terça-feira, 29 de novembro de 2016

Meus sentimentos...

... a todos os atingidos pelo acidente.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fidel - por Eduardo Galeano


Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.
E nisso seus inimigos têm razão. seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. E nisso seus inimigos têm razão.Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes. E nisso seus inimigos têm razão.
Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.
E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.
E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.
E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.
Do livro "Espelhos, uma história quase universal", tradução de Eric Nepomuceno. Publicado no site Outras Palavras.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Olhando a tabela do Brasileirão!

Tive a impressão de ter ouvido em algum momento que as últimas três rodadas do Brasileirão deste ano teriam todos os jogos disputados no mesmo horário. Recorri ao Google e nada encontrei que amparasse isso. Mas encontrei lá uma notícia de 2010 anunciando que nas das últimas rodadas os jogos do Brasileirão daquele ano seriam todos no mesmo horário. Se foram mesmo...a ver. 

Mas não foi este ano que andamos para trás. Nos anos que se seguiram a 2010 esse cuidado se deu só na derradeira rodada. E, de cara, quando olho a tabela isso me causa incômodo. Botafogo e Corinthians disputam uma vaga na pré-Libertadores, por exemplo. E o que se dará? O time carioca entrará em campo uma hora antes de seu adversário direto. É um detalhe, é! Mas não é certo.

Os menos chatos do que eu dirão que os jogos-chave estão posicionados no mesmo horário. E eu vos digo: o que são exatamente jogos-chave? Dizer uma coisa dessa é como aquela chamada que anuncia o jogo mais importante da rodada. Jogo principal pra quem, ô cara pálida?, seria o caso de perguntar. A importância depende do coração de cada torcedor.

O Internacional, por exemplo, estará em campo às cinco da tarde do domingo. Vai receber o Cruzeiro, no Beira-Rio. O time colorado tem três pontos a menos do que o Vitória, que está uma posição à frente, e neste momento é o primeiro time fora da zona de rebaixamento. Mas o Vitória só entrará em campo ás oito da noite. O que pode significar ter de lidar, além de tudo, com a pressão exercida por uma possível vitória do Inter. Ou com a "tranquilidade" de saber que o Inter não venceu.

E assim vamos. O Grêmio, outro exemplo, só quer saber da Copa do Brasil, certo? Certo. Mas vamos supor que o Botafogo perca e o Corinthians também. Então, uma vitória poderia colocar o time gaúcho entre os seis primeiros, e esse pode não ser o objetivo do time, mas saber que se, de repente, algo der muito errado na Copa do Brasil, ainda haverá a possibilidade de chegar à Libertadores pelo Brasileirão não deixa de ser confortante. E se os resultados de Corinthians e Botafogo por ventura acontecerem o Grêmio estará sabendo, pois só entrará em campo às sete e meia da noite do domingo.

Colocar todos os jogos no mesmo horário seria um problemão para a grade de programação da TV ? Sim, mas nem tanto. Conteúdo para ser exibido existe. Do que não se abre mão nesse caso é da possibilidade de tirar o máximo proveito do produto comprado. Ainda pra que isso seja preciso deixar o futebol brasileiro um pouquinho menos justo.               

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Hoje é dia de Cartão Verde !


E o nosso convidado  é o presidente do Santos FC, Modesto Roma Júnior. Pinta lá na área pra fazer uma tabelinha com o nosso time! Entramos em campo às 22 hs, ao vivo, na TV Cultura.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

São Paulo FC : A vez de Rogério Ceni?

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

De todas as impressões que trago comigo sobre a temporada do São Paulo a que alimento com mais convicção é a de que ela acabou até ofuscando um pouco o belo momento vivido pelo jovem Rodrigo Caio. Mas é só uma observação. Pois o assunto que se impõe no tricolor paulista é a possível chegada do ídolo, Rogério Ceni, para ocupar o lugar deixado por Ricardo Gomes, demitido hoje.

Ouvi gente por aí falar no Rueda, atual treinador do Atlético Nacional. Embora não conheça seus métodos detalhadamente, pela trajetória que vem construindo soa como um ótimo nome. Erro seria fechar as portas para um profissional de fora depois de o clube de ter vivido tudo o que viveu ao optar por Osório, e mais tarde por Bauza. Sigo considerando olhar para além das nossas fronteiras uma virtude. 

Com relação à chegada de Rogério Ceni, considero o momento inoportuno, não só pela rapidez com que se dará a volta, mas principalmente pelo fato de acreditar que, em qualquer profissão, pular etapas envolve um risco considerável. No entanto, Rogério conhece profundamente o universo do futebol, e mais ainda o clube com o qual esteve envolvido desde sempre. 

Diante da mínima possibilidade de ter sido lembrado porque - além de tudo o que sabe - ajudaria a acalmar a torcida, ou porque enxergam nele uma espécie de trunfo político, deveria cair fora. Até nisso o passar do tempo seria bem receitado. Escolhido em outro momento poderia se livrar de qualquer dúvida do tipo e, penso eu, estaria mais propenso a pensar em um São Paulo realmente modificado, que já não tenha nada a ver com o São Paulo que ele deixou ainda há pouco.              

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sobre mídia, representação política e... literatura !



Submissão, o último livro de Michel Houellebecq, já pintou aqui no blog como dica de leitura. É realmente provocadora a sensação que toma o leitor mais atento ao cenário político-cultural francês depois  de percorrer estas páginas. Houellebecq faz uma trama  ficcional, mas a situa tão perto temporalmente que acaba criando em nós uma tensão nascida do fato de nos fazer perceber que toda aquela realidade imaginada é factível. 

É  interessante também como o personagem principal - de início tão refratário aos acontecimentos - vai se deixando seduzir pela nova realidade que se apresenta. E como se não bastasse há o fantasma da direita extrema...tão real. Houellebecq esteve no Brasil dias atrás. Em entrevista para a repórter Úrsula Passos falou sobre a relação que mantém com a mídia e sobre um certo vácuo deixado pelos políticos. Palavras que dão a impressão de refletir uma realidade que parece nossa também. Leia abaixo um pequeno trecho da conversa. 


***

Por que a crítica estrangeira lhe tece mais elogios do que a francesa?
Eu reconheço que o ódio entre mim e a quase totalidade da mídia francesa é tão forte que se tornou inexplicável para mim. É um mistério. Bem, não que seja mesmo um mistério, mas quando discutimos há, por vezes, um tal nível de violência que nada se entende. Eu não sei como chegamos a isso, mas nos detestamos, eu e a mídia francesa. De verdade. Sinceramente, isso é muito forte. Talvez haja erros dos dois lados.
Mas do seu lado, por que esse ódio?
Eu já insultei muitos jornalistas e jornais –e fui muito insultado por eles também. Isso foi crescendo e já dura cerca de 20 anos.
E no entanto o senhor continua muito lido na França.
Essa é uma das vantagens de ser insultado pela imprensa, porque a população odeia a imprensa, então as pessoas estão do meu lado. Há uma relação muito ruim entre a mídia e a população.
E por que os franceses odeiam tanto a mídia?
Porque a mídia fala sempre a mesma coisa, é irritante, é tudo formatado, é pura propaganda centrista. Mas os franceses detestam também os políticos, detestam os juízes, detestam, na verdade, o poder. Fala-se muito da Frente Nacional, mas a progressão da Frente Nacional ainda é menor que a das abstenções nas eleições. A primeira escolha é a de se abster.
Os franceses participam cada vez menos da vida política...
Sim, eu não sei desde quando, mas nos últimos tempos se tornou uma coisa impressionante. Os franceses não se sentem representados, não sentem que algum partido os represente. O problema não é a corrupção –claro, quando há um escândalo isso não ajuda–, mas no geral os políticos franceses são menos corruptos do que em muitos outros países. A causa são mesmo os atores políticos e o que eles propõem. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tite, o encantador de serpentes?


A imagem foi sugerida pelo zagueiro Lugano, do São Paulo, ao falar sobre Tite, o técnico da seleção. O depoimento foi gravado para o programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, que irá ao ar amanhã. Poderia reduzir o que foi dito pelo uruguaio como um erro de avaliação. Fica essa primeira impressão, seguida de outras menos nobres. Mas se levarmos em conta o futebol e o estilo de Lugano dá até pra entender a razão de tal predileção. Reconheço que a primeira passagem de Dunga pelo comando do time nacional merece respeito e que Tite precisará trabalhar muito bem pra conseguir uma igual em matéria de conquistas. Mas, resultados à parte, há muitas outras coisas das quais nosso futebol anda carente e que Tite parece infinitamente mais preparado para proporcionar.  

domingo, 20 de novembro de 2016

Mais uma do Brasil pós-Olimpíada

Vale destacar , além do teor do link abaixo, que uma outra manchete chamou a atenção para o fato de o Ministério do Esporte ignorar o código antidoping na hora de fazer nomeações.

http://m.folha.uol.com.br/esporte/2016/11/1833921-autoridade-brasileira-de-controle-de-dopagem-e-descredenciada-pela-wada.shtml?mobile

sábado, 19 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Nosso Brasil pós-Olimpíada


Durante um bom tempo, na condição de repórter, trabalhei na cobertura do nosso Basquete. Na segunda metade da década de 90 fiz, com uma equipe muito bacana, o programa Basketmania, veiculado pelo canal SporTV. Guardo comigo lembranças de grandes jogos e, posso dizer que poucas vezes na vida vi algo tão vibrante como o ginásio de Franca lotado em uma final de Brasileiro. Como era bonito ver, também, a ligação que a cidade tinha com o Basquete. 

Tempos depois lembro de ter voltado lá pra fazer uma reportagem sobre essa história para o programa" Grandes Momentos do esporte", da TV Cultura. Ao colher o depoimento de Hélio Rubens (pai) sobre o professor Pedroca pude sentir o quanto havia de sentimento nisso tudo. Mas essa é só a minha história. A do basquete brasileiro é bem maior e mais relevante. Uma história abrilhantada por títulos mundiais, pelo talento e pelo suor de tantos grandes atletas.



Uma história que tem sido muito mal gerida, desrespeitada. Ou não é desrespeito deixar a coisa chegar onde chegou? Com o basquete brasileiro suspenso pela Federação Internacional, impedido de disputar torneios. Pouco mais de dez dias atrás a FOLHA publicou uma matéria sobre a dívida da Confederação Brasileira. Mas diria que mais bombástico do que o fato da dívida ter crescido 1350% nos últimos seis anos foi a postura adotada pelo presidente da entidade que disse "Estar trabalhando para resolver uns PROBLEMINHAS".

Uma postura arrogante que em muito se assemelha a tomada semanas antes pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que depois de ter seu presidente, Coaracy Nunes, afastado por suspeita de irregularidades em convênios com o Ministério do Esporte, decidiu suspender o pagamento de salários de funcionários e os torneios. O motivo seriam dificuldades financeiras enfrentadas após a determinação da Justiça Federal. Retaliação? Jamais!

Ou seja, trata-se de um universo em que os homens não parecem ter vergonha de nada, Muito menos do fracasso como dirigente. Nos dois casos, mesmo o dinheiro tendo sido farto como nunca, os resultados foram péssimos. Nosso basquete fez a pior campanha da história nos jogos. E a natação não conquistou uma única medalha. E pensar que havia no ar a esperança de que sediar uma Olimpíada pudesse fazer o nosso país tratar o esporte de maneira mais digna. 



* A matéria da FOLHA citada acima pode ser lida aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2016/11/1828853-em-crise-basquete-brasileiro-ve-divida-crescer-1350-em-seis-anos.shtml
                       

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O caldo corintiano


Faz algum tempo brinco com os amigos corintianos dizendo a eles que a roda gira. Diante da cara de espanto, faço logo alusão à uma roda gigante, dizendo que não dá pra querer ficar o tempo todo lá em cima. Uma hora é preciso baixar. Não sem antes lembrar que eles ficaram por cima um período considerável. Devo ter visto alguém fazer a brincadeira e achei que a imagem era boa. No fundo só um jeito mais elaborado de dizer que em matéria de futebol não dá pra ganhar sempre.

Mas o fato é que a situação complicou a tal ponto que nem sei se a brincadeira ainda cabe. Era um sarro justo para aquele hiato entre a saída de Tite e as primeiras oscilações quando o time, apesar de toda a turbulência, ainda mantinha boa posição na tabela. O que já não é o caso, tantos são os ingredientes que foram se misturando. Não se trata mais apenas de certa pobreza técnica, mas também daquela que se descobre ao olhar o cofre do time. E acho que o caldo pode entornar de vez graças as questões que envolvem a Arena Corinthians, vista em outros tempos como a conquista que colocaria o clube em um outro patamar de faturamento e administração. Só que aos poucos o torcedor vai descobrindo da maneira mais amarga possível que, principalmente nas questões referentes ao segundo quesito, não há milagres.

Mas se existe algo a ser comemorado nessa história é a média de público que, ao menos enquanto o futebol apresentado pelo time era promissor, fez o Corinthians faturar como gente grande. Mas aí talvez fosse o caso de enaltecer a torcida, né? Não exatamente aqueles que cuidam da gestão do clube. E que a torcida a essa altura não se mostre mais tão a fim assim de ver o time é compreensível. Como é compreensível que a preocupação com a queda vertiginosa da bilheteria figure na lista de prioridades do clube. Mas não custa lembrar que a projeção de se ter em Itaquera cerca quarenta mil pessoas por jogo, só faz sentido mesmo se for, como era, para temperar o papo com os envolvidos em fazer o estádio sair do papel. É um número gigante pro nosso futebol, apesar de tudo que ele evoluiu nesse sentido. 

Diante do quadro atual uma vaga na Libertadores do ano que vem está longe de ser remédio pra curar as dores corintianas, mas a ausência dela pode revelar uma palidez medonha. E se a essa altura da temporada a imagem da roda gigante não se mostra mais como o melhor paralelo para explicar a situação do Corinthians, continua servindo para explicar o que separa a realidade dos nossos clubes dos grandes clubes europeus. Não, não é apenas o futebol. É que os grandes de lá quando estão por baixo sabem que voltar a subir é apenas uma questão de tempo. Uma certeza que infelizmente nenhum dos nossos clubes pode, ou deve, se dar ao luxo de ter.    

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Guardiola, o sexo e o futebol!



- Guardiola quer jogadores mais magros, leves. Por conta disso, tive de alterar algumas coisas na minha alimentação. Ele (Guardiola) pediu aos jogadores para não fazer sexo depois da meia-noite nas folgas, porque tínhamos de descansar. Disse que fez isso com Messi, que se livrou das lesões musculares. E também pediu a mesma coisa para Lewandowski - afirmou o jogador ao jornal "L'Equipe". 

A declaração acima foi dada pelo meia francês, Nasri, que graças a relação conturbada com o treinador acabou emprestado ao Sevilla, da Espanha.  Ao menos é o que dizem por aí. Acabei de ler a matéria e foi inevitável lembrar que Messi, antes do jogo contra o Brasil, por causa de lesões, ficou fora das três partidas anteriores da seleção argentina. Será?

Não duvido da eficácia do método sugerido por Guardiola. Mas fiquei pensando aqui comigo: encontrar um time tão a fim assim de ser campeão não deve ser tarefa fácil.    
   

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Leonard Cohen


Cantor, compositor, poeta,romancista... inesquecível!
Esse "Live in London", que ele gravou aos 74 anos,
é uma boa maneira de sentir do que ele era capaz.

https://www.youtube.com/watch?v=8Jrjoqd2YDM

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Diga lá: Brasil x Argentina!


Hoje à noite tem um Brasil e Argentina à vera. É daqueles jogos cuja sonoridade dos nomes envolvidos, mesmo quando ditos apenas mentalmente, basta pra deixar transparecer seu tamanho. O encontro será no Mineirão onde pouco mais de dois anos atrás os alemães nos fizeram ver o quanto nosso futebol e nossos selecionáveis estavam vulneráveis. Imagino que alguém tenha resolvido dar um basta na situação ciente de que um dia a seleção precisaria voltar lá. Talvez até tenha sido ideia de Tite, apresentado dois dias antes da confirmação do jogo no estádio mineiro. 

Mas, seja qual for o enredo que venha a se desenhar por lá na noite de hoje, não terá o poder de livrar a seleção brasileira do que viveu ali. Sinto dizer mas aquilo é pra sempre, e q qualquer discurso no sentido contrário falso. Será também o encontro de dois técnicos em início de trabalho.Tite ao debutar no comando do time brasileiro contou com um Gabriel Jesus inspirado e de lá pra cá não perdeu o embalo. E que embalo, em quatro jogos fez de um Brasil sexto colocado o líder das Eliminatórias.

Não que Edgardo Bauza, o atual técnico argentino, contratado menos de dois meses depois, tenha começado mal quando recebeu o Uruguai, em Mendonza. Outro clássico daqueles ao qual basta sentir a sonoridade dos nomes. Messi estava de volta depois do penalti perdido na Copa América, do vice-campeonato diante do Chile e, num daqueles dias, se encarregou de fazer o gol que deu a vitória e a liderança das Eliminatórias ao time argentino. Mas no futebol as coisas mudam rápido, algo que não devemos deixar de ter em mente mesmo quando o Brasil dá pinta de ter encontrado um rumo. Prova disso é que de lá pra cá a Argentina não venceu mais.

Empatou com a Venezula fora de casa e também fora de casa repetiu o placar de dois a dois diante do Peru. Nesse jogo esteve duas vezes em vantagem, mas viu Cueva - esse mesmo, do São Paulo, que acaba de fazer um belo clássico contra o Corinthians - aos trinta e oito do segundo tempo, de penalti, marcar o segundo gol peruano. Guerrero tinha feito o primeiro. Para completar, na última rodada a Argentina perdeu em casa para o Paraguai. Por essas e outras desembarcaram aqui fora da zona de classificação para a proxima Copa do Mundo, amargando uma nada brilhante sexta posição e tendo de ouvir a torcida se perguntar se a classificação para a Copa virá, isso dois meses após ter batido o Uruguai e assumido a liderança. Algo muito parecido com o que vivíamos antes da chegada de Tite.

Mas Bauza não perdeu a pose, andou dizendo pra quem quisesse ouvir que trabalha pra ser campeão do mundo e que vem ao Brasil pra vencer. Fez questão de justificar a afirmação lembrando aos interessados que o trabalho dele não faria sentido se não acreditasse que pode dar conta disso. Coincidência, ou não, Messi não participou dos últimos três jogos da Argentina, mas estará de volta hoje. 

Ainda assim se o discurso de Bauza soa um tanto pretensioso, pretensiosa também será qualquer análise que venha a sugerir que Tite a essa altura já consertou a seleção brasileira. Mesmo porque os grandes problemas que o futebol brasileiro tem pra resolver não passam exatamente pelo futebol da seleção. Mas o que sem dúvida Tite fez foi resgatar o interesse do torcedor pelo time nacional. Chego a duvidar que algum apaixonado por futebol não mova mundos pra acompanhar esse Brasil e Argentina de hoje a noite. Jogo tão grande que se vencermos nos dará a impressão de que realmente viramos uma página

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Será que ainda dá?

No imaginário dos torcedores dos times que figuram neste momento com sessenta pontos ou mais na tabela de classificação do Brasileirão essa tem sido a grande questão. Menos para os Palmeirenses que, do alto dos seus sessenta e sete pontos, podem se dar ao luxo de formular a questão de maneira diferente. Enquanto os outros pensam se ainda dá o palmeirense sente o coração palpitar quando se pergunta, secretamente: será mesmo que vai dar? 

Claro que a situação do time alviverde é melhor, mas a agrura vivida é muito parecida. E isso muito me diz porque gosto de lembrar sempre que em matéria de futebol a diversão vai muito além dos números.Independentemente de um enxergar o Brasileirão de um ponto mais alto do que o outro há - pairando no ar - uma brutal incerteza que os iguala. Iguala e tempera essa reta final de campeonato. Ou vocês aí precisariam da matemática pra saber que se o Palmeiras deixar o título escapar o acontecido será visto com ares de tragédia e surpresa? 

Que cruzem os dedos os Atleticanos, os Flamenguistas, os Santistas, que esmerem-se ao praticar a vossa melhor mandinga porque, é lógico, ainda dá. Ensaiem sem cessar as velhas manias. Saquem a camisa amuleto, a cueca da sorte, deixem-se afundar naquele canto do sofá que garante a alegria. A rodada promete. O Santos irá ao Moisés Lucarelli encarar a Ponte. O Atlético Mineiro ao Couto Pereira duelar com o Coritiba que ainda tem um tanto perto do pescoço a afiada faca da degola. No Maracanã o Flamengo - que tanto fez os rubro-negros perguntarem se dá - ficará cara a cara com um Botafogo que a essa hora repousa muito além do lugar onde sua sofrida torcida esperava ter chegado. E não é tudo. Porque a pergunta, no fim, não vale só pra quem sonha com a glória. 

A incerteza não ronda só a cabeça de quem alcançou a trigésima quarta rodada em condição de ser campeão. No Morumbi São Paulo e Corinthians farão o clássico que em matéria de rivalidade mais cresceu nos últimos anos. Os dois já não podem nem imaginar um final de temporada com alguma taça na mão. Mas tão trágico quanto um Palmeiras sem título será um Corinthians sem vaga na Libertadores do ano que vem. Coisa com a qual gostaria de sonhar também o tricolor paulista que deverá encarar o embate com o rival como a derradeira chance de emprestar alguma graça a tão desastrada temporada. 

Será que ainda dá? Pra quem? 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quando a borracha termina primeiro que o lápis

Desde muito cedo você deve ouvir que errar é humano. E se, por acaso, não ouviu é porque alguém provavelmente errou ao lhe omitir isso ao longo do caminho. Fato é que por conta dessa constatação vira e mexe perdoamos as mais variadas pisadas de bola. Agora, o que talvez ninguém tenha lhe dito, e que me disseram uma vez, é que errar é humano desde que a borracha não termine primeiro que o lápis. Olha, depois de ouvir essa versão do dito nunca mais a esqueci e costumo sacá-la sempre que alguém tenta usar malandramente o argumento que inicia este artigo. Até porque como você também deve saber paciência tem limite. E em matéria de futebol a nossa está chegando ao fim. Tá ou não tá? 

O que resta da de vocês eu não sei, o que eu sei é que a última rodada do Brasileirão pelos acontecimentos quase esgotou de vez a minha. Em especial os erros registrados nos jogos de Palmeiras e Flamengo que foram de doer, pois são daqueles com potencial pra virar do avesso a história de qualquer partida. Fica difícil saber o que pensar. Até porque no caso do Maracanã o apito foi entregue àquele que é tido como o melhor árbitro do país. E quando digo que fico sem saber o que pensar não se trata de figura de linguagem, não. 

Vejam vocês a que ponto chegamos. Outro dia dei de cara com uma dessas enquetes feitas em programas esportivos. Ela questionava os telespectadores e internautas a respeito da confiança que tinham nos árbitros. Tudo bem, não era lá um universo muito representativo. Mas a questão era direta e clara: Você confia na arbitragem?  E não é que oitenta e oito por cento dos votantes disseram que não? E o pior, a essa altura eu já tinha sérias dúvidas sobre se deveria, ou não, me juntar a eles. Fiquei literalmente fora do ar por uns instantes, porque por mais que o tio Nelson Rodrigues tenha nos avisado há tempos de que a mais sórdida pelada é de uma complexidade Shakespeariana isso é pra lá de surreal. 

Será mesmo que enlouquecemos de vez e sem perceber passamos a ver o futebol como quem vê um teatro? É complexidade demais pra minha cabeça. O sujeito gastar seus dias, seus domingos, a torcer por um time sem acreditar que o homem que está ali para arbitrar tudo não é idôneo. Vai entender! Enfim, a última rodada do Brasileirão pode até não ter esgotado a minha paciência, mas que a borracha dos homens do apito acabou de vez, isso acabou.   

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Polêmicas

O que espera e o que diverte o torcedor nos dias atuais? Meio século atrás, suponho, essas seriam questões fáceis. Mas passado meio século e diante do que se apresenta rodada após rodada tais questionamentos tomam ares desafiadores. Ou não? Já não dá pra esperar muita coisa do futebol e, pela exaltação dos ânimos, começo a desconfiar que o torcedor anda se divertindo mais com os debates sobre os jogos do que com os próprios. O que tanto pode ser encarado como um sintoma de algum mal terminal quanto como prenúncio de uma nova maneira de se divertir. 

E não deixa de ser compreensível. Afinal, ali estão os melhores momentos, editados com precisão cirúrgica. Ali estão os filés que sobraram de todo o osso que o torcedor precisou roer durante mais de noventa minutos. E essa é ou não é uma oferta irresistível quando o nosso tempo se faz escasso? O jogo como um todo, como um espetáculo com direito a começo, meio e fim, vai perdendo terreno. 

Na falta de futebol florescem as polêmicas. E acho que elas são do jogo. O que não é do jogo é acreditar que alimentá-las é uma exigência dele. No fundo, o que elas são é uma maneira fácil de emprestar vigor a um futebol de pouco apelo técnico. Façamos um exercício já que entramos na reta final do Brasileirão. Tiremos das nossas conversas a imprecisão dos árbitros, os descontentamentos e os pitis dos cartolas, a surpresa com aquele time de tradição que vai mal das pernas, e o que fica? A imprecisão, a desconfiança. E a imprecisão é dos homens. A história está cheia de registros dela, dentro e fora de campo. 

Do jeito que a coisa anda chega a ser inocência acreditar que um recurso eletrônico vai inocular no futebol um antídoto capaz de tirar dele tudo o que tem de contraditório, de imponderável. O futebol de ontem -  como o de hoje - jamais foi feito só concordâncias, mas daí a reduzi-lo a polêmicas são outros quinhentos. O que tá  mais do que na hora é de fazer valer a regra. Os profissionais de TV e afins à beira do campo se perguntados se foi ou não foi impedimento devem responder que isso não é problema deles. E quanto ao juiz, talvez fosse o caso de fazê-los voltar a entrar em campo contando apenas com o próprio juízo. Mas pelo visto nem no próprio juízo eles acreditam mais. Então, fica o torcedor assim, desse modo pobre, se contentando em defender seu time das polêmicas já que o futebol dele muitas vezes se revela indefensável. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Uma pitada de poesia


Soneto XVII - Pablo Neruda

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma. 

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores, 
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, 
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira, 

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dylan, o mais novo Nobel de literatura

Pete Seeger and Bob Dylan, Newport Folk Festival, 1964