas com esse tipo de trabalho. O que pode ter me dado uma visão equivocada. Claro que nem todos os esforços realizados nesse sentido tiveram a divulgação ou a metodologia ideal. Mas nas últimas décadas dei de cara com um verdadeiro batalhão se ocupando de escrever sobre desde o mais nobre artilheiro até aquele que nem todos conhecem, mas que para determinado grupo ou autor foi o maioral. E o mesmo vi se dar com a história de times. 

No final de semana que se aproxima uma das páginas mais cantadas do futebol brasileiro estará em evidência e será incansavelmente revisitada. O lendário título paulista de 1977 que, vencido pelo Corinthians pôs fim a um longo jejum de títulos e, dizem, só fez crescer a legião de fiéis do time do Parque São Jorge, hoje pomposamente instalado em Itaquera. Por uma dessas coincidências do destino os dois finalistas daquele torneio, Corinthians e Ponte Preta, praticamente exatos quarenta anos depois, ficarão frente a frente para disputar outra final do mesmo campeonato. Campeonato que muita gente por aí preferia que já nem existisse mais. 

E há ainda uma outra questão que vem junto com essa fixação pelas coisas do futebol, por sua memória e que me incomoda muito. A comparação que, em geral, acaba sendo feita entre o passado e o presente, quando nem sempre uma coisa tem a ver com a outra. Procurar analogias é do jogo, adorna o papo, mas elas precisam, como tudo, de bom senso. A própria importância do futebol hoje é diferente. Basta dizer que a marca de 138 mil torcedores registrada no segundo jogo das finais de 1977 é, simplesmente, até hoje e, provavelmente será pra sempre, a maior da história do Morumbi.  

Quem pegar os jornais daquela época verá que a cidade de São Paulo parou, aulas foram suspensas nas escolas. Houve um verdadeiro frenesi. Ou seja, um passado bem preservado, é rico, necessário e revelador.  Deixa claro, por exemplo, que contestar a arbitragem  foi desde sempre um sintoma do jogo. A Ponte e o Corinthians atuais pouco têm daquele tempo, como o futebol que veremos no Moisés Lucarelli parecerá outro. Mas será um momento perfeito pra desfrutar daquela que, talvez, seja a grande virtude de se ter a memória bem preservada: poder entender e sentir melhor o que o futuro nos trará. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tite no Cartão Verde! Um convite.


Elogiar Tite neste momento é chover no molhado. Mas se há alguma liberdade permitida ao jornalista, além da informação, é o relato do vivido ao se apurar um fato ou notícia. O que não costuma ser comum. Valoroso nestes dias atuais é ter opinião. Vivemos na era da opinião. Costumo dizer aos amigos de ofício, ou aos que se interessam por ele, que atualmente quando alguém abre o jornal, se é que ainda abre, o sujeito vai primeiro nas linhas onde repousam opiniões... deixando pra depois a própria notícia. 

Mas é justamente um relato do vivido que quero deixar aqui como convite pra que vocês acompanhem o papo que o time do Cartão Verde travou com o técnico da seleção, e que será exibido nesta quinta às 22h30, pela TV Cultura. Tite tem neste momento um sem fim de escudos. Classificou a seleção para a próxima Copa com a rapidez que ninguém ainda tinha feito, caiu nas graças da torcida, inclusive daquela considerada mais azeda, fez o futebol brasileiro voltar a figurar no topo do ranking da FIFA, mas segue sendo o profissional de sempre, que se apresenta pro papo desarmado. 

Estampada no olhar e na fala firme está a segurança de quem venceu todas as etapas. Da segundona do Gaúcho ao degrau que costuma ser visto como sinônimo de glória. E só quem vive o meio do futebol sabe como isso é raro. Tite achava que chegaria lá antes? Achava. Mas mesmo tendo admitido a frustração fez questão de dizer a si mesmo: " agora não vai ficar chorando pelos cantos. vai trabalhar!" E foi !


Na conversa não escondeu o receio que teve de ver a seleção colocar toda a trajetória que ele tinha construído a perder. Pagou pra ver. Figura neste momento num altar de onde os homens inevitavelmente são tirados, ou de onde, passado o tempo, deixam de ser fervorosamente cultuados. Consciente disso afirma sem titubear que está pronto até pra perder uma Copa. Mas evita que a esperança morra em nós quando afirma, por exemplo, que o que ele preza no último terço do campo não é técnico que determina, é o lúdico, o criativo. Confesso que chega a ser difícil de acreditar. E o poder de convencimento de Tite - como é de se supor também - não é pequeno. E como Tite está longe de ser mais do mesmo não ouso duvidar. Chego mesmo a torcer. Espero que gostem do programa.  

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Quando o futebol surpreende

O que se diz é que o futebol, mais do que qualquer outra modalidade, tem uma veia imprevisível. Um jogo em que tudo é possível, por mais que a grana trabalhe dia a após dia no sentido de formar esquadrões imbatíveis, ou de montar uma panelinha de afortunados. O sucesso da empreitada é indiscutível. Não é qualquer um que pode pedir lugar na patota dos abonados Chelsea, City, PSG, Real Madrid, Barcelona e por aí vai. Discutir a origem do dinheiro de cada um, como manda a etiqueta, é coisa que não se faz. Só que não é de acontecimentos dados neste panteão que quero falar, por mais que uma sapecada do PSG ou da Juventus pra cima da nobreza catalã da bola dê muito pano pra manga. 

O normal entre os endinheirados é, em geral, não existir diferenças gritantes. Mas, como se sabe também, isso não impede a ostentação ou a exibição de um invejável poder de compra, arma infalível pra se deixar claro quem se é ou, visto de outra forma, pra deixar claro que se está longe de ser qualquer um. Também não é do chocolate imposto pela Ponte ao poderosíssimo Palmeiras que quero falar. Mas admito que se trata, sim, de uma reflexão provocada pelo time de Campinas e seu placar de respeito pra cima dos palestrinos. 

É que há algo grandioso camuflado em resultados dessa estirpe. Não tenho medo de afirmar que desde os mais remotos tempos um resultado inesperado oxigena o futebol, dá a ele um vigor. É como se nos obrigasse a lembrar, a levar em conta, que ali entre as quatro linhas continua existindo lugar pro sonho, pro triunfo dos que podem menos. Quando um time dito pequeno triunfa sobre um outro cheio de recursos, de histórias e de poderes, deixa pairando no ar a beleza que se esconde no suor do trabalho diário. Dá luz a quem deu um duro danado e no fim de um dia de trabalho teve razão pra acreditar que valeu a pena tanta labuta. Na maior parte das vezes tudo volta a ser como antes depois de uma vitória desse tipo. Mas que a danada é bonita, ô se é.

Esta aí um dos jeitos que o futebol tem de imitar a vida. A vitória do pobre jamais terá a retumbância da vitória dos nobres. Porque diante dela os que tem voz costumam se ocupar mais com a explicação da derrota do que com a exultação do triunfo. E os mais atentos sabem bem a força que se fez, nos regulamentos dos Estaduais, para evitar surpresas do tipo. Mas elas resistem e isso é lindo. O pequeno que vence acordará sempre maior do que era. O resultado surpreendente é uma arma que o futebol tem pra nos avisar - vez ou outra -que também há mais mistérios entre o homem e bola do que pode imaginar nossa vã filosofia. Ah! E aproveito pra deixar aqui os parabéns ao tricolor Rodrigo Caio que teve, em campo, a coragem de remar contra a maré

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pacaembu: a casa da mãe


A trajetória que o Santos desenhou ao longo dos últimos anos no Campeonato Paulista deve ser levada em conta. Não se trata de uma sequência qualquer, ainda que não sirva para aplacar o descontentamento da torcida com o time neste momento. Ao longo dos últimos oito anos os santistas viveram o início de temporada com direito a um cer to apogeu, mesmo que nem sempre a presença na final - ou a conquista do título - fosse garantia de que o resto do ano seria uma maravilha, o que nem sempre foi. Verdade também que a citada trajetória serve para amplificar o insucesso, ainda mais quando ele se dá com o time fazendo uma das piores campanhas dos últimos anos no torneio estadual. Se o vice no Brasileiro do ano passado foi surpreendente, cair nas quartas do Paulista foi o avesso disso. Por mais que parte da torcida santista, empapuçada de Estadual, não faça questão de esconder que anda querendo é a Libertadores. Desconfio, inclusive, que o desgosto venha exatamente daí, do fato da queda no Paulista sugerir que se não deu no Paulista, na Libertadores é que não vai dar.

Como sempre acontece no futebol brasileiro a queda será intimamente ligada à capacidade de alguns. Se há um álibi pra isso é o fato de o time santista não ter perdido a vaga para uma equipe qualquer. A Ponte Preta - faz tempo - anda se mostrando time capaz de encarar os ditos grandes do nosso futebol. E ainda que eu ache que no segundo jogo, em especial no primeiro tempo, esqueceu um pouco disso, chega às semifinais com méritos. Há números provando isso e nem é o caso citar. Como acho ainda que no primeiro tempo, depois de ter aberto o placar, o Santos não parecia ter urgência de fazer o segundo gol, quando sob certa ótica deveria. Trata-se de um time maduro, seguro, entrosado, mas até esses devem ter, vez ou outra, o ímpeto de um trator. 

E me desculpem se o discurso soa velho e provinciano mas nada me tira da cabeça de que se tem uma coisa que o clima da Vila favorece é essa efervescência que não vi pós primeiro gol. Imagino o quanto um milhão e meio de renda faz diferença, mas quando será que vamos aprender que o dinheiro quase sempre joga contra o futebol? Tá pra nascer o dirigente que leve em conta o que se pode perder, não ganhar. E nesse sentido não só em termos financeiros. A menos que alguém acredite que não conseguir chegar onde os outros chamados grandes chegaram fará bem pra alguém. Dias atrás o volante santista Thiago Maia, esteve no programa Cartão Verde, na TV Cultura, que eu apresento, e diante da velha questão: Vila ou Pacaembu? Se saiu com uma resposta primorosa, dizendo que a Vila era como a casa dele e o Pacaembu como a casa da mãe. Ótima analogia. Concordo que a casa da nossa mãe costuma ser como a nossa, mas a verdade é que depois de algum tempo não existe nada como a casa da gente. Seja pra desfrutar as alegrias, seja pra sarar o que o destino tratou de nos reservar. E, além do mais, diante da dificuldade sempre é possível convidar a mãe pra ir até lá.  

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Torcer já não basta !

O Brasil como se sabe não é nação de fácil interpretação. Chego a ter compaixão dos ditos brasilianistas. Gente que formada em outras plagas baixa por aqui cheia de boas intenções e entrega. E acredito não cultivar esse sentimento sem razão. Ver o que se passa nestes trópicos e interpretar o que aqui se dá é uma coisa. Compreender, outra, bem mais complexa. Isso sem contar a mutação. Por certo o Brasil de hoje não é o Brasil de outros tempos. Tá aí o futebol pra comprovar. E se dúvida havia nesse sentido depois dos jogos das quartas de final do Campeonato Paulista devem ter caído por terra. O jogo de bola que encantava o torcedor agora o assombra. No pior dos sentidos. Ou não foram assombrosas as partidas que se deram? Talvez seja o caso de inocentar apenas a peleja entre Palmeiras e Novorizontino, desde que carreguemos conosco uma dose de complacência.

Gostaria muito que este amargor interpretativo fosse só um sintoma do saudosismo a que os anos nos condenam. O velho papo de que antigamente tudo era melhor. Mas não vem daí o meu desespero. Faz tempo aprendi com Tio Nelson que o futebol é só a coisa mais importante entre as coisas menos importantes. O que me aflige é a evidência de que o futebol segue sendo puro reflexo desse nosso catadão aqui, que ultrapassa os duzentos milhões. Nessa ladeira tem ido tudo o que nos é caro e necessário. Ou alguém aí da arquibancada seria capaz de levantar e gritar que não tem essa, que estou misturando as coisas, que socialmente estamos muito melhor do que futebolisticamente? Nada!

 Não há setor em que possamos dizer "jogamos por música". Nossa justiça, por exemplo, joga sem velocidade alguma. E nesse marasmo tome contra ataque. Dias atrás, enfim, o Superior Tribunal de Justiça validou a troca de informações entre o Ministério Público Federal e o Departamento de Justiça dos EUA no caso FIFA. Isso um ano e meio depois da prisão dos dirigentes na Suíça. Não comemorem! Alguém duvida que a essa hora a defesa já tenha na cabeça uma tática armada pra dar mais uma travada no jogo? 

Evidências de que as coisas aqui têm o padrão do futebol, infelizmente, não nos faltam. Nossa saúde, nossa (in)segurança, nossa política, que em matéria de involução tem deixado pra trás qualquer adversário. Nossos clubes, que sugados de seu poder nada falam ou fazem. E aí, inevitável, sempre me volta incômoda questão. Que paixão funda é essa que mesmo em face de tamanho desencanto não nos deixa parar de amar? Quem sabe algum brasilianista tenha a resposta. A verdade é tenho medo de perguntar porque ela pode vir óbvia e dilacerante: pra mudar... torcer já não basta, caro brasileiro! 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Sobre literatura e poesia

Ricardo Mituti é um companheiro de ofício, amante das palavras e, recentemente, me deu o prazer desse papo sobre literatura e poesia.

https://m.youtube.com/watch?v=ELoqziAwMBk.

De Temer pra Tite. Carta ou bilhete ?



Acabo de ler o que se chamou de carta. Falo das palavras de Temer para Tite. Tática clara pra tirar uma casquinha do brilho que ora se derrama sobre o escrete nacional. Uma missiva de sete, oito linhas, E ainda que seja possível sentir entre elas o espírito da Dona Lúcia, acho que em tamanho mais se assemelha aos recadinhos que ajudaram a fazer a fama do técnico Juan Carlos Osório, ex-São Paulo, que gosta de endereçar bilhetinhos aos seus comandados. Recurso, aliás, que até Rogério Ceni usou no mês passado quando o  tricolor enfrentou o Novorizontino. Ou seja. Carta nada! Bilhete, vai!

O futebol tá chato !

Por mais que o futebol ande pobretão em termos técnicos continua, e continuará, produzindo astros. Está na alam do negócio. Dizem que a mídia gosta de fabricar heróis e o futebol jamais reclamou. Um jogador elevado às alturas turbina as cifras. E matar a galinha dos ovos de ouro é coisa que não se faz. A mídia anda tão decisiva que o bandeirinha insultado por Messi, o que levou o argentino a ser suspenso, confessou que nem entendeu os insultos na hora e que só teve ideia do ocorrido quando viu a repercussão. O mecanismo explica porque hoje em dia se cola tão fácil o rótulo de craque em atletas que sequer engraxariam as chuteiras de um. 

Os elegidos estão aí e todos os conhecem muito bem. Não só pelo jeito de falar, mas pelas namoradas, pela invejável multidão que alimentam via redes sociais. Mas na semana passada um personagem de outra estatura midiática me chamou a atenção. Na busca de uma pauta para tratar do jogo entre Palmeiras e Mirassol eis que o jornalista, Emilio Botta, usou como gancho o reencontro do goleiro Vagner, do time do interior paulista, com o time alviverde, equipe com a qual ainda tem contrato até 2019. Vagner começou a interessar à grande imprensa quando em 2014 foi um dos destaques do Ituano, que tiraria o título paulista do Santos, graças a uma defesa feita por ele na disputa por penaltis. 

Depois disso foi procurado por times grandes mas acabou indo para o Avaí. Com o time catarinense foi do céu ao inferno. Viveu a alegria da volta à primeira divisão e na temporada seguinte a dor do descenso. O insucesso não lhe impediu o progresso. Acabou contratado pelo Palmeiras. E quis o destino que uma lesão afastasse o goleiro Fernando Prass dos granados e lhe alçasse à condição de titular. Mas o que era pra ser o apogeu não durou mais do que três partidas. Sem jogar bem viu o companheiro Jailson crescer- cair nas graças da imprensa - e ficar com a oportunidade que parecia dele. 

E foi simplicidade pra descrever o que viveu que Vagner me assombrou. Tratou o insucesso de modo cru. Disse ter sido um erro dele mais do que qualquer outra coisa. Não foi medo. Não era para ser, avisou. Em seguida admitiu que o que lhe resta é correr atrás e se tiver outra oportunidade fazer bons jogos. Quando o Avaí caiu, com lágrimas nos olhos, o arqueiro fez questão de lembrar dos campos de treinamento cheios de lama e dos salários atrasados. Lembrou ao repórter, ao ser questionado a respeito, que as cotas de televisão quando chegam muitas vezes são usadas pra saldar dívidas antigas, e que esperar melhorias nos gramados soava como fantasia. Afinal, se o clube não tinha conseguido nem bancar salário em dia, seria ingenuidade esperar melhorias no Centro de treinamento. E pra não deixar dúvida finalizou dizendo que hoje em dia o futebol dos times pequenos está largado.

Digo pra vocês que vi ali uma transparência que não tenho visto nas figuras que a mídia tem elegido nas últimas semanas. Jogadores como o palmeirense Felipe Melo, como o  são-paulino Maicon. Figuras que, coincidentemente, entre uma declaração e outra - dessas que a crônica gosta de explorar - fizeram questão de nos lembrar que o futebol anda chato. Aliás, frase das mais ouvidas nos últimos tempos. Concordo com eles. Mas se está chato não é por acaso.    

sábado, 25 de março de 2017

Canalhas !



Canalha!!! Bom, o fato de ser chamado assim e abrir um sorriso matreiro já deixa ver que João Carlos Albuquerque é figura singular. E também é atrás desse sorriso que se esconde o mais original apresentador esportivo da TV brasileira. A fórmula do Canalha é misturar sinceridade e verdade em doses que podem até incomodar o telespectador, mas que em geral o cativam. A mania de chamar os outros de Canalha gerou, inclusive, uma tremenda saia justa anos atrás com Jô Soares, que ligou pra tirar satisfação e acabou seduzido, se transformando em grande amigo do... Canalha! 
Quem conhece o João - e quem o conhece mesmo de outros tempos o chama na verdade de João Veronese - sabe que se trata de um cara criado no Bairro de Pinheiros, em São Paulo, que andou pelo mundo, conhece cinema italiano como poucos, muito poucos, e por isso escreve há décadas um livro sobre o tema, que eu desconfio ele tem medo de terminar, pois terá colocado fim àquele que é seu grande barato. E já que estamos falando de barato, outro grande prazer do João é tocar. E tocar com personalidade. Encarando entoar clássicos de Elton John e afins.
Hoje ele estará em Santos, se encarregando da trilha sonora enquanto Xico Sá rabiscará autógrafos no seu mais novo livro, o primeiro sobre futebol: A pátria em sandálias da humildade. Uma reunião de crônicas nas quais Xico destila toda a sua sabedoria sobre o homem e o jogo de bola, jamais deixando de incluir no caldeirão outros temas que lhe são muito caros, como sexo, por exemplo. Bobinho ele, né? A humildade, palavra que vai estampada na capa do livro, aliás, cai muito bem nesse dois cabras, que como os interessados poderão comprovar jamais se deixaram enfeitiçar pelo estrelismo mala que costuma infectar muita gente que fica na mira das câmeras de televisão ou que são por outros dotes tidas como figuras públicas.
Vai ser ali na calçada da Realejo, a partir das seis e meia da noite. Não se trata de um local desconhecido, nem pro Xico - que nunca perde a chance de confessar sua simpatia por este nobre município, dizendo que dia desses ainda vai de mala e cuia pra lá - e muito menos pro João, que se formou no velho segundo grau no mesmo colégio que eu, o Martim Afonso, ali às margens da Baia do Gonzaguinha, em São Vicente. E no início da carreira soltou a voz nos microfones da Rádio Universal e mais tarde na Atlântica, ao lado de nomes como Walter Dias.

E como se isso fosse pouco, o músico Julinho Bittencourt ainda ficou de aparecer pra dar uma canja com o Canalha. Julinho, que foi o responsável pela trilha sonora que embalou as noites da minha geração e de muitas outras, anteriores e posteriores. E isso no tempo em que balada era só o que alguns cantores andavam fazendo aqui e acolá. A mim bastaria os amigos lá reunidos pra dar um nó na agenda e tratar de cruzar a  Praça da Independência em direção a tão agitado pedaço de calçada. Estarão lá, que eu sei, vários de seus habitués, e hoje também essa dupla pra lá de especial, que vem de fora, e por quem eu tenho a maior estima. E aí, sabe como é, né? Não dá pra deixar passar. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Recado do time do Cartão Verde!

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quarta-feira, 22 de março de 2017

Clássico temperado

Foto: Getty images

Hoje tem seleção! Há menos de um ano é bem provável que o aviso não fizesse você rever a agenda. Mas agora o papo é outro. Tite foi além do esperado e fez o torcedor voltar a se ligar na seleção. E que bem isso fez ao nosso futebol. Tite igualou recentemente uma marca que durou quase cinquenta anos. A de de ter vencido os seis primeiros jogos das Eliminatórias. Antes dele, a marca era do lendário, João Saldanha, comandante das feras que tempos depois nos dariam a inesquecível Copa de 1970. 

Os comandados de Saldanha na ocasião marcaram vinte e três gols, os de Tite têm dezessete. E se nos idos de 1969 a seleção levou dois gols nesse punhado de jogos, o time atual sofreu apenas um. Interessante notar que, mesmo com quase meio século entre as duas campanhas, conseguir fazer um gol no Brasil se revelou obra de uma mesma seleção, a colombiana. Com o detalhe de que o time de Saldanha diante dela levou dois mas fez seis. Enquanto a de Tite construiu um placar de dois a um. 

E também foi a Colômbia que na décima rodada segurou o Uruguai em casa. O empate por dois a dois permitiu que o time de Tite assumisse a liderança das Eliminatórias ao bater a Venezuela, na oportunidade, sem Neymar, suspenso. Por uma questão de regulamento em 1969 o Brasil não teve pelo caminho nem a Argentina, nem o Uruguai. E sejamos francos, quando lembramos que dessa vez a lista de resultados inclui um três a zero na Argentina a coisa encorpa. 

Uma vitória sobre a celeste, jogando em Montevidéu, fará desse primeiro momento de Tite algo ainda mais surpreendente. Em casa os uruguaios têm o retrospecto de seis vitórias em seis jogos e apenas um gol sofrido.É uma pena que os uruguaios não possam contar com o suspenso, Luiz Suárez, disparado sua grande estrela. Ainda que a celeste vá contar com seu artilheiro (e das Eliminatórias), Cavani, autor de oito gols até aqui.Também é de se lamentar a ausência do garoto Gabriel Jesus que até então travava com Neymar um duelo bacana pela artilharia brasileira dessa trajetória. Nos últimos seis jogos da seleção foram cinco gols de Jesus e quatro de Neymar.

Renato Augusto, questionado, sugeriu uma partida com jeitão de Libertadores. Quero acreditar que teremos futebol pra ir além disso. Você até pode dizer que o grande clássico sul-americano é travado com os argentinos, mas não dá pra dizer que falta tempero ao confronto. Brasil e Uruguai são os melhores times dessas Eliminatórias e, no caso do Brasil, há quem aposte que a vitória garantiria um lugar na próxima Copa. O jogo, de quebra, ainda fará de Oscar Tabarez, com cento e sessenta e oito partidas, o treinador que mais vezes dirigiu uma mesma seleção na história, deixando para trás o alemão Sepp Herberger. Tá temperado, ou não tá? 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Você ainda acredita no futebol?

Foto:LLUIS GENE/ AFP

Poderia abraçar outra questão. Não flertar com coisa que nas redações costumam ser chamadas de passadas. Ou frias mesmo, quando o português se faz mais claro. Fato é que a virada do Barcelona pra cima do PSG ainda ecoa. E isso mostra a sua magnitude. Não vou  me ater à simples questão do placar mas ao que ele foi capaz de revelar. O amigo que agora há pouco me parou aqui pra resgatar o tema se mostrava indignado com o fato de as pessoas não conseguirem perceber o quanto a câmera lenta muda a realidade. No que lhe dou toda razão. Acho que já disse até que na minha opinião comentaristas de arbitragem não deveriam ter esse direito. Deveriam aceitar com humildade o risco que seus iguais passam em campo. Ainda que hoje em dia já não dê pra dizer que os homens da arbitragem lá embaixo não saibam o que a imagem mostrou, o que as câmeras e seus recursos revelaram. Mas essa é questão simplória diante de tudo que a virada suscitou. 

Há outras  mais cabeludas, como o fato de tanta gente do meio ainda não ter tido a humildade de perceber que o futebol pode nos surpreender sempre. Dizer antes do fim que um jogo está decidido aos de bom senso deve ser visto só como um truque largamente usado por espertalhões para deixar no ar a impressão de que podem saber de antemão o que se dará em campo. E ao ler isto você, imagino, será capaz de lembrar imediatamente, sem grande esforço, de uma ou duas figuras que andaram por aí cravando essa.

Veja. O ponto crucial que notei em toda a discussão é que alguns da mídia tomaram uma posição tão extremada sobre a vitória catalã que foi difícil não ler nas entrelinhas que tudo só aconteceu por causa do árbitro. Não! Digo mais! Nas entrelinhas ficou a sugestão de que os que encantados com o ocorrido estavam sendo, de certa forma, ludibriados, vítimas de uma armação. Bom, ao chegarmos a este ponto fica muito claro que a desconfiança sobre a lisura do jogo só faz crescer. Ou melhor, que atingiu patamares nunca imaginados. Um jogo crucial do maior torneio de clubes do mundo em que o juiz deliberadamente tomou uma parte. 

Sou capaz de admitir que diante de tudo que se sabe sobre apostas e afins hoje em dia isso não deve ser exatamente motivo de pasmo. Mas se passamos a tecer comentários amparados nessa desconfiança o que virá depois? Não seria o caso de colocar a mão no fogo pelo homem que em tarde tão ímpar foi encarregado do apito. A influência no resultado, quero crer, não foi maior do que as que temos visto por aí. Estou convencido de que o que se deu ali não se resumiu a isso. Houve futebol. Bom futebol. Neymar, depois do PSG fazer o gol, levou um chapéu na direita em jogada que acabou com a bola batendo na trave. Com que moral não estariam os espertalhões a essa hora se o time francês tivesse marcado mais um gol? É triste constatar que foi-se o tempo em que podíamos desfrutar - sem desconfiar - dos momentos grandiosos que o futebol oferece

quarta-feira, 8 de março de 2017

Seu futebol, sua vida

Foto: Antonio Alexandre Estre


Durante a minha infância e ainda na entrada da adolescência era sempre ele que se encarregava de fazer a bola rolar. Quando todos estavam naquela preguiça depois do almoço e a meninada se mostrava disposta a bater uma bola lá ia ele com a gente pro quintal ou para a praia. Nunca resistiu à brincadeira. Salvava a molecada do tédio e secretamente saciava uma vontade que tinha também. Quem o conhece sabe, sempre teve fome de bola.

Ao longo da vida foi dessas figuras indispensáveis para que o jogo aconteça. Aquele sujeito que trata de arranjar os uniformes, comprar a bola, acertar o local onde será travada a pelada. E, nesse caso, para desespero da minha tia, ainda levava o jogo de camisas pra lavar em casa. Devia ter prazer em vê-las tremular no varal. Agiu sempre como essa espécie de cartola informal que o jogo de bola sempre exigiu. Duvido que você não tenha conhecido alguém com vocação parecida ao longo da vida. Aquele amigo que sempre batia na sua porta com a bola embaixo do braço. Aquele que antes de se despedir fazia questão de lembrar uma vez mais que no dia seguinte tinha jogo contra a turma da rua de trás. 

Talvez seja poético demais, mas jamais será exagero dizer que boleiros com essa inclinação sempre foram verdadeiros semeadores de futebol. E que bem fizeram ao jogo ao longo da história! Logo, não foi à toa que a tristeza bateu quando, já aos setenta e dois anos de idade, o corpo reclamou dos movimentos que a brincadeira exigia. O bendito joelho, essa dobradiça tão vital. Só ela mesmo pra lhe fazer um ausente. Impedido de bater uma bolinha nunca foi o mesmo. Como poderia? Mas tratou de manter os laços como podia. Na sexta preparava a berinjela no azeite. As torradas. O petisco que ia acompanhar a cerveja depois da pelada. Não se deu por vencido. A paixão não deixaria. 

Encarou fisioterapia e até uma musculacãozinha. A barriga pronunciada nunca foi problema. E você pode duvidar, dizer que é história pra boi dormir, mas ele voltou, meu Tio Afonso voltou a jogar aos setenta e nove. O homem tá lá na meiuca, cheio de estilo, só distribuindo. Provando para os céticos que o campo é mesmo cheio de atalhos. E tem ido muito além deles, acreditem. Contou pra mim - com aquela empolgação que eu conheço desde moleque -  o que aprontou em campo outro dia ao ver o lateral descer em velocidade. Se adiantou um pouco. Teve a petulância de invadir a área. E quando mirou a bola vindo não resistiu. Se jogou na direção nela, de peixinho! A ousadia fez um silêncio súbito pairar no campo. Só quando teve que se levantar é que se deu conta do que tinha feito. Aos poucos os olhares preocupados foram sendo substituídos por outros que estampavam surpresa. Percebeu o risco que correu. Achou que valeu. Se sentiu um moleque de novo, vivo. Só ficou faltando o gol. Mas saibam: foi por pouco, muito pouco



dedicado ao meu Tio Afonso Estre

terça-feira, 7 de março de 2017

Libertadores ou Brasileirão ?



Vai começar a fase de grupos da Libertadores. Com a mudança do calendário o torneio continental irá rivalizar como nunca em importância com a principal competição do futebol brasileiro. Afinal, pra você, qual dos dois é mais importante?

Libertadores ou Brasileirão?  


quarta-feira, 1 de março de 2017

O ano vai começar

Diz a lenda que o ano só começa quando o carnaval acaba. Mas conhecendo bem este singular país não seria exagero dizer que o ano começa mesmo é na primeira segunda depois da quarta-de-cinzas. Pois você - como bom brasileiro - há de saber como é. Terminada a folia sobra só um restinho de semana e aí quando a gente pensa em trabalhar dá de cara com a sexta -feira e ninguém é de ferro. 

Agora, vamos falar sério. Por mais que esta maneira de pensar esteja arraigada no nosso imaginário ouso dizer que ela é um desrespeito com quem desde sempre não teve outra saída a não ser correr atrás da bola, nesse caso em sentido figurado. E o time dos que jamais tiveram outra saída é imenso. Quero crer, muito mais numeroso do que o time que espelha esse modus vivendi, essa grandeza. Talvez só mais uma questão, entre tantas, que acaba soando como verdade pela visão de mundo imposta por uma minoria. 

Mas se faço aqui essa abertura é pra dizer que o calendário atual do futebol brasileiro tem ao menos a virtude de colocar por terra isso tudo. O carnaval nem bem acabou e já vimos o São Paulo vencer na Vila depois de um longo jejum. O Corinthians vencer o Palmeiras em Itaquera com um a menos e com um gol solitário daquele que talvez seja o mais contestado atacante do futebol brasileiro. Vimos o Botafogo e o Atlético Paranaense enchendo suas torcidas  de orgulho, travando verdadeiras batalhas por um lugar na fase de grupos da Libertadores. E que batalhas. Daria pra dizer, como se diz por aí, que gente como o atacante Rodrigo Pimpão e o goleiro Gatito Fernandéz já ganharam o ano. O primeiro ao marcar e o segundo ao evitar gols que deram outro horizonte ao time carioca. 

Até mesmo esse Mirassol que acaba de conhecer a primeira derrota no Campeonato Paulista, mas que ainda ostenta a segunda melhor campanha do torneio na frente de muita gente grande merece registro entre os acontecimentos deste ano que dizem alguns nem teria começado. E vai dizer pro Xuxa, artilheiro do Mirassol e do Paulista, que o ano ainda vai começar, vai lá. Mas como nem só de grandes feitos e feito um país. E pra que não digam que nosso futebol passou a ser exemplo, tivemos aquela bagunça na semifinal do Campeonato Carioca, quando quarenta e oito horas antes da partida a torcida ainda nem sabia se Vasco e Flamengo iriam jogar e onde. 

Cá entre nós, o futebol brasileiro tá longe de ser exemplo. E toda essa pressa no fundo só o torna mais imperfeito do que já era. Seja como for, não custa tentar, vamos copiar o calendário do velho futiba, vamos mandar pro Congresso, pro Senado. Vamos fazer quem decide o rumo dessa nação entrar em campo sem pré-temporada. Sem descansar as setenta e duas horas que prometem colocar qualquer atleta em forma de novo. Quem sabe não chegaremos à conclusão de que o sujeito que bolou esse nosso calendário atual na verdade é um gênio. E se não virar, que valha a mais velha lei do futebol: não deu resultado a gente troca.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Futebol e carnaval



O futebol já não é aquele e o carnaval também não. Os dois foram de alguma forma transmutados. Ou, para ser mais claro, tiveram a alma tocada - e ferida - por outras intenções. Pela grana, pela TV. Ainda assim continuam sendo os grandes espelhos do nosso povo, ainda que espelhos não sejam. 

Se alguém os quisesse mais puros, na medida da pureza possível nestes dias que correm, deveria pensar, antes de tudo, em separá-los. Não que tenhamos de tirar da avenida a bola e os homens que com ela nos pés nos encantaram. Não! Pelé, Zico, Rivellino, que ainda outro dia estava lá no meio da folia, merecem e seria praticamente inevitável que em dado momento não fossem levados pra avenida. Ou para o Sambódromo, melhor dizendo, já que foi-se o tempo em que o desfile se dava na avenida. 

Não há nada mais legítimo do que o carnaval se apropriar de tudo o que retrata e revela nossa gente. Mas falo sobre um outro tipo de relação que temos visto se dar entre os dois. Das torcidas organizadas que, podendo trilhar outros caminhos, aos poucos vão fazendo o carnaval, paulistano em especial, se vestir com a fantasia de uma rivalidade que não deveria jamais se fazer presente na mais popular das nossas festas. Não é à toa que hoje quem cuida da tabela dos jogos, ou da ordem de apresentação das escolas, tem de cuidar pra que um certo tipo de carnavalesco não encontre um outro, pra que um certo tipo de torcedor não vá pra rua no mesmo momento que um outro. Civilidade e segurança neste nosso país, faz tempo, não passa de um anseio.

E que me perdoem os que dão a vida por isso. Não sou um sujeito obtuso. Não a ponto de achar que tanto o futebol quanto o carnaval poderiam ter virado o que viraram sem que nosso povo lhes tivesse emprestado os sentimentos, o coração. Mas gostaria de ver um carnaval sem dinheiro público, um futebol com mais alma. Coisa que tivemos um dia. Pense na nossa miséria de dribles, na saudade que chegamos a sentir de ver um gol de falta. Pense na duvidosa qualidade de um samba-enredo atual. Qual deles hoje em dia faria frente ao algum desses que o tempo transformou num clássico? 

Lembro bem do dia em que tomei o Metrô e vi piscar no letreiro de aviso pela primeira vez a seguinte mensagem: em dias de jogos evite usar a camisa de seu time. Lembrei disso agora ao tentar achar uma razão para que o futebol tivesse se misturado dessa maneira ao carnaval. Não encontrei. Pra mim o futebol no carnaval só deveria ser permitido entrar pelo viés da reverência. Reconhecido pelo que carrega de cada um de nós. Mas não deve ter sido por acaso que o pensador russo Mikhail Bakhtin escreveu certa vez que o carnaval"não é forma puramente artística de espetáculo...ele se situa na fronteira entre a arte e a vida". Ou seja, essa mistura um tanto nociva entre nosso futebol e nosso carnaval nos retrata.


* Pra quem gostou do tema segue abaixo o link da matéria escrita por Alvaro Costa e Silva no Ilustríssima do último domingo sobre o desenvolvimento do samba-enredo como gênero.

http://bit.ly/2lhKAGH 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Viva os corneteiros!

O corneteiro é um nobre. Figura das mais notáveis no futebol. Pensando bem talvez só o secador seja páreo pra ele em importância nesse mundo da bola tão fértil para a tiração de onda. E hoje pinto aqui na área cheio de disposição para lhe fazer uma elegia. Não sem motivo. Não sei se vocês  viram com que dose de deselegância o jovem goleiro da nossa seleção sub-20, depois da vexatória campanha no Campeonato Sul americano, se dirigiu aos jornalistas. Palavrões à parte, acusou-os, inclusive, de cornetagem. Como se ser corneteiro fosse algo menor. 

O desabafo me deixou com a pulga atrás da orelha e vou já lhes dizer a razão. Ao ouvir aquilo fiquei com uma preocupação monumental. É que o modo de falar me fez levar em consideração a possibilidade de que um jovem que está sendo preparado para defender a meta da seleção brasileira não tenha nível de conhecimento suficiente para fazer a diferenciação. O que seria um quase analfabetismo ludopédico e o impediria de colocar as coisas no devido lugar. Ora, crítica é uma coisa,  cornetagem outra. E sou capaz até de entender que exista gente por aí que  confunda uma com a outra tão parecidas que são. Mas não um boleiro.Seja como for, sigamos.

O futebol sem a figura solene do corneteiro seria destituído de parte de sua alma. O corneteiro é tão fundamental que precisa estar presente sempre. E sabemos disso tão intuitivamente, que não raro nos flagramos fazendo esse papel ou damos de cara com gente as pessoas mais improváveis aceitando fazê-lo. Juizes, artistas, presidentes de clubes e até padres. Acho, inclusive, que não tardará o dia em que o San Lorenzo acabará colocando Sua Santidade, o Papa, nessa situação. 

Além do mais, a falta de humildade para as críticas, dado o exagero da reclamação, sugere que o jovem goleiro, Caíque, não esteja ciente de que nossa seleção sub-20, apesar de tantas derrapadas recentes, ainda é a maior vencedora do torneio com onze títulos, quatro a mais do que os uruguaios e seis a mais do que os argentinos. O que justifica expectativas. E foi a primeira vez em vinte e oito edições do torneio que o Brasil terminou pela terceira vez seguida fora das três primeiras colocações do hexagonal. Logo, não foi à toa - nem por cornetagem - que uma matéria sobre o assunto tenha tratado como tragédia o fato de o time brasileiro sub-20 não ter conquistado vaga para o Mundial da categoria. Ainda que eu ache que tragédia é outra coisa. Mas diante dos resultados sou capaz de perdoar a alusão. 


O que jamais perdoarei é que se trate o corneteiro como um qualquer. Dia desses ainda voltarei ao assunto para lhes contar a versão que mais gosto do que levou o sujeito que não pensa duas vezes pra soltar o verbo contra o seu time ser popularmente chamado de corneteiro. Até lá e sempre,respeito !

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Futebol não é ciência


Só não vê quem não quer: o jogo é outro. Ainda que muitos o vejam com os olhos de sempre. O tempo transforma tudo. Nesse sentido talvez fosse mais interessante tentar explicar porque que é que só nossas cabeças e nossas manias resistem tanto. Acredito que por gostar tanto do jogo de bola é que os homens quiseram fazer dele algo sem segredo, como desde sempre os homens têm tentado fazer com o mundo e com a própria existência. Assim nossa velha brincadeira se encheu de ciência. E cercado de tanto estudo e teoria o futebol virou o que temos visto. 

Como não aceitamos a principal lição que se poderia tirar de tudo isso, a de que tanto no futebol quanto na vida segue sendo impossível saber ao certo o que nos leva ao resultado esperado, já era tempo de perceber que pensar demais costuma jogar contra. Mas o que acho digno de nota é que o momento tem tornado muito claro o abismo existente entre o que o futebol foi e o que ele é. E a melhor maneira de dar conta disso é prestando atenção ao discurso dos treinadores.

Há em atividade profissionais de várias gerações. Alguns continuam acreditando na versão menos cientifica do jogo, em geral amparados num empirismo que não raro dá conta do recado. E há em ação os que representam a versão mais moderna da coisa. E aí eu citaria o nome do jovem Jair Ventura. Pois creio estar na boca dele o tipo de discurso que mais tem contribuído para tornar clara essa cisão. As falas do treinador do Botafogo, a meu ver, deixam transparecer um futebol esmiuçado, estudado, amparado em observações de fundo científico. 

Mas entre a geração mais antiga e essa mais nova há ainda uma outra, representada por treinadores que misturam um pouco das duas. E o detalhe aí é notar que esse discurso moderno na boca deles não soa tão encaixado. E não os culpo. Trata-se de um discurso que eles tiveram de incorporar sem, de repente, ter realmente a convicção de que apontam o melhor caminho. Usam as tecnologias, se informam do que anda acontecendo pelo mundo mas estão - por uma questão meramente temporal - presos a certos conceitos. Veja, não estão errados.

É um caminho sem volta? Sim, por hora não vejo outro com tantos adeptos. Adiante, quem sabe, algum iluminado irá sacar que é preciso uma dose mais adequada de tecnologia. E que uma dose de velhos métodos - deve haver algum - também poderia fazer bem ao jogo e, o melhor de tudo, trazer resultado. Ma se isso acontecer, não será já. Possivelmente daqui alguns anos quando o mundo começar a sacar que não deveríamos viver de olhos tão grudados em smartphones, tablets e afins. Há muitos lugares pra se buscar conhecimento. 

O tema está posto e não deve ter sido por acaso que o técnico Rogério Ceni, depois da derrota do time dele para o Audax, diante do revés e da supremacia numérica do tricolor, fez questão de lembrar que o futebol não é matemática ou ciência exata. Eu vou além. Digo que, apesar de toda a contribuição científica, o futebol jamais será ciência. Embora exista um exército fazendo força para transformá-lo nisso.  

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sem essa de professor ! Treinador !


A FBTF - Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol - que tem no técnico santista, Dorival Júnior, seu vice-presidente, se movimenta para tentar aprovar o projeto de lei 7560/2014, proposto pelo Deputado José Rocha, da Bahia. A intenção é regulamentar a profissão no país. O projeto, como uma forma de homenagem, ganhou o nome de Caio Júnior.Os envolvidos têm a intenção de organizar uma manifestação no início de março, quando treinadores do Brasil e do exterior, que se dispuserem, entrarão em campo vestindo uma camisa com o logotipo da Lei.

Dorival Júnior, por sinal o treinador mais longevo da Série A do futebol brasileiro, deu a seguinte declaração ao site globoesporte.com:

– Nossa intenção é regulamentar a profissão, oferecendo segurança para os profissionais de todas as divisões. Com a procura por direitos e de um tempo mínimo à frente de um clube de futebol, sem ficar pulando de galho em galho. Perto de 70% dos treinadores do país, por exemplo, não têm carteira assinada. Isso é inconcebível em um país que ama tanto o futebol. Nós ficamos para trás.

Deve-se pensar na questão das contrapartidas, pra evitar o que hoje costuma ser chamado de "dança das cadeiras". Um dos entraves é o Conselho Regional de Educação Física, que não quer abir mão da exigência do diploma da área. Um debate importante e uma regulamentação que já deveria ter sido feita há tempos e que pode dar imensa contribuição ao nosso futebol.. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

2017: De olho no calendário !

Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo /Arquivo

Se tem uma coisa da qual o futebol brasileiro carece é de gente com atitude. Nesse sentido gostei muito de ter dado de cara com a entrevista concedida pelo técnico Paulo Autuori, pouco antes de o time comandado por ele, o Atlético Paranaense, estrear na Libertadores. Com categoria, diria até com elegância, Autuori foi duro ao criticar a CBF. E disse uma coisa que, embora soe óbvia, é algo pra se ter em mente sempre. A saber, o sucesso da seleção não é o sucesso do futebol brasileiro. 

Claro, o início do trabalho realizado pelo técnico Tite inevitavelmente faz pairar no ar a sensação de que o nosso futebol encontrou um rumo. O que se dá, acredito eu, por um detalhe muito interessante, que merece ser destacado: o lugar que a seleção continua ocupando no imaginário do torcedor. A seleção, de um jeito ou de outro, continua sendo um dos grandes signos da nossa relação com o jogo de bola. Logo, quando algo de bom se dá com ela recebemos, quase instintivamente, uma descarga de contentamento, pra não dizer de alívio.

Outro grande sinal que me veio com a declaração de Autuori foi a coerência dele. Em dezembro de 2015, quando os integrantes do movimento chamado Bom Senso foram até a porta da CBF para fazer uma manifestação e ler uma carta de protesto que pedia, entre outras coisas, a renúncia do presidente da entidade... lá estava Paulo Autuori. E se a memória não me trai foi o único treinador a dar as caras. Daquela época pra cá o Bom Senso perdeu força e os outros nomes de expressão que marcaram presença no ato não voltaram a falar com tamanha veemência sobre essa nossa realidade. 

E vale lembrar também que dois anos antes, em 2013, Autuori já tinha feito muita gente por aqui lhe olhar torto por ter dito que os treinadores brasileiros estavam defasados. Dessa vez  voltou a falar sobre o tema, não correu dele não, e até apontou o que nos levou a essa defasagem. E não deixou de nos lembrar, como tem feito também o Tite, da perversidade do nosso calendário. Por isso, se tem uma coisa à qual devemos ficar atentos a partir de agora é o que esse novo calendário irá fazer com o futebol brasileiro. As mudanças recentes farão competições importantes como o Brasileirão e a Libertadores serem disputadas em paralelo.

Em outras palavras, parecemos seguir na direção inversa àquela que gente que entende do riscado nos têm apontado. Chega a ser desolador constatar que depois de tantos escândalos o principal esforço feito pelos homens que comandam o futebol foi jogar mais uma dose de fermento em alguns dos seus principais torneios para que a realidade deixe de ser uma ameaça ao crescimento do faturamento. Diante disso tudo a temporada que agora começa terá a virtude de nos mostrar quais serão os efeitos colaterais das últimas cartadas dadas pelos cartolas. Temo que ao fim dela Autuori esteja parecendo ainda mais lúcido do que agora.  



* A entrevista  na íntegra pode ser lida aqui: 
http://bit.ly/2jYKxl8