sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A ruína do esporte brasileiro


O Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros não foram demolidos mas têm sucumbido diante do descaso com nosso patrimônio.  Lembro que anos atrás - durante entrevista ao Roda Viva - perguntado sobre o  tema o nadador, César Cielo, disse que a piscina do Delamare era uma preciosidade. Do Célio de Barros bastaria dizer que foi palco para atletas como Ademar Ferreira da Silva, por exemplo. Muito triste. Segue abaixo matéria sobre a situação atual desses dois lugares. Nos outros dois links: como a situação foi prevista e uma visão urbanística da importância dessas duas praças esportivas. 


A triste rotina dos esquecidos Célio de Barros e Júlio Delamare

Vamos retroceder 15 anos sem Célio de Barros

Patrimônio desportivo e educacional brasileiro

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Futebol tecno, lógico !

 
O bom senso manda relevar aquele futebol nada empolgante que seu time possivelmente andou mostrando até agora. Não seria justo, e muito menos proveitoso, exigir algo que saltasse aos olhos quando a temporada nem bem começou. Concordo com o raciocínio, mas não me furto a observar que ele seria bem mais consistente se ao longo dos últimos anos depois de algum tempo nossos times de elite tivessem exibido uma melhora significativa. O que não tem sido o caso. 

Um argumento pode até não justificar o outro mas pedir que o torcedor deixe de ser passional, imediatista até, seria a última fronteira para fazer do jogo de bola algo frio. Ainda bem que tá pra nascer tecnologia capaz de substituir o ranger dos dentes, os dedos cruzados, as figas, os socos no ar, os palavrões repentinos, aquela superstição de lógica esquisita. Estamos nesse aspecto na contramão do que anda ocorrendo com o jogo propriamente dito. É incrível. No ato de torcer continuamos sendo quase demodês, pré-modernos. O que é de uma beleza redentora. 

Digo isso pois li outro dia uma manchete que dizia que o técnico Roger Machado anda vivendo dias de Disney no Palmeiras. Acabara de convencer o clube a comprar uma nova ferramenta para seu Centro de Inteligência. Com ela será possível, dizem os entendidos, calcular métricas e variáveis relativas ao tempo de recuperação da bola. Munido do aparato o treinador saberá quanto tempo o atleta comandado por ele leva para combater o adversário, quanto tempo o time fica com a bola em cada setor do campo e, detalhe interessante: quanto tempo cada jogador fica com a bola. 

É a tecnologia desmascarando um dos tipos mais famosos entre a boleirada, aquele que costuma se esconder do jogo. Isso sem falar no monitoramento por GPS, no uso de drones - para olhar o próprio time e não o dos outros é bom que se deixe claro. Detalhes que vão  dando à imprensa munição para fazer de Roger Machado uma figura simbólica desse futebol tecnológico. Mas eu, aqui do meu canto, gostei mesmo foi de ler que depois de tudo isso o técnico palmeirense pra poder mostrar aos atletas todas as descobertas e conclusões pega mesmo é a velha lousa e leva pro meio do campo. 

E aí a ciência e a tecnologia, creio, são devidamente traduzidas para o boleirês. Que me perdoem os mais modernos. Da ciência sempre fui um admirador, sempre achei que bateu um bolão. Mas com a tecnologia o papo é outro, olho pra ela desconfiado, como quem está de cara com alguém, ou algo, que pode num instante lhe colocar a bola entre as pernas, entende?  

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

"Tem que ter uma cabeça muito boa pra aguentar"



Palavras do goleiro do Palmeiras, Fernando Prass, ao comentar a condição atual de reserva no primeiro Cartão Verde, ao vivo, da temporada. Clique e assista.

Cartão Verde 08/02/2018

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Nossos carnavais



Estamos à beira da folia como vocês sabem. Folia, em tempos passados era uma maneira carinhosa de se referir ao carnaval. Este por sua vez, lembro muito bem também, era palavra usada no mau sentido quando se queria dizer que algo estava uma bagunça, uma esculhambação. De onde concluo que o que estamos vivendo mais ou menos desde 1500 não passa de um longo carnaval. É ou não é? Nunca tive vocação pra folião mas confesso na juventude ter me entregado aos prazeres de um ou outro reinado de Momo. Hoje em dia no máximo arrisco colocar um dedo e outro pra cima em cadência num domingo de carnaval ali na barraca de praia do Aurélio. 

Lamento toda a descaracterização dessa nossa grande festa popular e o fato de termos de lidar cada vez mais com as mazelas nascidas da promiscua mistura entre carnaval e futebol. Uma mostra já nos foi dada dias atrás quando foliões são paulinos e palmeirenses se encontraram num trem da CPTM em São Paulo levando pânico aos que lá estavam. E como deve ser do conhecimento de vocês, os grandes times da capital paulista têm escolas de samba a lhes representar no grande desfile. Logo, os organizadores precisaram pensar estratégias no intuito de evitar que rivais se encontrem numa mesma noite, sob pena de ter na avenida um espetáculo indesejado. É nisso que temos nos tornado, um povo com certa dificuldade para lidar com quem gosta de um time que não é o nosso, um partido que não é o nosso, uma escola que não é a nossa. 

As eleições dos clubes estão aí pra provar. Se alguém duvida é só lembrar que no último sábado, depois de eleito, o novo presidente do Corinthians precisou se esconder num banheiro feminino para não apanhar. Situação, claro, que está longe de ser privilégio corintiano. Perverso é que sem poder contar com um bom esconderijo e com uma turma devotada de seguranças repórteres acabaram agredidos. O eleito, Andrés Sanchez, deputado federal, personifica muito bem outra mistura que em nada nos tem enobrecido: a do futebol com a política. 

E por falar em carnaval, a palavra também já foi muito usada pra falar de algo - ou alguém - que quer aparecer, ficar em evidência. Qualquer semelhança com socialites é mera coincidência. Lembrei disso por causa de todo o carnaval que andam fazendo com essa questão do árbitro de vídeo. Resolver que é bom, nada. O carnaval seguirá. E triste dos que pensam que bastará um recurso eletrônico pra nos livrar de sair de certos jogos nos sentindo como se estivéssemos vivendo a ressaca de uma quarta-feira de cinzas.    

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Na hora de pagar a conta...todo mundo se escondeu !


Foto: arquivo Lance


Em resumo, a implementação do árbitro de vídeo custaria, ou custará, 20 milhões. Uma conta que nem a CBF e nem os clubes da Série A querem pagar.  Assim, no Brasileirão ficará tudo como está. A questão foi decidida em Conselho Técnico realizado na tarde desta segunda-feira. Agora, vender mando de campo na Série A está liberado. É o futebol brasileiro deixando transparecer toda a sua vocação para a modernidade, para a equidade.




sábado, 3 de fevereiro de 2018

Que tal fazer algo que dignifique seu time?


Agredir jornalista , sabemos todos, não é exemplo.


Repórter é agredido após eleição no Corinthians


Como acabo de escrever no Twitter, aos companheiros vítimas dessa selvageria,
digo o seguinte: Força, cabeça erguida, que só imagina que esse ofício é cheio de 
glamour aqueles que não o conhecem. 




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um recorte do Brasil atual

J.Ricardo / Estação Conteúdo

Dois episódios ocorridos nestes últimos dias do ano são exemplos da nossa realidade social refletida no futebol. O primeiro, a selvageria registrada nos arredores e na entrada do Maracanã no dia da final entre Flamengo e Independiente, da Argentina, pela Copa Sul-Americana. Onde vimos um descaso, um despreparo total das autoridades e instituições envolvidas para lidar com a crueldade desses dias que correm. Faz tempo que gente mal intencionada descobriu que invadir o Maracanã à força é possível.  Aliás, até os chilenos sabiam disso. Durante a Copa realizada aqui uns cem se reuniram por ali e simplesmente dispararam estádio a dentro via Sala de Imprensa, levando pânico aos que trabalhavam no local. 

Em agosto, num Flamengo e Botafogo, as cenas foram as mesmas de agora. Torcedores enfrentando a Polícia Militar, invadindo o estádio. Sem contar as confusões geradas por ingressos falsificados, outra constante. Em setembro se deu o mesmo. Na final da Copa do Brasil, antes de Flamengo e Cruzeiro entrarem em campo, balas de borracha, invasão e torcedores dentro do estádio colocando grades abaixo para mudar de setor. No caso mais recente, esse da Copa Sul-Americana, quando o clube rubro-negro e a Polícia discutiam para descobrir o menos culpado, ficamos sabendo que as barreiras montadas para impedir que torcedores sem ingressos chegassem até o estádio estavam fadadas ao fracasso porque era simplesmente impossível saber se os cartões que a multidão ia apresentando estavam, ou não, carregados com os ingressos. 

Tão lamentável quanto a falta de métodos eficazes para evitar que assistir um jogo de futebol não seja um risco de morte é a atitude selvagem de quem se apresenta ali para se aproveitar, para roubar, para brigar, deixando milhares de inocentes com a vida por um fio. Gente que, imagino eu, no cotidiano miúdo vive dizendo que o país precisa mudar. 

E o outro episódio pontual foi a punição imposta pela FIFA ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, impedindo o cartola de realizar por noventa dias qualquer atividade ligada ao futebol. Ora, nem o mais inocente dos torcedores é capaz de acreditar que o dirigente não segue mandando em tudo. O jatinho e helicóptero da entidade, como foi noticiado, seguem à disposição dele, replicando o mesmo teatro que se vê encenado em outras áreas. Na política, por exemplo. E assim a violência dos que roubam, dos que causam desordem, vão fazendo do nosso cotidiano algo cada vez mais bizarro. Quando uma sociedade adoece, como adoeceu a nossa, esperar que o futebol melhore beira quase o egoísmo. É preciso, bem antes disso, salvar de um colapso total este país que na próxima Copa será chamado de o mais vencedor da história. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O melhor seria não dizer nada


A frase de Luigi Pirandello me voltou à memória quando lia sobre o burburinho provocado pelo técnico do Grêmio ao dizer que jogou mais do que Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo que, por sua vez,ao receber a quinta bola de ouro dias atrás afirmou ser o melhor da história. 

"Tem ideia de quanto mal nos fazemos por essa maldita necessidade de falar?"

E viva Pirandello!


   

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ademir da Guia e Rivellino no Cartão Verde !


Hoje teremos o prazer de ver, lado a lado, dois dos maiores nomes que o futebol brasileiro já teve. O programa é exibido, ao vivo, pela TV Cultura, às 22h30. Venha bater uma bola com a gente?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Futebol, quanto mais a gente conhece...

Martin Fernandez/GloboEsporte.com 

Uma coisa é se divertir com futebol. Outra, bem diferente, é tê-lo como matéria de ofício. E a diferença inquietante entre as duas coisas é que no primeiro caso podemos abstrair o todo, no segundo, jamais. Não foram poucas as vezes em que me senti como um perverso desses capaz de tirar um sorvete da boca de uma criança. E isso nunca foi premeditado. O que se dá é que muitas vezes o papo começa despretensioso e na empolgação você vai dividindo com o interlocutor detalhes que costumam ser esquecidos e quando se dá conta o papo já virou meio policial, com enredo que só a máfia sabe emprestar a eles. 

Foi por isso que cunhei a frase, cujo trecho usei acima como título. Frase que é a seguinte: Futebol, quanto mais você conhece mais difícil fica de gostar. Foi o jeito que encontrei pra tentar resumir o sentimento que me assola quando sou obrigado a lidar com esse lado nada nobre do mundo da bola. O que, devo dizer, costuma acontecer com frequência. Ainda mais agora quando temos um ex-presidente da CBF sentado no banco dos réus lá em Nova Iorque gerando manchetes quase diárias com novos detalhes sobre o que vem à tona toda vez que um dos envolvidos no caso é chamado pra se explicar. 

Creiam, nada disso causa espanto em quem está habituado a conviver com os detalhes desse universo. Agora, confesso ter sido surpreendido pelo fato de alguns meliantes terem sido levados para a cadeia por fazerem parte de um esquema de repasses de ingressos de futebol para torcidas organizadas. Pois se os papos sobre propinas milionárias sempre circularam por aí em tom de verdade esse esquema dos ingressos idem. E até hoje absolutamente nada de significativo tinha sido feito. Levada às últimas consequências isso significaria uma limpeza considerável no meio. 

Há muito pra ser feito. Inclusive, despertar em cada torcedor a importância de separar o  futebol da política. Evitar que ele seja usado com esse fim. Até porque está pra nascer um administrador no meio futebolístico com capacidade para melhorar nosso quadro politico. Ao menos entre os que usam o jogo de bola como trampolim. Vejam o caso de Andrés Sanchez, deputado federal e candidato a presidente do Corinthians. Ao ser perguntado se pedirá licença, caso seja eleito, afirmou que o faria no dia seguinte, para em seguida dizer que ficaria no comando do clube quatro, cinco meses e depois veria o que fazer. Um desavisado torcedor corintiano pode achar que de qualquer modo terá seus interesses cuidados. Se não como cidadão, como corintiano. Mas se alguém ainda é capaz de votar pensando no time que torce, como diria um velho amigo, parei.   

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A arte de Jozef Israels - 1824/1911

Children Of The Sea Paintings


                                   *  clique na imagem

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Personagem: Jair ventura



A reta final do Botafogo nesta temporada soou como um desajuste. O futebol não prima pela justiça, todos nós sabemos. De outra forma o time carioca teria merecido mais. E quem dirá que deixar de contar, em momento chave, com um jogador vivendo a fase que vivia o Roger não é um baque ? E Jair teve de lidar ainda com outras sérias ausências. 

Lendo agora há pouco a entrevista do treinador botafoguense no globoesporte.com achei que seria merecido deixar aqui esse registro. Já escrevi neste espaço elogios sobre o conteúdo das entrevistas concedidas por Jair Ventura, a maneira de interpretar o jogo e tal. O discurso dele só destoou quando em agosto se mostrou reticente com a chegada de treinadores estrangeiros, usando pra isso a mais rasa das justificativas: " Estão tirando espaço".


Jair nem deveria se preocupar com isso. Pelo estilo - e pelo que o time comandado por ele mostrou - me parece ser o mais promissor dos treinadores que aí estão. E, ao contrário do que muitos pensam, não é exatamente uma revelação, como fez questão de lembrar a quem o entrevistou. 

"Cheguei em 2008 como estagiário de preparação física. No ano seguinte fui efetivado como quarto 
preparador. No final de 2009 virei auxiliar técnico do Ney Franco. Em 2010 fiz meu primeiro jogo 
como interino, com apenas 30 anos. Foi nessa época que fui trabalhar nas categorias de base da CBF, 
onde fiquei por três anos. Disputei três sul-americanos e um Mundial. As coisas começaram a andar. 
Parece que as coisas aconteceram muito rápido, mas meu primeiro curso de treinador foi em 2005. 
São 12 anos percorrendo nesse caminho. "     

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Juca Kfouri no Cartão Verde



O homem é quase fundador do time. Acaba de confessar as derrotas sofridas em um livro de memórias. Disse que vinha pra falar do hepta corintiano, quando isso ainda não estava sacramentado. Enfim, o papo começa às 22h30, ao vivo, na TV Cultura

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A mão de Maradona




O fato se deu certo dia quando me encontrava em San Martin de Los Andes, na Argentina. Ao voltar pro hotel, fugindo da neve que começa a cair, notei um corre corre. Curioso, perguntei o que estava acontecendo. Os funcionários tinham praticamente abandonado seus postos. Reorganizavam a sala de TV. Rapidamente alinharam poltronas e deram ao lugar um quê de sala de cinema. A resposta veio urgente:

_ É que vai começar o programa do Maradona.

Entendi tudo. Na época o craque tinha começado a comandar um programa de televisão," La Noche del Diez". Uma produção fantástica. Cenário grandioso. Não resisti. Arrumei logo um lugar pra partilhar da sessão. A certa altura do programa Maradona era convocado a relembrar alguma história que tinha vivido em campo. Naquele dia - pra minha sorte - escolheu reviver o famoso gol de mão marcado contra a Inglaterra na Copa de 86. 

Com seu jeito cativante disse que ao mirar a bola percebeu que usando a cabeça jamais chegaria nela. Resolveu apelar. Ergueu o braço e mandou a pelota pro gol. Estava certo de que o juiz anularia o lance. Mas ao aterrissar notou, incrédulo, que o bandeirinha corria pra linha de meio de campo. O gol tinha sido validado! Lembrou que quase foi ao desespero ao perceber que os companheiros de time tinham notado tudo e estavam paralisados. 

Discretamente com uma das mãos junto à perna fez sinal para que viessem imediatamente abraça-lo. E no instante seguinte lembrou que seu pai estava na arquibancada. Sabia exatamente onde costumava ficar. E se surpreendeu ao cruzar seu olhar com o dele. O pai tinha um semblante explícito de reprovação, que segundo Maradona dizia o seguinte:

_ Não acredito que você fez isso!

Bom, tanto ouvi e falei sobre esse lance, mas jamais esqueci dos detalhes e daquela versão detalhada e bem humorada dada pelo próprio Maradona. E a lembrança me veio de novo dias atrás durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Foi quando o inglês Lineker - que estava em campo naquele dia - ao ver o argentino mexer a mão para sacar uma bolinha de um dos potes, não deixou a chance passar e cravou:

_ Maradona, sempre bom com as mãos.


Uma estocada genial. Gary Lineker terminou o Mundial como artilheiro em 86. Mas viu o título literalmente ir parar nas mãos de Dieguito, o maior jogador argentino de todos os tempos. Não o mais honesto. Os adoradores de Di Stéfano que me perdoem.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Os clubes devem discutir a relação com a torcida

Ronaldo Theobald


Estamos vivendo aquela onda de final de temporada. Seleções do campeonato, premiações. Um mar de especulações sobre transferências de jogadores, sabe-se  lá com que intenções. E, no meio disso tudo, o Brasileirão vira e mexe é posto no divã. Mas há um outro viés, pouco, muito pouco analisado, que merece atenção. Falo de se pensar o futebol do país através do comportamento da torcida. A temporada que chega ao fim registrou um sem fim de ocorrências envolvendo torcedores. O número de times que se viram às voltas com ameaças feitas em nome dela, bem como o de jogadores, foi grande.Um reflexo da violência  que tem se instalado no nosso cotidiano e que tem tudo para se agravar. Portanto, exige alguma atitude. 

Hoje, no Congresso Brasileiro de Direito Desportivo realizado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, se falou sobre a relação que os clubes devem estabelecer com as torcidas. Leco, presidente do São Paulo, defendeu proximidade com as organizadas. Talvez, acuado por ter aberto as portas do CT do clube para elas duas vezes este ano. Defender o contrário não faria sentido. 

No link abaixo está a matéria de Marcio Porto e Willian Correia feita para o "Lance", que  traz ainda a posição defendida pelos outros presidentes dos grandes clubes de São Paulo. O papel da impunidade - que considero a chave para a solução de boa parte de nossos problemas - também fez parte das reflexões. Se o futebol brasileiro já anda sem brilho a atitude de alguns, em nome da torcida, tem tudo para torná-lo opaco de vez.  



Leco quer organizadas e clubes próximos; rivais focam em punição

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Dorival Júnior no Cartão Verde



O treinador do São Paulo será o nosso convidado desta quinta-feira. Passa lá pra bater um papo com a gente. O programa é exibido toda quinta, ao vivo, a partir das 22h30.  

Participe:  
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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A cura pela literatura ( um convite )


terça-feira, 28 de novembro de 2017

O futebol como retrato de um país

Photo Premium/ Folha Press

O que dizer de um país em que torcedores inconformados com uma derrota ou um rebaixamento derrubam parte de um alambrado e colocam um time inteiro da primeira divisão pra correr? Confesso que, às vezes, me pego surpreendido por cenas como as que foram vistas no Moisés Lucarelli no último domingo não desaguarem numa tragédia de proporções imensas. Afinal, os atos que provocaram tudo são de uma selvageria inconcebível. De uma inconsequência terrível. E saber que ninguém pagará por colocar tantas vidas em risco é de doer. Ver nas arquibancadas crianças com os olhos ardendo de gás pimenta é triste demais. 
 
A impunidade é como um parasita que vai exaurindo nosso país. Fosse apenas o futebol sua vítima por certo estaríamos bem melhores. Meio otimista, meio realista, vira e mexe me flagro numa descrença monstruosa com o homem e o com o destino que ele vai dando ao mundo. Essas delações, por exemplo. Vão me dando a impressão de que no fundo, no fundo, feitas todas as contas, o crime por aqui compensa. Ora, ladrões não podem ter em juízes algo que se pareça com um padre, um confessor. Diante do qual assumem seus pecados para em seguida ouvir quanto devem pagar. Em espécie ou penitência. Penitência muitas vezes breve como um punhado de orações. 
 
O que estamos vendo é uma sociedade inteira se brutalizar. Não terá sido por acaso que a temporada do nosso futebol, esta que vai chegando ao fim, se revelou farta de casos de torcidas tentando intimidar não apenas jogadores, elencos inteiros. E assim, domingo após domingo, os mais atentos vão percebendo que o jogo de bola é só uma janela que costuma se abrir vez ou outra revelando o teatro absurdo que estamos vivendo.