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J.Ricardo / Estação Conteúdo |
Dois episódios ocorridos nestes últimos
dias do ano são exemplos da nossa realidade social refletida no futebol. O
primeiro, a selvageria registrada nos arredores e na entrada do Maracanã no dia
da final entre Flamengo e Independiente, da Argentina, pela Copa Sul-Americana.
Onde vimos um descaso, um despreparo total das autoridades e instituições
envolvidas para lidar com a crueldade desses dias que correm. Faz tempo que
gente mal intencionada descobriu que invadir o Maracanã à força é possível. Aliás, até os chilenos sabiam disso. Durante a Copa realizada aqui uns cem se
reuniram por ali e simplesmente dispararam estádio a dentro via Sala de
Imprensa, levando pânico aos que trabalhavam no local.
Em agosto, num Flamengo e
Botafogo, as cenas foram as mesmas de agora. Torcedores enfrentando a Polícia
Militar, invadindo o estádio. Sem contar as confusões geradas por ingressos
falsificados, outra constante. Em setembro se deu o mesmo. Na final da Copa do
Brasil, antes de Flamengo e Cruzeiro entrarem em campo, balas de borracha,
invasão e torcedores dentro do estádio colocando grades abaixo para mudar de
setor. No caso mais recente, esse da Copa Sul-Americana, quando o clube
rubro-negro e a Polícia discutiam para descobrir o menos culpado, ficamos
sabendo que as barreiras montadas para impedir que torcedores sem ingressos
chegassem até o estádio estavam fadadas ao fracasso porque era simplesmente
impossível saber se os cartões que a multidão ia apresentando estavam, ou não,
carregados com os ingressos.
Tão lamentável quanto a falta de métodos
eficazes para evitar que assistir um jogo de futebol não seja um risco de morte
é a atitude selvagem de quem se apresenta ali para se aproveitar, para roubar,
para brigar, deixando milhares de inocentes com a vida por um fio. Gente que,
imagino eu, no cotidiano miúdo vive dizendo que o país precisa mudar.
E o outro
episódio pontual foi a punição imposta pela FIFA ao presidente da CBF, Marco
Polo Del Nero, impedindo o cartola de realizar por noventa dias qualquer
atividade ligada ao futebol. Ora, nem o mais inocente dos torcedores é capaz de
acreditar que o dirigente não segue mandando em tudo. O jatinho e helicóptero da
entidade, como foi noticiado, seguem à disposição dele, replicando o mesmo
teatro que se vê encenado em outras áreas. Na política, por exemplo. E assim a
violência dos que roubam, dos que causam desordem, vão fazendo do nosso
cotidiano algo cada vez mais bizarro. Quando uma sociedade adoece, como adoeceu
a nossa, esperar que o futebol melhore beira quase o egoísmo. É preciso, bem
antes disso, salvar de um colapso total este país que na próxima Copa será
chamado de o mais vencedor da história.