sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O novo técnico do Palmeiras

Foto: Antônio Carneiro/Pernambuco Press

Assumir um dos grandes times do país. Sob o vapor da euforia causada pela conquista de um título de Campeonato Brasileiro. Coisa que o clube não vivia há mais de meia década. Assumir o posto que era ocupado até alguns dias atrás por um treinador que, talvez, só não seja visto como páreo para o atual técnico da seleção brasileira. O desafio aceito por Eduardo Baptista e proposto a ele pelo Palmeiras é imenso.

Eduardo chegou lá trilhando um longo caminho como preparador físico. Nessa condição, tendo como suporte toda a vivência do pai, Nelsinho Baptista, conheceu o cotidiano profissional de clubes como Flamengo, Santos, Corinthians. Ao se tornar treinador no Sport, do Recife, conseguiu algo que costuma ser raro aos treinadores: tempo para trabalhar. Foi reconhecido na qualidade de campeão estadual e da Copa do Nordeste.  

Mas pelo que disse na época sentiu que o tempo no Sport estava pra terminar. Fez, então, o  quase óbvio caminho de quem se mostra capaz, acertou com um time de ponta, o Fluminense. Com ele, que tinha chegado no início de setembro, o Flu não caiu, mas foi eliminado na Copa do Brasil. O que sobrou de fôlego o estadual do ano seguinte consumiu e Eduardo se despediu das Laranjeiras antes de fevereiro deste ano terminar.

O capítulo seguinte vivido pelo ex-zagueiro, de carreira breve, que chegou a ser Campeão da Copa São paulo de Futebol Júnior com o Juventus, foi comandar a Ponte Preta, que como o torcedor deve lembrar deu caldo. Com ele o time de Campinas encerrou o Brasileirão em oitavo lugar. Ainda não tenho uma opinião formada a respeito de como o torcedor palmeirense o vê, Sob o ponto de vista do clube, me pareceu uma escolha diferenciada, que driblou o óbvio em matéria de contratação de treinadores. E isso não é pouco quando se trata de futebol brasileiro.   

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Enfim... o recurso eletrônico !

Foto: Reuters

O mais triste no fato de o juiz da partida entre o Kashima Antlers e o Atlético Nacional não ter tentado - no primeiro lance da história do futebol "oficialmente" analisado de modo eletrônico - que o jogador em questão estava impedido é dar margem para que o erro seja apontado como decisivo para o resultado do jogo. Verdade? Exagero?

Mas a lição que fica é uma que todos os simpatizantes do "recurso" não fizeram questão de levar muito em conta: ele não terá capacidade pra diminuir expressivamente a presença das intituladas polêmicas na hora de interpretar os lances. A complexidade do futebol - ou talvez a do olhar do homem sobre ele - não permite. Usá-lo pra dizer se uma bola ultrapassou, ou não , a linha do gol é uma coisa. Imaginar que armado de tal recurso a interpretação do jogo será simples, quase inocência.

De qualquer modo, o Kashima tá de parabéns!

E o Atlético Nacional também por tudo o que fez
e que sabemos...não foi pouco.       

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O Cuca e o Osvaldo

Foto: Agência Palmeiras
Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Os dois treinadores citados acima podem ser vistos, sob certa ótica, como as notícias do dia. Cuca está de peito aberto em entrevista que abre o caderno de esporte da FOLHA. E os navegantes do mundo virtual também encontrarão o homem que levou o Palmeiras ao título do Brasileiro em entrevista concedida à ESPN nos bastidores da premiação do Troféu Bola de Prata. Dias atrás já tinha considerado muita precisa a resposta dada por ele ao ser questionado sobre o que disse Renato Gaúcho sobre a necessidade de um treinador estudar.

Cuca driblou a polêmica fazendo o entrevistador ver o óbvio. Em linhas gerais, afirmou ser bem diferente do colega. Disse que se ele dá tudo pra não entrar em polêmica, Renato, por sua vez, quase não consegue falar sem criar uma. Cuca foi além, afirmou que " se não sentir falta, talvez nem volte ao futebol".Sugeriu ainda querer notar se o futebol sentirá a falta dele. Confessou cansaço mental. Falkou da dificuldade que é lidar com todo um elenco. Da relação que mantém com os bichos. E fez ver também o quanto o rótulo de supersticioso lhe foi imposto pela mídia, ao comentar sobre a calça vinho que gosta de vestir.  ão é só o campo que revela as razões de um sucesso.

Sucesso que Osvaldo de Oliveira esteve longe alcançar no breve tempo em que esteve no comando do Corinthians neste final de temporada. E quando digo sucesso é porque considero que se tivesse conseguido colocar o time na Libertadores de alguma forma teria sido bem sucedido. Fosse qual  fosse o futebol apresentado. A pressão sobre o presidente do clube é grande. E se o mandatário realmente disse ao treinador que ele seguiria no comando independentemente do que acontecesse este ano, a situação é mais delicada ainda. Osvaldo ficará? A pergunta deve ser respondida logo.

Mas seja qual for o ofício, trabalhar em ambiente hostil nunca é o ideal. Mas quando se trata de técnicos de futebol talvez isso venha a ser comum. Pode ser. Sendo assim é até possível que resida aí um dos muitos motivos para o grande número de demissões que vemos a cada temporada. Diante disso não descarto a possibilidade de que não continuar no cargo seja uma decisão acertada até mesmo para Osvaldo de Oliveira. De outro modo, terá deixado transparecer uma certa queda por desafios do tipo tudo ou nada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A hora é de Cristiano Ronaldo ?

Foto: AP

Cristiano Ronaldo acaba de ser eleito o "Bola de ouro" da France Football. Repete, portanto, o feito de 2008 quando foi eleito pela primeira vez. O português também ganhou o prêmio em 2013 e 2014, período em que a revista francesa se uniu à FIFA na premiação. Não é o mais laureado, Façanha que pertence ao preciso Lionel Messi que até hoje já desfrutou do momento cinco vezes. Cruyff, Platini e Van Basten foram eleitos três vezes cada.

Para quem viu o argentino levar a melhor na última vez deve ter sido um alento. E vale lembrar que Cristiano Ronaldo está também entre os três que disputam o prêmio de melhor do mundo da FIFA, ao lado de Messi e Antoine Griezmann. O vencedor será anunciado no início do mês que vem. Campeão da Copa dos campeões da Europa e da Eurocopa, até então inédita para Portugal, difícil dizer que não é a hora dele.

Muito se diz do gajo, que tem uma história de vida daquelas e uma vaidade que parece maior que o mundo. Mas não dá pra não  reconhecer o alto nível físico e técnico que atingiu e que , incrivelmente, vem mantendo há muito tempo. E por isso os que não escondem de ninguém que querem chegar lá devem o ter como personagem no qual se espelhar. 

Diria que a hora é dele, sim. Mas sabe como é... temos aí um detalhe: uma vez separados, o Bola de Ouro é escolhido apenas por jornalistas, e o Melhor do Mundo da FIFA por votação popular, por jornalistas e pelos capitães e técnicos de seleções. O que pode revelar que a preferência de alguns não seja a mesma de outros. Mas se não fizerem disso uma simples questão de gosto...dará Cristiano Ronaldo! Não acham?

sábado, 10 de dezembro de 2016

Essa é do Brasil pós-Copa


Não que o CADE seja rápido pra resolver grandes questões. Os mais atentos irão lembrar que o órgão demorou quase uma década e meia para decidir sobre como deveriam ser negociados os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. E, ainda assim, quando decidiu levou um drible daqueles e nada fez para que o que tinha sido decidido fosse respeitado. 

Pois o nosso Conselho Administrativo de Defesa Econômica recentemente firmou um acordo de leniência com a Construtora Andrade Gutiérrez. Acordo no qual constam detalhes sobre a formação de cartel entre as empreiteiras para fraudar licitações referentes a construção e reforma de estádios para a Copa do Mundo. 

É dessas leituras que "espantam" por, no fundo, não nos causar espanto. Como tanta coisa que anda sendo revelada sobre nosso futebol e sobre nosso país. Claro, como poderíamos nos espantar?Vivíamos tendo essas revelações como parte da realidade. Só não havia fatos, comprovações. Trata-se da mesma sensação que nos tomou quando grandes dirigentes do mundo da bola acabaram em cana durante uma estada naquele luxuoso hotel da Suíça. 

Ou alguém duvidava que não era assim? Com tudo acertado antes. Com preços turbinados pra poder dar conta de pagar todo mundo. Jamais bastou dizer que era só comparar o preço dos estádios que estavam sendo erguidos por aqui com outros erguidos ao redor do mundo. Isso sem falar em todas as benesses, todas as isenções. Até o aço e o cimento das Arenas os envolvidos quiseram trazer com subsídios. 

E pouco se fala sobre o que está sendo acordado.Seja na esfera esportiva, política, ou outra qualquer. O que foi tratado não teve contestação. Terá sido coisa tão equilibrada e legítima assim? Ou nossos homens de bem estão perto de fazer nosso país, além de tudo, passar a ser visto como o país em que o crime passou a compensar? Ao menos para os que têm bons advogados. Aos que ostentam cacife pra jogar esse jogo.


* Leia matéria de Pedro Lopes e Vinicius Konchinski sobre o assunto:
http://bit.ly/2hjlp5K


    

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Outra do Brasil pós-Olimpíada

Basta ler o primeiro trecho da matéria de Aiuri Rebello e Guilherme Costa, do UOL, São Paulo.
A sensação que fica é a de que tudo é mesmo uma esculhambação.

Trecho:

O TCU (Tribunal de Contas da União) encontrou irregularidades em pelo menos 61% das verbas públicas destinadas ao esporte brasileiro nos últimos três anos, em todos os níveis. Em relatório publicado na última quarta-feira (07), o órgão apontou uma série de problemas em repasses de Lei Agnelo/Piva e Lei Pelé feitos pelo governo federal a COB (Comitê Olímpico do Brasil), CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), CBC (Confederação Brasileira de Clubes) e dez confederações escolhidas por amostragem. Segundo o texto, de um total de R$ 337 milhões, pelo menos R$ 207 milhões são passíveis de devolução à União

A matéria completa pode ser lida aqui:
http://bit.ly/2h8wwOg 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O futebol sobrevive

Estou no meio de uma gravação. Olho da cadeira de onde estou sentado. Tenho à minha frente o ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Brasileira, Waldir Peres, e ao lado dele, o ex-ponta-esquerda Zé Sérgio. A conversa segue. E ao mesmo tempo em que ouço o que está sendo dito minha cabeça me transporta pra um tempo em que eu era menino. Repentinamente a imagem do garoto que eu era se forma. O chute vem no alto, do lado direito. Sem pensar muito em atiro em direção à bola. Ao tocá-la a comprimo entre as duas mãos. Quando vem a certeza de que não irá mais me escapar solto o grito: Waldir Peeeres! Isso enquanto meu corpo desaba no chão de cimento da garagem do velho prédio em que morávamos castigando um pouco mais meus cotovelos. Não há dor nisso, nada. 

Quando volto ao papo decido dividir com eles o que em mim se revelou como uma dúvida: será que as crianças hoje em dia ainda gritam o nome de alguém na empolgação inocente que o futebol costuma provocar? Para dar sentido ao que está sendo dito explico a razão da pergunta. Falo da minha mania de moleque de gritar os nomes dos jogadores que eu gostava, e que não era só o nome do Waldir que me saltava da boca. O de Zé Sérgio também. Mas é bem verdade que minhas escapadas pela ponta eram bem menos brilhantes do que eu conseguia ali embaixo da trave, ou na maior parte das vezes entre um chinelo e outro mesmo. 

É, mas o mundo girou e o tempo já não me dá o direito de saber - e muito menos desfrutar - do que podem as crianças hoje com uma bola nos pés. Hoje só me é dado descobrir as emoções de quem flerta, muito de perto, com meio século de vida. E se isso vem à tona agora nesta linhas é em razão de tudo o que vivemos nos últimos dias, em razão de uma tragédia ter inundado de lágrimas a página mais bonita que o futebol brasileiro escreveu nesta temporada. E que ao dilacerá-la revelou uma face do futebol que andava escondida e que eu, com minha descrença, dava até como perdida. A face que faz desse jogo de regras simples um catalisador da nossa emoção. Que nos permite comungar com quem nunca vimos, que nos permite sentir a dor de alguém que sequer conhecemos. 

Um jogo que desde sempre se alimentou de emoções profundas, honestas, e que ao dar de cara com essa combinação já rara, se agiganta. O vivido deixa entre tantas lições a de que o futebol segue entre nós com sua alma intacta. Dependendo, como sempre, do homem, de boa intenção, de ser tratado com nobreza. Oportunistas existirão sempre. Gente que se contenta com o universo medíocre dos resultados idem. Gente que se nega a vestir a cor do rival. Mas enquanto houver aqui, ali e acolá, um menino voando em direção a uma bola, com um sorriso estampado no rosto gritando o nome de alguém que o faça sonhar... o futebol sobreviverá. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Palmeiras: brilhante e regular


É fácil entender a razão que levou o Palmeiras ao título: não ter dado mole para o azar. Ou mais catedraticamente falando,mostrar em campo uma regularidade que passou longe de todos os outros times. Em especial do Santos que, no final das contas, se viu no papel de ser o grande desafiante da esquadra palmeirense. E que se não conseguiu levar às últimas consequências essa possibilidade foi justamente por não ter demonstrado tal virtude, a de ser regular. 

Mas mesmo sem ela a temporada do time da Vila Belmiro obteve o reconhecimento do torcedor, que não costuma fazer isso diante de qualquer situação. E é bem possível que esse contentamento venha do fato de o futebol da equipe santista ter se imposto como dos mais vistosos entre todos os que vimos ao longo desta temporada.  E até pelo time ser dono desse tipo de jogo explicar a falta de brilho de algumas apresentações do Santos se revelou também um desafio. Talvez estejamos diante de um time dono de um tipo de futebol que depende muito da inspiração e quando ela não vem a coisa engrossa. 

Não que eu ache justo o veredicto que anda aí exposto de que o time do Palmeiras não apresentou um futebol de encher os olhos. Digo que aceito tal colocação, mas como um crítica do conjunto. Ainda assim seremos obrigados a reconhecer que só um conjunto que funciona pra valer alcança a tal regularidade. E individualmente, há brilho sim. Afinal, estamos diante do Palmeiras de Gabriel Jesus, que mesmo que não tenha causado o mesmo arroubo depois de um certo momento mostrou-se virtuoso. O Palmeiras de Zé Roberto, que pode já não ter o fôlego ideal em lances que exijam certa explosão mas que sabe das coisas. O Palmeiras de Yerry Mina, Jaílson e por aí vai. 

E não custa lembrar como esse elenco palmeirense era visto quando Cuca baixou na Academia. Um elenco que de tão grande e diverso afirmavam ser impossível de administrar. Um elenco sem um miolo, sem um time definido. Tarefas que Cuca tomou pra si e cumpriu com louvor. E ao levar em conta o destino do treinador, apresentado no último mês de março, até no tamanho do contrato ele acertou. Seja por uma questão pessoal que o impediu de continuar, ou tivesse sido por uma proposta surreal da China, a verdade é que no lugar dele outros poderiam ter crescido o olho e batido o pé por um contrato maior, já que dinheiro não tem sido há algum tempo o problema do Palmeiras. Mas Cuca ao chegar assinou só até dezembro deste ano. Portanto, se despede sem viver o que é quase uma regra entre aqueles que ocupam esse tipo de cargo: dizer até mais sem ter cumprido o contrato até o fim. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Meus sentimentos...

... a todos os atingidos pelo acidente.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fidel - por Eduardo Galeano


Seus inimigos dizem que foi rei sem coroa e que confundia a unidade com a unanimidade.
E nisso seus inimigos têm razão. seus inimigos dizem que, se Napoleão tivesse tido um jornal como o Granma, nenhum francês ficaria sabendo do desastre de Waterloo. E nisso seus inimigos têm razão.Seus inimigos dizem que exerceu o poder falando muito e escutando pouco, porque estava mais acostumado aos ecos que às vozes. E nisso seus inimigos têm razão.
Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo.
E seus inimigos não dizem que Cuba é um raro país que não compete na Copa Mundial do Capacho.
E não dizem que essa revolução, crescida no castigo, é o que pôde ser e não o quis ser. Nem dizem que em grande medida o muro entre o desejo e a realidade foi se fazendo mais alto e mais largo graças ao bloqueio imperial, que afogou o desenvolvimento da democracia a la cubana, obrigou a militarização da sociedade e outorgou à burocracia, que para cada solução tem um problema, os argumentos que necessitava para se justificar e perpetuar.
E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta.
E seus inimigos não dizem que essa façanha foi obra do sacrifício de seu povo, mas também foi obra da pertinaz vontade e do antiquado sentido de honra desse cavalheiro que sempre se bateu pelos perdedores, como um certo Dom Quixote, seu famoso colega dos campos de batalha.
Do livro "Espelhos, uma história quase universal", tradução de Eric Nepomuceno. Publicado no site Outras Palavras.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Olhando a tabela do Brasileirão!

Tive a impressão de ter ouvido em algum momento que as últimas três rodadas do Brasileirão deste ano teriam todos os jogos disputados no mesmo horário. Recorri ao Google e nada encontrei que amparasse isso. Mas encontrei lá uma notícia de 2010 anunciando que nas das últimas rodadas os jogos do Brasileirão daquele ano seriam todos no mesmo horário. Se foram mesmo...a ver. 

Mas não foi este ano que andamos para trás. Nos anos que se seguiram a 2010 esse cuidado se deu só na derradeira rodada. E, de cara, quando olho a tabela isso me causa incômodo. Botafogo e Corinthians disputam uma vaga na pré-Libertadores, por exemplo. E o que se dará? O time carioca entrará em campo uma hora antes de seu adversário direto. É um detalhe, é! Mas não é certo.

Os menos chatos do que eu dirão que os jogos-chave estão posicionados no mesmo horário. E eu vos digo: o que são exatamente jogos-chave? Dizer uma coisa dessa é como aquela chamada que anuncia o jogo mais importante da rodada. Jogo principal pra quem, ô cara pálida?, seria o caso de perguntar. A importância depende do coração de cada torcedor.

O Internacional, por exemplo, estará em campo às cinco da tarde do domingo. Vai receber o Cruzeiro, no Beira-Rio. O time colorado tem três pontos a menos do que o Vitória, que está uma posição à frente, e neste momento é o primeiro time fora da zona de rebaixamento. Mas o Vitória só entrará em campo ás oito da noite. O que pode significar ter de lidar, além de tudo, com a pressão exercida por uma possível vitória do Inter. Ou com a "tranquilidade" de saber que o Inter não venceu.

E assim vamos. O Grêmio, outro exemplo, só quer saber da Copa do Brasil, certo? Certo. Mas vamos supor que o Botafogo perca e o Corinthians também. Então, uma vitória poderia colocar o time gaúcho entre os seis primeiros, e esse pode não ser o objetivo do time, mas saber que se, de repente, algo der muito errado na Copa do Brasil, ainda haverá a possibilidade de chegar à Libertadores pelo Brasileirão não deixa de ser confortante. E se os resultados de Corinthians e Botafogo por ventura acontecerem o Grêmio estará sabendo, pois só entrará em campo às sete e meia da noite do domingo.

Colocar todos os jogos no mesmo horário seria um problemão para a grade de programação da TV ? Sim, mas nem tanto. Conteúdo para ser exibido existe. Do que não se abre mão nesse caso é da possibilidade de tirar o máximo proveito do produto comprado. Ainda pra que isso seja preciso deixar o futebol brasileiro um pouquinho menos justo.               

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Hoje é dia de Cartão Verde !


E o nosso convidado  é o presidente do Santos FC, Modesto Roma Júnior. Pinta lá na área pra fazer uma tabelinha com o nosso time! Entramos em campo às 22 hs, ao vivo, na TV Cultura.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

São Paulo FC : A vez de Rogério Ceni?

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

De todas as impressões que trago comigo sobre a temporada do São Paulo a que alimento com mais convicção é a de que ela acabou até ofuscando um pouco o belo momento vivido pelo jovem Rodrigo Caio. Mas é só uma observação. Pois o assunto que se impõe no tricolor paulista é a possível chegada do ídolo, Rogério Ceni, para ocupar o lugar deixado por Ricardo Gomes, demitido hoje.

Ouvi gente por aí falar no Rueda, atual treinador do Atlético Nacional. Embora não conheça seus métodos detalhadamente, pela trajetória que vem construindo soa como um ótimo nome. Erro seria fechar as portas para um profissional de fora depois de o clube de ter vivido tudo o que viveu ao optar por Osório, e mais tarde por Bauza. Sigo considerando olhar para além das nossas fronteiras uma virtude. 

Com relação à chegada de Rogério Ceni, considero o momento inoportuno, não só pela rapidez com que se dará a volta, mas principalmente pelo fato de acreditar que, em qualquer profissão, pular etapas envolve um risco considerável. No entanto, Rogério conhece profundamente o universo do futebol, e mais ainda o clube com o qual esteve envolvido desde sempre. 

Diante da mínima possibilidade de ter sido lembrado porque - além de tudo o que sabe - ajudaria a acalmar a torcida, ou porque enxergam nele uma espécie de trunfo político, deveria cair fora. Até nisso o passar do tempo seria bem receitado. Escolhido em outro momento poderia se livrar de qualquer dúvida do tipo e, penso eu, estaria mais propenso a pensar em um São Paulo realmente modificado, que já não tenha nada a ver com o São Paulo que ele deixou ainda há pouco.              

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sobre mídia, representação política e... literatura !



Submissão, o último livro de Michel Houellebecq, já pintou aqui no blog como dica de leitura. É realmente provocadora a sensação que toma o leitor mais atento ao cenário político-cultural francês depois  de percorrer estas páginas. Houellebecq faz uma trama  ficcional, mas a situa tão perto temporalmente que acaba criando em nós uma tensão nascida do fato de nos fazer perceber que toda aquela realidade imaginada é factível. 

É  interessante também como o personagem principal - de início tão refratário aos acontecimentos - vai se deixando seduzir pela nova realidade que se apresenta. E como se não bastasse há o fantasma da direita extrema...tão real. Houellebecq esteve no Brasil dias atrás. Em entrevista para a repórter Úrsula Passos falou sobre a relação que mantém com a mídia e sobre um certo vácuo deixado pelos políticos. Palavras que dão a impressão de refletir uma realidade que parece nossa também. Leia abaixo um pequeno trecho da conversa. 


***

Por que a crítica estrangeira lhe tece mais elogios do que a francesa?
Eu reconheço que o ódio entre mim e a quase totalidade da mídia francesa é tão forte que se tornou inexplicável para mim. É um mistério. Bem, não que seja mesmo um mistério, mas quando discutimos há, por vezes, um tal nível de violência que nada se entende. Eu não sei como chegamos a isso, mas nos detestamos, eu e a mídia francesa. De verdade. Sinceramente, isso é muito forte. Talvez haja erros dos dois lados.
Mas do seu lado, por que esse ódio?
Eu já insultei muitos jornalistas e jornais –e fui muito insultado por eles também. Isso foi crescendo e já dura cerca de 20 anos.
E no entanto o senhor continua muito lido na França.
Essa é uma das vantagens de ser insultado pela imprensa, porque a população odeia a imprensa, então as pessoas estão do meu lado. Há uma relação muito ruim entre a mídia e a população.
E por que os franceses odeiam tanto a mídia?
Porque a mídia fala sempre a mesma coisa, é irritante, é tudo formatado, é pura propaganda centrista. Mas os franceses detestam também os políticos, detestam os juízes, detestam, na verdade, o poder. Fala-se muito da Frente Nacional, mas a progressão da Frente Nacional ainda é menor que a das abstenções nas eleições. A primeira escolha é a de se abster.
Os franceses participam cada vez menos da vida política...
Sim, eu não sei desde quando, mas nos últimos tempos se tornou uma coisa impressionante. Os franceses não se sentem representados, não sentem que algum partido os represente. O problema não é a corrupção –claro, quando há um escândalo isso não ajuda–, mas no geral os políticos franceses são menos corruptos do que em muitos outros países. A causa são mesmo os atores políticos e o que eles propõem. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Tite, o encantador de serpentes?


A imagem foi sugerida pelo zagueiro Lugano, do São Paulo, ao falar sobre Tite, o técnico da seleção. O depoimento foi gravado para o programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, que irá ao ar amanhã. Poderia reduzir o que foi dito pelo uruguaio como um erro de avaliação. Fica essa primeira impressão, seguida de outras menos nobres. Mas se levarmos em conta o futebol e o estilo de Lugano dá até pra entender a razão de tal predileção. Reconheço que a primeira passagem de Dunga pelo comando do time nacional merece respeito e que Tite precisará trabalhar muito bem pra conseguir uma igual em matéria de conquistas. Mas, resultados à parte, há muitas outras coisas das quais nosso futebol anda carente e que Tite parece infinitamente mais preparado para proporcionar.  

domingo, 20 de novembro de 2016

Mais uma do Brasil pós-Olimpíada

Vale destacar , além do teor do link abaixo, que uma outra manchete chamou a atenção para o fato de o Ministério do Esporte ignorar o código antidoping na hora de fazer nomeações.

http://m.folha.uol.com.br/esporte/2016/11/1833921-autoridade-brasileira-de-controle-de-dopagem-e-descredenciada-pela-wada.shtml?mobile

sábado, 19 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Nosso Brasil pós-Olimpíada


Durante um bom tempo, na condição de repórter, trabalhei na cobertura do nosso Basquete. Na segunda metade da década de 90 fiz, com uma equipe muito bacana, o programa Basketmania, veiculado pelo canal SporTV. Guardo comigo lembranças de grandes jogos e, posso dizer que poucas vezes na vida vi algo tão vibrante como o ginásio de Franca lotado em uma final de Brasileiro. Como era bonito ver, também, a ligação que a cidade tinha com o Basquete. 

Tempos depois lembro de ter voltado lá pra fazer uma reportagem sobre essa história para o programa" Grandes Momentos do esporte", da TV Cultura. Ao colher o depoimento de Hélio Rubens (pai) sobre o professor Pedroca pude sentir o quanto havia de sentimento nisso tudo. Mas essa é só a minha história. A do basquete brasileiro é bem maior e mais relevante. Uma história abrilhantada por títulos mundiais, pelo talento e pelo suor de tantos grandes atletas.



Uma história que tem sido muito mal gerida, desrespeitada. Ou não é desrespeito deixar a coisa chegar onde chegou? Com o basquete brasileiro suspenso pela Federação Internacional, impedido de disputar torneios. Pouco mais de dez dias atrás a FOLHA publicou uma matéria sobre a dívida da Confederação Brasileira. Mas diria que mais bombástico do que o fato da dívida ter crescido 1350% nos últimos seis anos foi a postura adotada pelo presidente da entidade que disse "Estar trabalhando para resolver uns PROBLEMINHAS".

Uma postura arrogante que em muito se assemelha a tomada semanas antes pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que depois de ter seu presidente, Coaracy Nunes, afastado por suspeita de irregularidades em convênios com o Ministério do Esporte, decidiu suspender o pagamento de salários de funcionários e os torneios. O motivo seriam dificuldades financeiras enfrentadas após a determinação da Justiça Federal. Retaliação? Jamais!

Ou seja, trata-se de um universo em que os homens não parecem ter vergonha de nada, Muito menos do fracasso como dirigente. Nos dois casos, mesmo o dinheiro tendo sido farto como nunca, os resultados foram péssimos. Nosso basquete fez a pior campanha da história nos jogos. E a natação não conquistou uma única medalha. E pensar que havia no ar a esperança de que sediar uma Olimpíada pudesse fazer o nosso país tratar o esporte de maneira mais digna. 



* A matéria da FOLHA citada acima pode ser lida aqui:
http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2016/11/1828853-em-crise-basquete-brasileiro-ve-divida-crescer-1350-em-seis-anos.shtml
                       

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O caldo corintiano


Faz algum tempo brinco com os amigos corintianos dizendo a eles que a roda gira. Diante da cara de espanto, faço logo alusão à uma roda gigante, dizendo que não dá pra querer ficar o tempo todo lá em cima. Uma hora é preciso baixar. Não sem antes lembrar que eles ficaram por cima um período considerável. Devo ter visto alguém fazer a brincadeira e achei que a imagem era boa. No fundo só um jeito mais elaborado de dizer que em matéria de futebol não dá pra ganhar sempre.

Mas o fato é que a situação complicou a tal ponto que nem sei se a brincadeira ainda cabe. Era um sarro justo para aquele hiato entre a saída de Tite e as primeiras oscilações quando o time, apesar de toda a turbulência, ainda mantinha boa posição na tabela. O que já não é o caso, tantos são os ingredientes que foram se misturando. Não se trata mais apenas de certa pobreza técnica, mas também daquela que se descobre ao olhar o cofre do time. E acho que o caldo pode entornar de vez graças as questões que envolvem a Arena Corinthians, vista em outros tempos como a conquista que colocaria o clube em um outro patamar de faturamento e administração. Só que aos poucos o torcedor vai descobrindo da maneira mais amarga possível que, principalmente nas questões referentes ao segundo quesito, não há milagres.

Mas se existe algo a ser comemorado nessa história é a média de público que, ao menos enquanto o futebol apresentado pelo time era promissor, fez o Corinthians faturar como gente grande. Mas aí talvez fosse o caso de enaltecer a torcida, né? Não exatamente aqueles que cuidam da gestão do clube. E que a torcida a essa altura não se mostre mais tão a fim assim de ver o time é compreensível. Como é compreensível que a preocupação com a queda vertiginosa da bilheteria figure na lista de prioridades do clube. Mas não custa lembrar que a projeção de se ter em Itaquera cerca quarenta mil pessoas por jogo, só faz sentido mesmo se for, como era, para temperar o papo com os envolvidos em fazer o estádio sair do papel. É um número gigante pro nosso futebol, apesar de tudo que ele evoluiu nesse sentido. 

Diante do quadro atual uma vaga na Libertadores do ano que vem está longe de ser remédio pra curar as dores corintianas, mas a ausência dela pode revelar uma palidez medonha. E se a essa altura da temporada a imagem da roda gigante não se mostra mais como o melhor paralelo para explicar a situação do Corinthians, continua servindo para explicar o que separa a realidade dos nossos clubes dos grandes clubes europeus. Não, não é apenas o futebol. É que os grandes de lá quando estão por baixo sabem que voltar a subir é apenas uma questão de tempo. Uma certeza que infelizmente nenhum dos nossos clubes pode, ou deve, se dar ao luxo de ter.