quarta-feira, 29 de março de 2017

Sobre literatura e poesia

Ricardo Mituti é um companheiro de ofício, amante das palavras e, recentemente, me deu o prazer desse papo sobre literatura e poesia.

https://m.youtube.com/watch?v=ELoqziAwMBk.

De Temer pra Tite. Carta ou bilhete ?



Acabo de ler o que se chamou de carta. Falo das palavras de Temer para Tite. Tática clara pra tirar uma casquinha do brilho que ora se derrama sobre o escrete nacional. Uma missiva de sete, oito linhas, E ainda que seja possível sentir entre elas o espírito da Dona Lúcia, acho que em tamanho mais se assemelha aos recadinhos que ajudaram a fazer a fama do técnico Juan Carlos Osório, ex-São Paulo, que gosta de endereçar bilhetinhos aos seus comandados. Recurso, aliás, que até Rogério Ceni usou no mês passado quando o  tricolor enfrentou o Novorizontino. Ou seja. Carta nada! Bilhete, vai!

O futebol tá chato !

Por mais que o futebol ande pobretão em termos técnicos continua, e continuará, produzindo astros. Está na alam do negócio. Dizem que a mídia gosta de fabricar heróis e o futebol jamais reclamou. Um jogador elevado às alturas turbina as cifras. E matar a galinha dos ovos de ouro é coisa que não se faz. A mídia anda tão decisiva que o bandeirinha insultado por Messi, o que levou o argentino a ser suspenso, confessou que nem entendeu os insultos na hora e que só teve ideia do ocorrido quando viu a repercussão. O mecanismo explica porque hoje em dia se cola tão fácil o rótulo de craque em atletas que sequer engraxariam as chuteiras de um. 

Os elegidos estão aí e todos os conhecem muito bem. Não só pelo jeito de falar, mas pelas namoradas, pela invejável multidão que alimentam via redes sociais. Mas na semana passada um personagem de outra estatura midiática me chamou a atenção. Na busca de uma pauta para tratar do jogo entre Palmeiras e Mirassol eis que o jornalista, Emilio Botta, usou como gancho o reencontro do goleiro Vagner, do time do interior paulista, com o time alviverde, equipe com a qual ainda tem contrato até 2019. Vagner começou a interessar à grande imprensa quando em 2014 foi um dos destaques do Ituano, que tiraria o título paulista do Santos, graças a uma defesa feita por ele na disputa por penaltis. 

Depois disso foi procurado por times grandes mas acabou indo para o Avaí. Com o time catarinense foi do céu ao inferno. Viveu a alegria da volta à primeira divisão e na temporada seguinte a dor do descenso. O insucesso não lhe impediu o progresso. Acabou contratado pelo Palmeiras. E quis o destino que uma lesão afastasse o goleiro Fernando Prass dos granados e lhe alçasse à condição de titular. Mas o que era pra ser o apogeu não durou mais do que três partidas. Sem jogar bem viu o companheiro Jailson crescer- cair nas graças da imprensa - e ficar com a oportunidade que parecia dele. 

E foi simplicidade pra descrever o que viveu que Vagner me assombrou. Tratou o insucesso de modo cru. Disse ter sido um erro dele mais do que qualquer outra coisa. Não foi medo. Não era para ser, avisou. Em seguida admitiu que o que lhe resta é correr atrás e se tiver outra oportunidade fazer bons jogos. Quando o Avaí caiu, com lágrimas nos olhos, o arqueiro fez questão de lembrar dos campos de treinamento cheios de lama e dos salários atrasados. Lembrou ao repórter, ao ser questionado a respeito, que as cotas de televisão quando chegam muitas vezes são usadas pra saldar dívidas antigas, e que esperar melhorias nos gramados soava como fantasia. Afinal, se o clube não tinha conseguido nem bancar salário em dia, seria ingenuidade esperar melhorias no Centro de treinamento. E pra não deixar dúvida finalizou dizendo que hoje em dia o futebol dos times pequenos está largado.

Digo pra vocês que vi ali uma transparência que não tenho visto nas figuras que a mídia tem elegido nas últimas semanas. Jogadores como o palmeirense Felipe Melo, como o  são-paulino Maicon. Figuras que, coincidentemente, entre uma declaração e outra - dessas que a crônica gosta de explorar - fizeram questão de nos lembrar que o futebol anda chato. Aliás, frase das mais ouvidas nos últimos tempos. Concordo com eles. Mas se está chato não é por acaso.    

sábado, 25 de março de 2017

Canalhas !



Canalha!!! Bom, o fato de ser chamado assim e abrir um sorriso matreiro já deixa ver que João Carlos Albuquerque é figura singular. E também é atrás desse sorriso que se esconde o mais original apresentador esportivo da TV brasileira. A fórmula do Canalha é misturar sinceridade e verdade em doses que podem até incomodar o telespectador, mas que em geral o cativam. A mania de chamar os outros de Canalha gerou, inclusive, uma tremenda saia justa anos atrás com Jô Soares, que ligou pra tirar satisfação e acabou seduzido, se transformando em grande amigo do... Canalha! 
Quem conhece o João - e quem o conhece mesmo de outros tempos o chama na verdade de João Veronese - sabe que se trata de um cara criado no Bairro de Pinheiros, em São Paulo, que andou pelo mundo, conhece cinema italiano como poucos, muito poucos, e por isso escreve há décadas um livro sobre o tema, que eu desconfio ele tem medo de terminar, pois terá colocado fim àquele que é seu grande barato. E já que estamos falando de barato, outro grande prazer do João é tocar. E tocar com personalidade. Encarando entoar clássicos de Elton John e afins.
Hoje ele estará em Santos, se encarregando da trilha sonora enquanto Xico Sá rabiscará autógrafos no seu mais novo livro, o primeiro sobre futebol: A pátria em sandálias da humildade. Uma reunião de crônicas nas quais Xico destila toda a sua sabedoria sobre o homem e o jogo de bola, jamais deixando de incluir no caldeirão outros temas que lhe são muito caros, como sexo, por exemplo. Bobinho ele, né? A humildade, palavra que vai estampada na capa do livro, aliás, cai muito bem nesse dois cabras, que como os interessados poderão comprovar jamais se deixaram enfeitiçar pelo estrelismo mala que costuma infectar muita gente que fica na mira das câmeras de televisão ou que são por outros dotes tidas como figuras públicas.
Vai ser ali na calçada da Realejo, a partir das seis e meia da noite. Não se trata de um local desconhecido, nem pro Xico - que nunca perde a chance de confessar sua simpatia por este nobre município, dizendo que dia desses ainda vai de mala e cuia pra lá - e muito menos pro João, que se formou no velho segundo grau no mesmo colégio que eu, o Martim Afonso, ali às margens da Baia do Gonzaguinha, em São Vicente. E no início da carreira soltou a voz nos microfones da Rádio Universal e mais tarde na Atlântica, ao lado de nomes como Walter Dias.

E como se isso fosse pouco, o músico Julinho Bittencourt ainda ficou de aparecer pra dar uma canja com o Canalha. Julinho, que foi o responsável pela trilha sonora que embalou as noites da minha geração e de muitas outras, anteriores e posteriores. E isso no tempo em que balada era só o que alguns cantores andavam fazendo aqui e acolá. A mim bastaria os amigos lá reunidos pra dar um nó na agenda e tratar de cruzar a  Praça da Independência em direção a tão agitado pedaço de calçada. Estarão lá, que eu sei, vários de seus habitués, e hoje também essa dupla pra lá de especial, que vem de fora, e por quem eu tenho a maior estima. E aí, sabe como é, né? Não dá pra deixar passar. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Recado do time do Cartão Verde!

video

quarta-feira, 22 de março de 2017

Clássico temperado

Foto: Getty images

Hoje tem seleção! Há menos de um ano é bem provável que o aviso não fizesse você rever a agenda. Mas agora o papo é outro. Tite foi além do esperado e fez o torcedor voltar a se ligar na seleção. E que bem isso fez ao nosso futebol. Tite igualou recentemente uma marca que durou quase cinquenta anos. A de de ter vencido os seis primeiros jogos das Eliminatórias. Antes dele, a marca era do lendário, João Saldanha, comandante das feras que tempos depois nos dariam a inesquecível Copa de 1970. 

Os comandados de Saldanha na ocasião marcaram vinte e três gols, os de Tite têm dezessete. E se nos idos de 1969 a seleção levou dois gols nesse punhado de jogos, o time atual sofreu apenas um. Interessante notar que, mesmo com quase meio século entre as duas campanhas, conseguir fazer um gol no Brasil se revelou obra de uma mesma seleção, a colombiana. Com o detalhe de que o time de Saldanha diante dela levou dois mas fez seis. Enquanto a de Tite construiu um placar de dois a um. 

E também foi a Colômbia que na décima rodada segurou o Uruguai em casa. O empate por dois a dois permitiu que o time de Tite assumisse a liderança das Eliminatórias ao bater a Venezuela, na oportunidade, sem Neymar, suspenso. Por uma questão de regulamento em 1969 o Brasil não teve pelo caminho nem a Argentina, nem o Uruguai. E sejamos francos, quando lembramos que dessa vez a lista de resultados inclui um três a zero na Argentina a coisa encorpa. 

Uma vitória sobre a celeste, jogando em Montevidéu, fará desse primeiro momento de Tite algo ainda mais surpreendente. Em casa os uruguaios têm o retrospecto de seis vitórias em seis jogos e apenas um gol sofrido.É uma pena que os uruguaios não possam contar com o suspenso, Luiz Suárez, disparado sua grande estrela. Ainda que a celeste vá contar com seu artilheiro (e das Eliminatórias), Cavani, autor de oito gols até aqui.Também é de se lamentar a ausência do garoto Gabriel Jesus que até então travava com Neymar um duelo bacana pela artilharia brasileira dessa trajetória. Nos últimos seis jogos da seleção foram cinco gols de Jesus e quatro de Neymar.

Renato Augusto, questionado, sugeriu uma partida com jeitão de Libertadores. Quero acreditar que teremos futebol pra ir além disso. Você até pode dizer que o grande clássico sul-americano é travado com os argentinos, mas não dá pra dizer que falta tempero ao confronto. Brasil e Uruguai são os melhores times dessas Eliminatórias e, no caso do Brasil, há quem aposte que a vitória garantiria um lugar na próxima Copa. O jogo, de quebra, ainda fará de Oscar Tabarez, com cento e sessenta e oito partidas, o treinador que mais vezes dirigiu uma mesma seleção na história, deixando para trás o alemão Sepp Herberger. Tá temperado, ou não tá? 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Você ainda acredita no futebol?

Foto:LLUIS GENE/ AFP

Poderia abraçar outra questão. Não flertar com coisa que nas redações costumam ser chamadas de passadas. Ou frias mesmo, quando o português se faz mais claro. Fato é que a virada do Barcelona pra cima do PSG ainda ecoa. E isso mostra a sua magnitude. Não vou  me ater à simples questão do placar mas ao que ele foi capaz de revelar. O amigo que agora há pouco me parou aqui pra resgatar o tema se mostrava indignado com o fato de as pessoas não conseguirem perceber o quanto a câmera lenta muda a realidade. No que lhe dou toda razão. Acho que já disse até que na minha opinião comentaristas de arbitragem não deveriam ter esse direito. Deveriam aceitar com humildade o risco que seus iguais passam em campo. Ainda que hoje em dia já não dê pra dizer que os homens da arbitragem lá embaixo não saibam o que a imagem mostrou, o que as câmeras e seus recursos revelaram. Mas essa é questão simplória diante de tudo que a virada suscitou. 

Há outras  mais cabeludas, como o fato de tanta gente do meio ainda não ter tido a humildade de perceber que o futebol pode nos surpreender sempre. Dizer antes do fim que um jogo está decidido aos de bom senso deve ser visto só como um truque largamente usado por espertalhões para deixar no ar a impressão de que podem saber de antemão o que se dará em campo. E ao ler isto você, imagino, será capaz de lembrar imediatamente, sem grande esforço, de uma ou duas figuras que andaram por aí cravando essa.

Veja. O ponto crucial que notei em toda a discussão é que alguns da mídia tomaram uma posição tão extremada sobre a vitória catalã que foi difícil não ler nas entrelinhas que tudo só aconteceu por causa do árbitro. Não! Digo mais! Nas entrelinhas ficou a sugestão de que os que encantados com o ocorrido estavam sendo, de certa forma, ludibriados, vítimas de uma armação. Bom, ao chegarmos a este ponto fica muito claro que a desconfiança sobre a lisura do jogo só faz crescer. Ou melhor, que atingiu patamares nunca imaginados. Um jogo crucial do maior torneio de clubes do mundo em que o juiz deliberadamente tomou uma parte. 

Sou capaz de admitir que diante de tudo que se sabe sobre apostas e afins hoje em dia isso não deve ser exatamente motivo de pasmo. Mas se passamos a tecer comentários amparados nessa desconfiança o que virá depois? Não seria o caso de colocar a mão no fogo pelo homem que em tarde tão ímpar foi encarregado do apito. A influência no resultado, quero crer, não foi maior do que as que temos visto por aí. Estou convencido de que o que se deu ali não se resumiu a isso. Houve futebol. Bom futebol. Neymar, depois do PSG fazer o gol, levou um chapéu na direita em jogada que acabou com a bola batendo na trave. Com que moral não estariam os espertalhões a essa hora se o time francês tivesse marcado mais um gol? É triste constatar que foi-se o tempo em que podíamos desfrutar - sem desconfiar - dos momentos grandiosos que o futebol oferece

quarta-feira, 8 de março de 2017

Seu futebol, sua vida

Foto: Antonio Alexandre Estre


Durante a minha infância e ainda na entrada da adolescência era sempre ele que se encarregava de fazer a bola rolar. Quando todos estavam naquela preguiça depois do almoço e a meninada se mostrava disposta a bater uma bola lá ia ele com a gente pro quintal ou para a praia. Nunca resistiu à brincadeira. Salvava a molecada do tédio e secretamente saciava uma vontade que tinha também. Quem o conhece sabe, sempre teve fome de bola.

Ao longo da vida foi dessas figuras indispensáveis para que o jogo aconteça. Aquele sujeito que trata de arranjar os uniformes, comprar a bola, acertar o local onde será travada a pelada. E, nesse caso, para desespero da minha tia, ainda levava o jogo de camisas pra lavar em casa. Devia ter prazer em vê-las tremular no varal. Agiu sempre como essa espécie de cartola informal que o jogo de bola sempre exigiu. Duvido que você não tenha conhecido alguém com vocação parecida ao longo da vida. Aquele amigo que sempre batia na sua porta com a bola embaixo do braço. Aquele que antes de se despedir fazia questão de lembrar uma vez mais que no dia seguinte tinha jogo contra a turma da rua de trás. 

Talvez seja poético demais, mas jamais será exagero dizer que boleiros com essa inclinação sempre foram verdadeiros semeadores de futebol. E que bem fizeram ao jogo ao longo da história! Logo, não foi à toa que a tristeza bateu quando, já aos setenta e dois anos de idade, o corpo reclamou dos movimentos que a brincadeira exigia. O bendito joelho, essa dobradiça tão vital. Só ela mesmo pra lhe fazer um ausente. Impedido de bater uma bolinha nunca foi o mesmo. Como poderia? Mas tratou de manter os laços como podia. Na sexta preparava a berinjela no azeite. As torradas. O petisco que ia acompanhar a cerveja depois da pelada. Não se deu por vencido. A paixão não deixaria. 

Encarou fisioterapia e até uma musculacãozinha. A barriga pronunciada nunca foi problema. E você pode duvidar, dizer que é história pra boi dormir, mas ele voltou, meu Tio Afonso voltou a jogar aos setenta e nove. O homem tá lá na meiuca, cheio de estilo, só distribuindo. Provando para os céticos que o campo é mesmo cheio de atalhos. E tem ido muito além deles, acreditem. Contou pra mim - com aquela empolgação que eu conheço desde moleque -  o que aprontou em campo outro dia ao ver o lateral descer em velocidade. Se adiantou um pouco. Teve a petulância de invadir a área. E quando mirou a bola vindo não resistiu. Se jogou na direção nela, de peixinho! A ousadia fez um silêncio súbito pairar no campo. Só quando teve que se levantar é que se deu conta do que tinha feito. Aos poucos os olhares preocupados foram sendo substituídos por outros que estampavam surpresa. Percebeu o risco que correu. Achou que valeu. Se sentiu um moleque de novo, vivo. Só ficou faltando o gol. Mas saibam: foi por pouco, muito pouco



dedicado ao meu Tio Afonso Estre

terça-feira, 7 de março de 2017

Libertadores ou Brasileirão ?



Vai começar a fase de grupos da Libertadores. Com a mudança do calendário o torneio continental irá rivalizar como nunca em importância com a principal competição do futebol brasileiro. Afinal, pra você, qual dos dois é mais importante?

Libertadores ou Brasileirão?  


quarta-feira, 1 de março de 2017

O ano vai começar

Diz a lenda que o ano só começa quando o carnaval acaba. Mas conhecendo bem este singular país não seria exagero dizer que o ano começa mesmo é na primeira segunda depois da quarta-de-cinzas. Pois você - como bom brasileiro - há de saber como é. Terminada a folia sobra só um restinho de semana e aí quando a gente pensa em trabalhar dá de cara com a sexta -feira e ninguém é de ferro. 

Agora, vamos falar sério. Por mais que esta maneira de pensar esteja arraigada no nosso imaginário ouso dizer que ela é um desrespeito com quem desde sempre não teve outra saída a não ser correr atrás da bola, nesse caso em sentido figurado. E o time dos que jamais tiveram outra saída é imenso. Quero crer, muito mais numeroso do que o time que espelha esse modus vivendi, essa grandeza. Talvez só mais uma questão, entre tantas, que acaba soando como verdade pela visão de mundo imposta por uma minoria. 

Mas se faço aqui essa abertura é pra dizer que o calendário atual do futebol brasileiro tem ao menos a virtude de colocar por terra isso tudo. O carnaval nem bem acabou e já vimos o São Paulo vencer na Vila depois de um longo jejum. O Corinthians vencer o Palmeiras em Itaquera com um a menos e com um gol solitário daquele que talvez seja o mais contestado atacante do futebol brasileiro. Vimos o Botafogo e o Atlético Paranaense enchendo suas torcidas  de orgulho, travando verdadeiras batalhas por um lugar na fase de grupos da Libertadores. E que batalhas. Daria pra dizer, como se diz por aí, que gente como o atacante Rodrigo Pimpão e o goleiro Gatito Fernandéz já ganharam o ano. O primeiro ao marcar e o segundo ao evitar gols que deram outro horizonte ao time carioca. 

Até mesmo esse Mirassol que acaba de conhecer a primeira derrota no Campeonato Paulista, mas que ainda ostenta a segunda melhor campanha do torneio na frente de muita gente grande merece registro entre os acontecimentos deste ano que dizem alguns nem teria começado. E vai dizer pro Xuxa, artilheiro do Mirassol e do Paulista, que o ano ainda vai começar, vai lá. Mas como nem só de grandes feitos e feito um país. E pra que não digam que nosso futebol passou a ser exemplo, tivemos aquela bagunça na semifinal do Campeonato Carioca, quando quarenta e oito horas antes da partida a torcida ainda nem sabia se Vasco e Flamengo iriam jogar e onde. 

Cá entre nós, o futebol brasileiro tá longe de ser exemplo. E toda essa pressa no fundo só o torna mais imperfeito do que já era. Seja como for, não custa tentar, vamos copiar o calendário do velho futiba, vamos mandar pro Congresso, pro Senado. Vamos fazer quem decide o rumo dessa nação entrar em campo sem pré-temporada. Sem descansar as setenta e duas horas que prometem colocar qualquer atleta em forma de novo. Quem sabe não chegaremos à conclusão de que o sujeito que bolou esse nosso calendário atual na verdade é um gênio. E se não virar, que valha a mais velha lei do futebol: não deu resultado a gente troca.