quinta-feira, 7 de março de 2013

Um clássico brochante

Juro por tudo que há de sagrado nesse mundo que dessa vez queria encontrá-los trazendo para o nosso encontro um assunto que tivesse como ponto de partida o talento. Algo primoroso que tivesse se desenhado nos gramados e provocado prazer. Mas, pensando bem, por saber como anda o nosso futebol chego a me sentir inocente por ter esperado que o clássico entre Santos e Corinthians pudesse ter satisfeito toda essa expectativa.

Uma coisa é ver um jogo e não gostar, outra , mais grave, é ver um jogo que causou descontentamento geral. Não é possível que tenhamos desaprendido a jogar futebol assim. Chego a crer que a explicação pode ser outra. Talvez o que tenhamos visto, sem entender, tenha sido uma brochada ludopédica. Preocupante, como todas elas costumam ser.

Pensem comigo. O psicológico como vocês bem sabem tem nesse tipo de caso importância vital. Eis que o Santos, há tempos devendo uma boa exibição, vai jogar no Morumbi e chegando lá dá de cara com um estádio semi vazio que não reflete em nada a vibração que a história do jogo sugere. Com os corintianos se dá algo parecido. O time que se acostumou a levantar sua torcida no instante em que entra em campo olha para as arquibancadas e quase não a encontra. Os poucos corintianos fazem o que podem para empolgar o time que amam.

Mas lá embaixo na cabeça de cada jogador do timão está a certeza de que terminado o clássico não haverá o conforto de casa nem o abraço dos filhos. Depois dos noventa minutos haverá, isso sim, uma longa viagem até Tijuana. Longas horas dentro de um avião para alcançar um destino que está longe de ser dos sonhos. Uma cidade na fronteira do México com os Estados Unidos onde o Tijuana os espera para um confronto em piso sintético.

Como se não bastasse, no gramado do Morumbi as coisas não dão certo pra ninguém. Os santistas padecem de total falta de entrosamento. E as consequências da falta de entrosamento nesses casos são cruéis. Enquanto isso os outros alvinegros vão fazendo o que podem para dominar o campo de jogo mas - no fundo - estão sendo corroídos pela preocupação extrema com uma possível derrota. E a ausência de tesão pela vitória é por natureza devastadora.

Nem mesmo o apelo de um encontro prestes a se tornar centenário foi capaz de mudar o clima. O que sobrou da última tarde de domingo de Santos e Corinthians foi o desconforto que costuma assombrar o homem quando nada dá certo e uma certa vergonha se faz inevitável.



* artigo escrito para o jornal "A Tribuna", santos

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