quinta-feira, 13 de julho de 2017

Futebol: uma perspectiva histórica














Traçar um panorama histórico do futebol é algo ambicioso. Mas vou correr o risco, assim driblo também a indignação de ter visto tudo que aconteceu no clássico entre Vasco e Flamengo. A teoria que alimento está baseada em sintomas à primeira vista simples, como o desencanto cada vez mais  perceptível nos papos sobre o jogo de bola. Os mais velhos talvez digam que esse ranço sempre existiu. Mas aí eu volto no tempo e recordo o papel que o futebol teve na minha formação, recordo o lugar que o jogo ocupava no coração da meninada. Os da minha geração tiveram o jogo de bola como um grande catalisador, como algo que nos dava uma certa unidade. 

Certamente não foi por acaso que em determinado momento no nosso país verdadeiras multidões tenham tomado o rumo dos estádios que vira e mexe eram vistos pulsando ao ritmo de mais de cem mil corações. Hoje em dia se disseca o futebol, mas nada como mirá-lo sob a perspectiva do tempo para entender o que estamos passando. Visto pelo viés histórico o futebol em nós é um sopro. Com esse jeitão supostamente organizado teria pouco mais de cento e vinte anos. E se levarmos em conta a origem nobre - o que o impedia de ser de todos - e que demorou mais de duas décadas para que pudesse ser praticado por negros e se espalhasse pelas várzeas essa trajetória se encurta ainda mais.

Por essas e outras acredito que o que estamos vivendo hoje em dia é uma espécie de ocaso do futebol como grande expressão de nossa cultura. E não me espanta que seja assim tendo em vista como foi e é tratado ao longo do tempo. O apogeu possivelmente tenha se dado nos anos 70 o que explicaria o surgimento de uma seleção como a que tivemos na primeira Copa do México. O que explica também a insatisfação geral dos que são da geração que antecedeu a minha. Quem viu o futebol em todo o seu esplendor não tem como se contentar com o que está aí. Isso me parece claro. De lá pra cá o corpo lúdico do futebol foi tomado pelo futebol de resultado, pelas Arenas e pelos programas de sócios-torcedores com suas vocações elitistas, aterrorizado pelas torcidas organizadas, cuja violência é fenômeno nascido nos anos 90. 

Não acho por isso que o futebol vai acabar. Seguirá movimentando cifras cada vez  maiores, produzindo celebridades, nos divertindo na medida do possível. Mas jamais voltará a ser o que foi, até porque nosso país e os homens também já não são como foram um dia.  

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